contos de fadas

História de Figueiredo Pimentel

O reino da Pérsia foi governado, há muitos séculos, pelo rei Nebul. Ele era um rei muito bondoso e reinava com sabedoria.

Um dia, sem nenhuma explicação, ficou cego. Os melhores médicos do reino e dos reinos vizinhos o examinaram, mas sem encontrar a cura.

O Rei já estava desanimado, quando apareceu no seu reino uma velhinha dizendo que sabia o remédio para o seu problema.

O rei mandou trazer a velhinha e ela lhe disse:

– Majestade, só há um remédio capaz de fazê-lo recuperar a visão.  Existe, num reino muitíssimo distante daqui, uma fonte chamada de Rainha das Águas. Se alguém conseguir um pouco dessa água, e colocá-la sobre os olhos, imediatamente verá tão bem como um pássaro. Porém, é muito difícil chegar a esse reino. Quem for buscar a água deve se entender com uma velhinha que mora perto da fonte. Ela é quem há de informar se o dragão que vigia a entrada da fonte está dormindo ou acordado, porque a fonte está situada atrás de montanhas muito altas, e, se alguém for visto pelo terrível bicho, morrerá no mesmo instante.

O Rei Nebul retirou-se para os seus aposentos. No dia seguinte mandou preparar uma grande esquadra composta de duzentos navios, e enviou seu filho mais velho, o príncipe Agár, para buscar a água, dizendo que lhe dava o prazo de um ano para estar de volta, e, se naquele prazo não voltasse, iria considerá-lo morto pelo dragão.

O moço partiu e depois de viajar muito, desembarcou em um país estranho e muito rico. Saltou em terra e começou a se divertir, a ponto de gastar todo o dinheiro que levava, contrair dívidas e, por isso, ficar preso.

Passado um ano, Nebul, não o vendo voltar, ficou triste, julgando-o morto. Mandou preparar nova esquadra de quinhentos navios, porque supunha que seu filho morrera na guerra que travara no Reino das Águas.

Enviou seu segundo filho, o príncipe André e fez a mesma recomendação:

– Se no prazo de um ano, meu filho, você não tiver voltado, terei que chorar a sua morte.

Partiu André e, depois de muito viajar, aportou ao mesmo país que seu irmão Agár.

Lá, fascinado pelas festas, gastou tudo quanto levara, contraiu grandes dívidas e, como seu irmão, ficou preso.

Passado um ano, vendo o rei que o seu outro filho não voltava, ficou desanimado e sem esperanças de recuperar a vista, pois supunha que André houvesse tido o mesmo fim que o primeiro.

Pagamento único

Então, o mais moço, o jovem Oscar, que ainda era adolescente, tinha só 17 anos, foi se oferecer para ir buscar o remédio.

– Quero ir agora, meu pai e, se eu for, garanto que lhe trarei a água.

O rei começou a rir.

– Como quer ir, meu filho? Não vê a sorte de teus irmãos mais velhos?

O menino tanto insistiu, tanto pediu, tanto rogou, que afinal, o rei para o contentar, lhe concedeu a licença de partir.

Mandou preparar uma esquadra de cem navios, menor que a dos outros dois príncipes, e disse a Oscar que partisse quando quisesse.

O menino, antes de partir, foi assistir à missa no palácio, e pediu com todo o fervor a Nossa Senhora que o protegesse na empresa a que ia se arriscar.

Partiu no dia seguinte, e depois de muito navegar, foi aportar no mesmo país onde estavam seus irmãos presos por causa das dívidas.

Pagou as dívidas e os libertou.

Os dois irmãos aconselharam-lhe que não continuasse a viagem, pois aquele país era muito divertido e ele deveria ficar por ali.

O menino não quis ouvir e embarcou novamente, partindo para o Reino das Águas.

Chegando lá, desembarcou sozinho, e foi procurar a velhinha, que morava perto da fonte milagrosa:

– Ó, meu netinho, que veio cá fazer? Olhe que você corre grande perigo. O dragão que guarda a fonte que fica atrás daquelas montanhas, é uma princesa encantada, que tudo devora. Procure uma ocasião em que esteja dormindo, para entrar, e repare bem que, quando estiver com os olhos abertos, é porque está dormindo, mas se estiver com os olhos fechados, está acordada.

