contos indígenas

Conto Indígena

Certa vez, na tribo de índios Sateré-Mawé, havia um casal que não podia ter filhos. Eles pediram ao deus Tupã que o desejo de serem pais se realizasse.

O deus Tupã se compadeceu do casal e a mulher ficou grávida. Nove meses depois nasceu um menino muito bonito e saudável.

O bebê era estimado por toda a tribo e assim ele cresceu forte e corajoso.

Jurupari, o deus da escuridão, era muito invejoso e tinha raiva do menino e de suas qualidades. Por isso ele resolveu matar o pobrezinho.

Um dia, enquanto ele colhia frutos na floresta, Jurupari se transformou em serpente para picar a criança.

Tupã, vendo o perigo que o menino estava correndo, mandou raios e trovões para alertar os seus pais e eles correram para a floresta.

Entretanto, não chegaram a tempo e o menino foi morto pelo veneno da serpente.

Seus pais e toda a tribo choraram muito pela morte do menino.

Por isso, Tupã mandou seus pais plantarem os olhos do menino para que deles nascesse uma planta que daria energia a toda a tribo.

Os olhos do menino foram plantados e a terra foi regada pelas lágrimas da tribo.

No local onde seus olhos foram plantados nasceu o guaraná, uma linda plantinha que tinha sementes iguais aos olhos do menino. Assim, a promessa de Tupã se concretizou porque a planta fazia muito bem aos que a utilizavam.

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Lenda indígena

Pita, o mais esforçado guerreiro da tribo, e Moroti, a mais gentil e formosa das donzelas da tribo, amavam-se muito. 

Porém, Nhandé Iara não queria que eles fossem felizes e por isso encheu a cabeça da jovem de maus pensamentos e instigou a sua vaidade.

Uma tarde, na hora do pôr do sol, quando vários guerreiros e donzelas passeavam pelas margens do rio Paraná, Moroti disse:

— Querem ver o que esse guerreiro é capaz de fazer por mim? Olhem só!

E, dizendo isso, tirou um de seus braceletes e o atirou na água. Depois olhou para Pita, que como bom guerreiro guarani era um excelente nadador, e pediu que ele mergulhasse para buscar o bracelete. Assim ele fez.

Em vão esperaram que Pita retornasse à superfície.

Moroti e seus acompanhantes, alarmados, puseram-se a gritar. Mas era inútil, o guerreiro não aparecia.

A desolação logo tomou conta de toda a tribo. As mulheres choravam e se lamentavam, enquanto os anciãos faziam preces para que o guerreiro voltasse. Só Moroti, muda de dor e de arrependimento, não chorava.

O pajé da tribo, Pegcoé, explicou o que ocorria. Disse ele, com a certeza de quem já tivesse visto tudo:

— Agora Pita é prisioneiro de Cunhã Pajé. No fundo das águas, Pita foi preso pela própria feiticeira e conduzido ao seu palácio. Lá, Pita esqueceu-se de toda a sua vida anterior, esqueceu-se de Moroti e aceitou o amor da feiticeira, por isso não volta. E preciso ir buscá-lo. Ele está no mais rico dos quartos do palácio de Cunhã Pajé. E se o palácio é todo de ouro, o quarto onde Pita se encontra agora, nos braços da feiticeira, é todo feito de diamantes. É por isso que Pita não volta. E preciso ir buscá-lo.

— Eu vou! — exclamou Moroti – Eu vou buscar Pita!

— Você deve ir, sim — disse Pegcoé. — Só você pode resgatá-lo do amor da feiticeira. Você é a única que pode fazer isso. Se de fato o ama, será capaz de vencer, com esse amor humano, o amor maléfico da feiticeira. Vá, Moroti, e traga Pita de volta!

Moroti amarrou uma pedra aos seus pés e atirou-se ao rio.

Durante toda a noite, a tribo esperou que os jovens aparecessem, as mulheres chorando, os guerreiros cantando e os anciãos esconjurando o mal.

Com os primeiros raios da aurora, viram flutuar sobre as águas as folhas de uma planta desconhecida: era o uapé (vitória-régia). E viram aparecer uma flor muito linda e diferente, tão grande, bela e perfumada como jamais se vira outra na região.

As pétalas do meio eram brancas e as de fora, vermelhas. Brancas como o nome da donzela desaparecida: Moroti. Vermelhas como o nome do guerreiro: Pita. A bela flor exalou um suspiro e submergiu nas águas.

