Lenda indígena

Há muitos anos, às margens do Rio Calçoene, no Amapá, havia uma pequena aldeia indígena. Nessa aldeia vivia um curumim chamado Ubiraci. Quando nasceu, foi abençoado por Tupã e por isso tinha o dom de conhecer a fauna e a flora, podendo falar com todos os animais, da terra, da água ou do ar.

Ubaraci cresceu e se tornou um lindo jovem que era amado por todos. Um dia, enquanto andava pela floresta, viu a índia mais linda que seus olhos já tinham visto.

Ela também era abençoada e suas mãos mágicas faziam desabrochar sementes onde ela tocasse o solo, se voltasse as mãos para o ar, podia controlar as chuvas e os ventos, se tocasse os rios controlava as marés e as pororocas.

Sem saber Ubiraci se apaixonou pela Natureza.

Depois desse dia, ele a procurava em todos os lugares, mas não a encontrou mais, sem entender que ela estava em tudo o que ele via.

A paixão era tão grande que ele parou de conversar com os animais e com as árvores, e seu dom começou a se perder.

Um dia, quando todos dormiam, Ubiraci viu a lua refletida na água, imaginou que na Lua poderia encontrá-la.

Ele mergulhou no rio, mas, quanto mais lutava contra a correnteza, mais a Lua se afastava dele. Foi tanto o esforço que ele não aguentou e morreu.

Tupã se compadeceu dele e do amor que ele sentia e o transformou em uma árvore, no meio do rio.

Quando a maré subia a árvore, magicamente, desprendia suas raízes e navegava contra a correnteza.

Quando os índios viram aquilo, imaginaram se tratar de algo sobrenatural e colocaram o nome na árvore de Tarumã, que significa tronco que se move.

Os anos se passaram e quando algum índio sofre por algum amor impossível, faz uma oferenda a Tarumã, deixando a oferta no tronco da árvore.

Se o tronco navegar e voltar vazio, o pedido se realiza.

***

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Maria Cecilia

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