O menino tomou as suas precauções e ao chegar à fonte encontrou a fera com os olhos abertos.

Aproximou-se da fonte, e encheu a garrafa que levava.

Já ia se retirando, quando o dragão acordou, e avançou sobre ele.

– Que atrevimento é esse, menino mortal! O que faz com que tenhas a audácia de vir ao meu reino?

O moço só teve tempo de desembainhar a espada.

Em um dos botes a fera foi ferida e, com o sangue que gotejava, se desencantou numa formosa princesa.

– Devo casar-me com o homem que me desencantou.

Os dois voltaram juntos para o reino da Pérsia, lá curaram o Rei, se casaram e foram felizes para sempre.

***

Clique aqui para ver a história A Onça doente

Quer ganhar um e-book de histórias infantis? Clique aqui

Fábula de Monteiro Lobato

A Onça caiu da árvore e ficou acamada por muitos dias, como não podia sair da toca começou a ficar com fome e chamou a comadre Irara para pedir ajuda.

– Diga aos animais que estou doente, muito doente, peça que venham me visitar – falou a Onça para a Irara.

A Irara deu o recado a todos os animais e eles começaram a fazer visitas, veio a Capivara, a Cutia, o Veado, e por fim veio o Jabuti.

Ao entrar na toca o Jabuti viu as pegadas dos animais que tinham vindo primeiro, mas o que o deixou curioso foi que tinha pegadas entrando, mas não tinha nenhuma saindo.

– Me parece que nesta toca quem entra não sai, acho que em vez de visitar vou para minha casa rezar por ela.

***

Clique aqui para ver a história Peixes na floresta

Quer ganhar um e-book de histórias infantis? Clique aqui

Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez um casal que por muitos anos tentava ter um filho, mas o sonho não se realizava. Eles pediam a Deus para que este sonho fosse realizado.

Afinal, um belo dia, a mulher percebeu que Deus havia ouvido suas preces e eles teriam uma criança.

O casal vivia ao lado da casa de uma feiticeira e sua casa era cercada por muros de pedra, bem alto para que ninguém se aproximasse. Um dia a mulher, que já estava de gravidez avançada, espiou por entre as frestas do muro e viu uma horta magnífica, com os mais diversos legumes, mas o que mais lhe chamou a atenção foram os rabanetes, ela chegou a salivar de vontade.

Como tinham medo da feiticeira ela tentou esquecer a vontade e seguir sua vida, porém, com o tempo a vontade só aumentava. Ela começou a ficar triste e com aparência doentia.

Seu marido, um dia, percebeu que algo não estava bem com sua esposa e perguntou a ela o que tinha acontecido. A esposa contou sobre o que tinha visto e sobre a grande vontade de comer os rabanetes.

Então o marido ficou com medo que sua esposa morresse e falou para ela:

– Não se preocupe, esta noite você terá seus rabanetes.

Quando já estava muito tarde da noite ele colocou uma escada no muro e pulou para o quintal da feiticeira, roubou alguns rabanetes e voltou para casa.

Lá chegando a mulher preparou uma salada e se deliciou com os rabanetes. Porém o seu desejo não cessou e no dia seguinte ela queria comer mais. Então, seu marido pulou novamente o muro para buscar mais rabanetes para a esposa, mas desta vez ele foi surpreendido pela feiticeira que falou:

– Como se atreve a entrar no meu quintal, seu ladrão!!! Vai ver o que te espera!!!

– Oh! Tenha piedade – implorou o homem – Só fiz isso porque minha mulher está gravida e está com muito desejo de comer estes rabanetes, se não os pegasse ela certamente morreria.

A feiticeira se acalmou e disse:

– Se é assim pode levar quantos rabanetes quiser, mas com uma condição. Assim que a criança nascer você me dará seu filho para eu criar.

O homem ficou transtornado e vendo sua aparência a feiticeira falou:

– Não se preocupe, esta criança vai ter de tudo do bom e do melhor, eu prometo.

O homem não poderia fazer este trato, mas também tinha que levar os rabanetes para a mulher, então resolveu aceitar a proposta da feiticeira, pensando que depois faria outro acordo para não entregar o filho.