Então Pegcoé explicou aos seus desolados companheiros o que ocorria:

— Alegria, meu povo! Pita foi resgatado por Moroti! Eles se amam de verdade! A malévola feiticeira, que tantos homens já roubou de nós para satisfazer o seu amor, foi vencida pelo amor humano de Moroti. Nessa flor que acaba de aparecer sobre as águas, eu vi Moroti nas pétalas brancas, que eram abraçadas e beijadas, como num rapto de amor, pelas pétalas vermelhas. Estas representam Pita. São descendentes de Pita e Moroti esses belos uapés que enfeitam as águas dos grandes rios. No instante do amor, as belas flores brancas e vermelhas do uapé aparecem sobre as águas, beijam-se e voltam a submergir. Elas surgem para lembrar aos homens que, se para satisfazer um capricho da mulher amada um homem se sacrificou, essa mulher soube recuperá-lo, sacrificando-se também por seu amor. E, se a flor do uapé é tão bela e perfumada, isso se deve ao fato de ter nascido do amor e do arrependimento.

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Lenda indígena brasileira

Pirarucu era um índio guerreiro da nação dos Nalas. Esse jovem índio era muito valente, orgulhoso, vaidoso, injusto e gostava de praticar atos cruéis. Diferente de seu pai, um chefe generoso, o jovem que era muito egoísta, criticava os deuses e se vingava de indígenas de sua tribo por qualquer motivo, ou mesmo sem motivo algum, executando-os quando seu pai saía para caçar em lugares longínquos.

Um dia, o deus Tupã viu o seu mau comportamento e resolveu castigá-lo por todas as suas maldades. Pediu à deusa Luruauaçu que fizesse cair uma grande tempestade, e assim aconteceu.

Uma forte chuva caiu do céu sobre a floresta de Xandoré. Caíam raios e trovões, tornando a floresta toda eletrizada pelos fortes relâmpagos.

O forte guerreiro Pirarucu encontrava-se na hora da chuva caçando na floresta e tentou fugir, mas não conseguiu. Vencido pelas forças da natureza, caiu ao chão. Um raio partiu uma árvore muito grande, que caiu sobre a cabeça do jovem guerreiro, achatando-a totalmente.

O jovem guerreiro teve seu corpo desfalecido carregado facilmente pela enxurrada para as profundezas do rio Tocantins, mas na floresta Xandoré o deus Tupã ainda não estava satisfeito e resolveu aplicar-lhe um castigo pior que a morte. Preservou-lhe a vida, mas transformou o rapaz em um peixe avermelhado, de grandes escamas e cabeça chata. É este o peixe Pirarucu que habita os rios da Amazônia. De algoz ele passou a ser caça dos indígenas da região. É um dos maiores peixes de água doce do Brasil e seu nome vem das palavras tupi: pirá, “peixe” e urucum, “vermelho”, devido à cor de sua cauda.

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Lenda indígena brasileira

Havia numa tribo duas moças, Moema e Juçara. Desde crianças eram apaixonadas por Peri, o índio mais belo da aldeia.

Todas as índias se interessavam por ele, mas somente as duas tinham idade para disputar o seu amor.

Apesar de rivais, continuavam amigas, mas não escondiam, uma da outra, a sua pretensão.

Juçara dizia:

– Amo Peri perdidamente.

E Moema respondia:

 – Eu o amo ainda mais, sou louca por ele.

O tempo passou e chegaram à idade para poderem se casar, então foram consultar o pajé da aldeia para resolverem o dilema.

– Peri não sabe dizer qual de nós duas ele prefere – disse Moema ao pajé.

Depois de muito pensar o pajé falou às duas:

– Vocês terão que ir à mata, cada uma com um arco e flecha e deverão acertar o pássaro que eu indicar, quem acertá-lo se casará com Peri.

No dia combinado as duas foram para a mata junto com o Pajé, assim que ele avistou um pássaro branco gritou:

– Ali! Atirem!!!

Duas flechas partiram velozes, mas somente uma acertou a ave. Ao conferir a flecha viram que era a flecha que tinha a marca de Juçara.

Juçara e Peri se casaram, mas Moema sofria perdidamente de tristeza ao ver os dois juntos.

Para aliviar a sua dor resolveu ir embora da aldeia para viver na mata.

Tupã ficou com dó da moça ao ver seu sofrimento e decidiu transformá-la em um pássaro de canto maravilhoso, dizendo:

– Seu canto será tão maravilhoso que será capaz de curar toda a tristeza do mundo!

Moema se transformou no Uirapuru, que significa “Pássaro que não é pássaro”.

Desde então todos os animais da mata silenciam quando ela começa a cantar.