Pouco tempo depois nasceu uma linda menina. A feiticeira foi à casa deles para pegar a criança como parte do combinado. Ao chegar à casa o homem falou:

– Não poderei entregar a minha filha, leve o que quiser.

– Não quero nada além desta criança, você aceitou a troca – falou a feiticeira.

A mulher sem nada entender começou a chorar e tentou proteger a filha, mas com um feitiço certeiro ela pegou a criança e foi embora.

A feiticeira deu à menina do nome de Rapunzel e para fugir dos pais da criança ela foi embora daquele local para criar a menina.

A garota cresceu e virou uma moça muito linda de cabelos muito longos e finos como fios de ouro. Então a feiticeira, querendo escondê-la de todos, a levou para uma torre no meio da floresta e lá a deixava trancada, só indo visitá-la durante o dia.

A torre não tinha escadas, nem portas, apenas uma janelinha no lugar mais alto. Quando a velha desejava entrar, gritava lá de baixo:

– Rapunzel! Rapunzel! Joga as suas tranças!

Quando ouvia o chamado, Rapunzel jogava as suas tranças, vinte metros abaixo e por elas a feiticeira subia.

Algum tempo depois, o filho do rei estava cavalgando pela floresta e ao passar perto da torre ele ouviu um canto e parou encantado pela linda voz.

Rapunzel costumava cantar para si mesma para espantar a solidão em que vivia.

O príncipe quis subir na torre, mas não encontrou nenhum modo de fazer isso, já que não havia escadas ou portas.

Depois desse dia, ele passou a ir todos os dias na floresta para ouvir Rapunzel cantar.

Um dia, viu a feiticeira chegar e gritar:

– Rapunzel! Rapunzel! Joga as suas tranças!

Ele viu que o único modo de chegar ao alto da torre era pelas tranças de Rapunzel.

No dia seguinte ele chegou mais tarde e ficou esperando até a feiticeira descer pelas tranças e ir embora e então gritou, fazendo voz de mulher:

– Rapunzel! Rapunzel! Joga as suas tranças!

A moça achou estranho, mas jogou as suas tranças e levou um grande susto ao ver que um homem estava entrando em sua torre, ela nunca tinha visto um homem antes.

Mas o príncipe a tratou com muita doçura e contou que todos os dias vinha até à torre para ouvi-la cantar, que queria muito conhecê-la e falou que estava apaixonado.

Rapunzel também se encantou pelo rapaz e desde então, todos os dias, assim que a feiticeira ia embora ele subia na torre para se encontrar com ela e passar a noite.

Com o tempo Rapunzel também se apaixonou por ele e num belo dia ele a pediu em casamento. Ela aceitou e eles começaram a planejar a sua fuga.

Rapunzel falou:

– Eu quero ir embora com você, mas não sei como poderei descer, da próxima vez que vier traga um tecido muito longo de seda para que eu possa descer por ele e possamos fugir.

No dia seguinte ele ficou esperando a feiticeira ir embora e como sempre chamou Rapunzel para que pudesse subir. Eles amarraram o tecido para Rapunzel descer e ela arrumou suas coisas para fugir.

Porém, neste dia a feiticeira esqueceu a sua cesta na torre e voltou para buscar. Ao chegar viu o tecido amarrado na torre. Imediatamente ela subiu pelo tecido e surpreendeu o príncipe e Rapunzel lá em cima.

Ela ficou possessa de raiva e começou a gritar com os dois. Ela jogou um feitiço no príncipe que caiu da torre em uma moita de roseira. Ainda não satisfeita com a traição da moça, ela cortou os seus cabelos e a levou para longe dali, para o deserto, esperando que lá ela morresse de fome.

O pobre príncipe ficou gravemente ferido na queda e teve seus olhos furados pelos espinhos. Ele acabou sendo socorrido pelos homens do seu reino e deste dia em diante realizou diversas viagens para encontrar Rapunzel ou qualquer pista de onde ela estaria.

No deserto Rapunzel teve a sorte de ser acolhida por uma família que cuidou dela. Um tempo depois ela descobriu que estava grávida e lá nasceram seus dois filhos gêmeos, um menino e uma menina.

Passaram-se anos e um dia o príncipe encontrou uma pista do seu paradeiro e a encontrou no deserto. Ele se alegrou muito ao saber que tinha dois lindos filhos.

Rapunzel não se continha de emoção ao encontrar o seu amado, pois ela achava que ele tinha morrido com queda da torre. Então, chorando, ao abraçá-lo suas lágrimas caíram em seus olhos e ele voltou a enxergar.

Eles voltaram para o castelo e, deste dia em diante foram muito felizes.

***

Clique aqui para ver a história O professor do burro

Quer ganhar um e-book de histórias infantis? Clique aqui

Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez uma rainha que estava costurando junto à sua janela de ébano, era inverno e a neve caia no parapeito. Como estava distraída acabou furando o dedo na agulha e algumas gotas de sangue caíram na neve. A cena lhe pareceu muito bonita e ela pensou: “Eu queria ter um neném assim, que fosse branco como a neve, com os cabelos negros como o ébano e com lábios vermelhos como o sangue”.

Algum tempo depois ela teve uma filha que era banca como a neve, tinha cabelos pretos como o ébano e os lábios vermelhos como o sangue. Ela foi batizada com o nome de Branca de Neve.

Porém, pouco tempo depois de seu nascimento a rainha faleceu.

Um ano mais tarde o rei se casou novamente. A nova rainha era linda, mas muito orgulhosa e prepotente. Ela era incrivelmente vaidosa e não podia suportar a ideia de ter alguém mais bela que ela.

Ela era na verdade uma bruxa disfarçada e tinha um espelho mágico. Ela sempre perguntava ao espelho:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

E o espelho respondia:

– Senhora Rainha, tu és a mais linda de todas as mulheres.

Ela ficava muito satisfeita porque sabia que o espelho somente falava a verdade. Com a morte do rei era ela quem governava o reino.

Mas, à medida que Banca de Neve crescia, ficava cada dia mais bela, mais bonita que a própria rainha.

Um dia, a rainha fez novamente a pergunta ao espelho e ele respondeu:

– Rainha, Branca de Neve é a mais linda de todas as mulheres.

Nesse momento o rosto da rainha ficou transtornado de raiva e inveja. Depois disso, toda vez que ela olhava para Branca de Neve sentia tanto ódio que seu sangue fervia no peito.

A inveja e ódio cresceram em seu coração pelo orgulho ferido até um ponto que ela não tinha um momento de sossego em sua mente.

Então, quando não aguentava mais de tanto ódio ela mandou chamar um caçador e lhe disse:

– Quero que leve Branca de Neve para a floresta e a mate. Para provar que cumpriu o que ordeno me traga o seu coração.

O caçador obedeceu. Levou a menina para a floresta, mas quando puxou seu facão para matá-la, Branca de Neve começou a chorar e disse:

– Por favor, caçador, deixe-me viver, eu fugirei para a floresta e nunca mais voltarei, a rainha nunca saberá.

O caçador ficou com muita pena da menina e falou:

– Fuja para longe e nunca mais volte.

Porém, pensou consigo mesmo: “Ela não vai sobreviver, os animais da floresta vão devorá-la, mas ao menos não terei sido eu a fazer tamanha atrocidade”.

Logo depois, ele matou um javali, retirou seu coração e o levou à rainha como prova de que havia cumprido a sua ordem.

A rainha era tão malvada que mandou cozinharem o coração e o comeu, feliz por ter dado fim à Branca de Neve.

Enquanto isso, a pobre menina estava sozinha no meio da grande floresta. Apavorada e sem saber para onde ir, ela se assustava com todos os barulhos que ouvia. Ela correu para longe e apesar de a floresta estar repleta de animais ferozes, nenhum deles lhe fez mal.

Depois de muito tempo, cansada de tanto correr, Branca de Neve avistou uma casinha e resolveu pedir ajuda.

Ela chamou e chamou, mas ninguém a atendeu, então ela resolveu entrar na casa para descansar.

Lá dentro era tudo pequenino, mas muito limpo e bem cuidado.

A mesa estava posta com uma toalha branca e sete pratinhos, cada um com uma faca, um garfo e sete canequinhas. Todos os pratos estavam repletos de alimentos cheirosos e apetitosos. Havia também sete camas enfileiradas e cobertas por lençóis imaculados.

Branca de Neve estava morrendo de fome e sede, mas não queria comer a refeição de ninguém, por isso comeu um pouquinho de cada prato e como estava cansada se deitou em uma cama que pareceu mais confortável, fez suas orações e adormeceu.

Quando estava escuro os donos da casa chegaram. Eram sete anões que todos os dias iam para as montanhas minerar prata com suas pás e picaretas. Assim que chegaram acenderam as velas e a lareira e então perceberam que alguém havia entrado lá porque algumas coisas estavam fora do lugar.

O primeiro disse:

– Quem sentou na minha cadeira?

E o segundo:

– Quem comeu no meu prato?

E o terceiro:

– Quem deu uma mordida no meu pão?

E o quarto:

– Quem andou beliscando os meus legumes?

E o quinto:

– Quem usou o meu garfo?

– E o sexto:

– Quem cortou com minha faca?

E o sétimo:

– Quem bebeu na minha caneca?

Depois olharam pela casa e viram que a Branca de Neve estava deitada lá, dormindo.

Logo todos estavam à sua volta, admirando a sua beleza. Com pena da menina resolveram deixá-la dormir.

Na manhã seguinte, assim que acordou, Branca de Neve viu os sete anões à sua volta e levou um grande susto, mas eles foram muito simpáticos com ela e perguntaram:

– Qual o seu nome menina?

– Me chamo Branca de Neve.

– Como veio parar na nossa casa?

Então ela contou para eles tudo o que tinha acontecido, eles ficaram com pena dela e fizeram uma proposta:

– Você pode ficar em nossa casa se concordar em nos ajudar com as tarefas domésticas, se limpar a casa, cozinhar,… não vai lhe faltar nada aqui.

– Que bom! – disse Branca de Neve – eu vou adorar.

E ela ficou morando com eles. Todas as manhãs eles saíam para garimpar e quando voltavam à noite a casa estava limpa e o jantar pronto e quentinho.

Porém, eles a avisaram:

– Se sua madrasta descobrir que você está viva ela vai dar um jeito de vir te matar, tome cuidado. Não deixe ninguém saber que você mora aqui, nunca deixe ninguém entrar.

A rainha estava radiante por ser novamente a mulher mais linda de todas e resolveu fazer a pergunta novamente ao espelho:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda deste castelo, mas a Branca de Neve, que vive com os anões na floresta é a mais linda de todas.

A rainha ficou vermelha de raiva, ela sabia que o espelho nunca mentia e compreendeu que foi enganada pelo caçador. Ela queria o fim daquela menina, tinha que achar um jeito de matá-la.

Ficou pensando como faria isso, e desta vez ela faria com as próprias mãos. Então elaborou um plano para dar um fim em Branca de Neve.

Ela, que era uma bruxa poderosa se transfigurou em uma mulher comum, colocou roupas velhas e foi até a casa dos sete anões.

Chegando lá, bateu à porta e Branca de Neve se lembrou dos avisos dos anões, porém, ao ver que era uma mulher desconhecida resolveu abrir a porta. A bruxa falou que estava vendendo algumas coisas:

– Minha senhora, o que tem para vender? – perguntou Branca de Neve.

– Vendo corpetes, laços, tecidos. Minha filha, como você está mal arrumada, venha aqui vou te dar um laço para colocar nos seus cabelos e um corpete para ficar mais bonita.

Sem desconfiar, Branca de Neve deixou que ela colocasse o laço em seu cabelo e depois o corpete em sua cintura. Quando a velhinha estava lhe colocando o corpete, Branca de Neve começou a passar mal porque a velha apertou tanto que ela não podia respirar. Depois de alguns momentos Branca de Neve desmaiou e a mulher falou:

– Muito bem, agora você não é a mais bonita do mundo.

Ela foi embora correndo, achando que havia matado Branca de Neve. Logo depois os anões chegaram e encontraram a menina caída no chão, quase morta por não poder respirar. Estava tão imóvel que pensaram que ela tinha morrido. Quando a levantaram perceberam que o corpete a estava sufocando e então cortaram os laços. Com isso ela respirou melhor e aos poucos foi voltando a vida novamente.

Quando já tinha melhorado, ela contou aos anões o que tinha acontecido.

– É claro que essa mulher era a rainha malvada. Você tem que ser mais cuidadosa e não deixar ninguém entrar nesta casa – disseram eles.

Quando a rainha chegou em seu castelo correu para o espelho e disse:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda deste castelo, mas a Branca de Neve é a mais linda de todas.

Ao ouvir isto percebeu que não havia conseguido matar Branca de Neve. Então começou a planejar uma nova maneira de matar a menina. Depois de muito pesquisar em seus livros de bruxaria ela fez um pente envenenado.

Disfarçou-se novamente, desta vez com outra aparência e voltou a casa dos anões na floresta.

Lá chegando ela bateu a porta e falou:

– Tenho belas coisas para vender, quem quer comprar?

– Vá embora – disse Branca de Neve- não posso deixar ninguém entrar.

– Não precisa me deixar entrar, você pode só olhar, veja que pente maravilhoso.

A menina queria seguir as ordens dos anões, mas o pente era tão bonito e estava enfeitiçado, por isso ela esqueceu de todas as orientações e abriu a porta.

– Deixe-me te pentear minha querida, seus cabelos ficarão lindos – falou a rainha disfarçada.

Branca de Neve deixou que a mulher a penteasse, mas assim que o pente tocou o seu cabelo o veneno fez efeito e ela caiu no chão como se estivesse morta.

– Agora sim – disse a malvada – agora é o seu fim.

A rainha foi embora e logo em seguida os anões chegaram à casa e encontraram a menina caída como morta, imediatamente desconfiaram da madrasta. Eles a examinaram e viram o pente envenenado.  Para salvar Branca de Neve tiveram que cortar os seus longos cabelos na altura dos ombros e por isso ela se salvou.

Chegando no castelo a rainha foi ao seu espelho e falou:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda deste castelo, mas a Branca de Neve é a mais linda de todas.

Quando o espelho falou isso a rainha começou a tremer de ódio e começou a gritar:

– Branca de Neve tem que morrer! Mesmo que isto custe a minha vida!!!

A rainha malvada voltou para o seu quarto secreto, onde estavam todas as suas poções e livros de feitiçaria procurando uma maneira de matar a menina.

Depois de muitas experiências ela fez uma maçã envenenada, incrivelmente vermelha e apetitosa. A maçã era tão perigosa que qualquer um que a colocasse na boca morreria imediatamente.

Novamente ela se disfarçou, com uma outra aparência, desta vez de uma senhora muito velha e voltou para a casa dos anões.

Chegando lá bateu à porta, Branca de Neve a olhou pela janela e disse:

– Não posso deixar ninguém entrar, os anões me ordenaram.

– Não faz mal, minha doce menina – disse a bruxa – só quero te dar uma maçã de presente, olhe que linda.

– Não posso aceitar nada – disse a menina.

– Está com medo que esteja envenenada? Que bobagem! Vou cortar a maçã, você fica com a parte vermelha e eu fico com a parte branca, assim comemos juntas.

A maçã tinha sido feita de uma forma que o veneno estava somente na parte vermelha e na parte branca não.

Branca de Neve estava morrendo de vontade de comer a maçã e não conseguiu resistir, enganada pela artimanha da bruxa, estendeu a mão pela janela e pegou o pedaço da maçã. Assim que deu uma mordida caiu morta no chão.

A rainha deu um olhar cruel, uma gargalhada terrível e disse:

– Branca de Neve, branca como a neve, de cabelos pretos como o ébano e de lábios vermelhos como o sangue, desta vez os anões não conseguirão te salvar.

Chegando ao castelo a rainha perguntou ao espelho:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda de todo o mundo.

Então, o seu coração invejoso sossegou, se é que um coração invejoso pode ficar sossegado.

Quando os anões voltaram para casa, ao cair da noite, encontraram Branca de Neve caída no chão e desta vez ela estava morta.

Eles a levantaram e afrouxaram a sua roupa, despentearam o seu cabelo, mas nada adiantou, ela estava realmente morta.

Colocaram-na em uma maca, sentaram-se em volta e choraram a sua morte por três dias. Resolveram enterrá-la, mas algo estava estranho, apesar de não respirar, ela não tomava aparência de alguém que estivesse morta há três dias. Seu aspecto era fresco e suas bochechas e lábios continuavam vermelhos.

– Não podemos enterrá-la – disse o anão.

Então, eles resolveram construir um caixão de vidro, de modo que ela pudesse ser vista de todos os lados, a deitaram no caixão e escreveram o seu nome em letras de ouro, acrescentando que ela era filha de um rei. Colocaram o caixão no alto de uma colina e deste dia em diante um deles ficava sempre ao seu lado montando guarda.

Branca de Neve ficou no caixão por muitos e muitos anos, ela não se decompunha e parecia dormir. Sempre branca como a neve, com os cabelos pretos como o ébano e os lábios vermelhos como sangue.

Depois de muitos anos, um príncipe e seus homens se perderam na floresta quando já era noite e foram pedir ajuda na casa dos sete anões. No dia seguinte ele viu o caixão na colina e ficou encantado com a beleza da menina e triste pela sua história. Então disse aos anões:

– Eu quero este caixão para mim, pagarei o quanto pedirem.

– Não nos separaríamos dela por nenhum dinheiro deste mundo – responderam os anões.

– Então me deem o caixão, não poderei continuar vivendo sem admirar a sua beleza.

Os anões ficaram com pena dele e resolveram dar o caixão de presente.

Quando os criados do príncipe foram retirá-la da colina, um deles tropeçou em uma raiz e o caixão caiu no chão. Com o impacto o pedaço da maçã que estava na garganta de Branca de Neve se soltou, ela desengasgou, abriu os olhos e voltou à vida.

– Onde estou? – disse Branca de Neve.

– Está comigo! – respondeu o príncipe.

Então eles contaram a ela o que tinha acontecido e o príncipe, que já estava apaixonado disse a ela:

– Case-se comigo, venha comigo para o castelo de meu pai!

Branca de neve também se apaixonou pelo príncipe e foi com ele para seu castelo. Começaram os preparativos para o casamento e todos os reinos vizinhos foram convidados, inclusive a rainha malvada.

Depois de se arrumar toda para o casamento, ela olhou para o espelho mágico e disse:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda deste castelo, mas a Branca de Neve, que vai se casar hoje é a mais linda de todas.

A rainha ficou transtornada, xingou, amaldiçoou, não sabia o que fazer. Primeiro não queria ir ao casamento, mas tinha que ver com seus olhos a Branca de Neve.

No castelo, já sabendo de toda a história e sabendo que a rainha malvada viria ao casamento o príncipe se preparou para recebê-la.

Quando ela entrou no castelo e viu Branca de Neve ficou aterrorizada e não podia se mexer. A rainha foi presa e recebeu todos os castigos que ela merecia enquanto estava viva.

O príncipe e Branca de Neve se casaram e foram felizes para sempre.

***

Veja aqui a história da Lenda do Guaraná

Quer ganhar um e-book de histórias infantis? Clique aqui

Conto africano

Na África, o Porco e o Milhafre (espécie de gavião) eram dois amigos inseparáveis.

O porco invejava as asas do Milhafre, ele queria poder voar como o amigo e insistia continuamente com ele para que lhe arranjasse asas iguais para poder voar também.

O Milhafre pensou muito e teve uma ideia. Conseguiu arranjar penas de outras aves e com cera colou cada uma nos ombros e nas pernas do seu amigo Porco.

O porco ficou muito feliz e desde então começou a voar ao lado do seu amigo Milhafre.

Um dia o Porco quis acompanhá-lo até grandes alturas, mas a cera começou a derreter com o calor e as penas foram caindo uma a uma.

Conforme as penas se descolavam, o porco foi descendo, descendo…

Quando as penas se soltaram todas, o porco caiu e bateu com o focinho no chão com tanta força que ele ficou achatado.

O Porco ficou muito zangado com o Milhafre, por não ter grudado as asas direito.

Desde então, eles deixaram de ser amigos e quando o Porco vê o Milhafre pairar no alto, dá um grunhido e olha para ele magoado.

E aqui está a razão do porquê o Porco ter o focinho achatado e nunca mais querer voar.

***

Clique aqui para ver a história O Cavalo e o Burro

Quer ganhar um e-book de histórias infantis? Clique aqui