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Folclore Brasileiro

Era uma vez um Coronel que era muito rico, era dono de muitas terras, de muita plantação e tinha gado a perder de vista.

O Coronel era o homem mais poderoso da região, mandava em tudo e em todos.

Mas a sua maior alegria não eram as plantações, nem aquele monte de gado, o que ele mais amava era o seu Boi Mimoso.

O boi era lindo, muito bem cuidado e tinha um curral só dele, tinha alimentação especial e também um funcionário da fazenda que tinha como única função cuidar do Mimoso, dar banho, lixar seu casco, escovar seu pelo, lustrar seus chifres. O boi tinha uma vida muito melhor que muita gente.

Quem cuidava do boi era um homem chamado Francisco, que gostava muito do boi e do seu serviço de mimar o animal. Francisco era casado fazia pouco tempo com a Catarina e ela estava grávida do primeiro filho dos dois. Ele estava muito feliz com a vida que levava, amava a esposa, amava seu filho que logo nasceria e amava o seu trabalho.

Um dia o Coronel mandou chamar Francisco e foi logo dizendo:

– Francisco, tenho que fazer uma viagem de negócios e vou me ausentar por um tempo, quero que você cuide muito bem do Boi Mimoso, não deixe faltar nada para ele. Quando voltar quero encontra-lo tão bem quanto ele está hoje.

– Sim, senhor Coronel, vou cuidar sim, como sempre fiz, pode ficar despreocupado e fazer sua viagem tranquilo.

E assim o Coronel partiu sossegado.

Passados uns dias Catarina procurou o marido no trabalho para fazer um pedido:

– Francisco, meu amor, estou tendo desejo de comer uma coisa.

– Fale, meu amor, eu vou até à Lua buscar para você, minha rainha – falou Francisco.

– Quero comer língua de boi, do jeito que só você sabe preparar – falou Catarina.

– Ô minha rainha, eu vou agora na cidade comprar a língua e hoje à noite mesmo faço para você.

– Mas Francisco, não quero língua de boi do açougue da cidade – falou Catarina.

– Não? Mas não tem problema, então amanhã mesmo eu mato um boi aqui do patrão, ele me tem em consideração, não vai se importar – falou Francisco.

– Não quero língua de nenhum desses bois do pasto do patrão!

– Mas então, minha rainha, como vou arrumar língua de boi para você, meu amor?

– Eu quero comer a língua do Boi Mimoso! – protestou a mulher.

Francisco empalideceu com o que a sua esposa havia falado, não podia matar o Boi Mimoso, ele era o favorito do Coronel, ele estaria perdido se fizesse isso.

Tentou fazer sua mulher mudar de ideia, mas não teve jeito:

– Eu quero comer a língua do Boi Mimoso, esse é o meu desejo. Você quer que seu filho nasça com cara de língua de boi, seu primeiro filho?

Francisco estava vivendo o maior dilema da sua vida, se matasse o boi estaria perdido, o Coronel daria um fim nele, se não fizesse a língua para sua esposa tinha medo que algo de ruim acontecesse com seu primogênito.

Ele não sabia o que fazer, nem dormiu mais depois daquele dia. Catarina o pressionava cada dia mais.

Depois de uma semana ouvindo os pedidos da esposa ele cedeu, com lágrimas nos olhos, matou o boi Mimoso e fez a língua para ela comer.

Catarina se deliciou com o prato e sossegou o seu desejo. Agora a criança estava a salvo, mas sua vida corria perigo. Assim que o Coronel descobrisse, ele estava perdido.

Ele já estava achando que não tinha mais jeito quando teve uma ideia.

Havia um Pajé Curandeiro de uma tribo indígena, não muito longe da fazenda, que tinha a fama de falar com os mortos e fazer verdadeiros milagres. Ele tinha que buscar o homem e fazê-lo ressuscitar o boi, era o único jeito.

Então ele foi atrás do Pajé Curandeiro e o levou para a fazenda.

Na fazenda, o Pajé preparou todas as ervas necessárias e à meia noite começou a fazer seus rituais, passou a noite trabalhando no feitiço e no amanhecer do dia o boi estava vivo de novo, para a sorte de Francisco.

Algumas horas depois o Coronel voltou à fazenda, antes do combinado, porque tinha tido um pressentimento de que algo estava acontecendo com seu boi.

Francisco contou ao Coronel tudo o que tinha acontecido e o Coronel só não ficou possesso porque o boi estava bem.

Para comemorar a ressurreição do Boi Mimoso o Coronel deu uma festa que durou uma semana e até hoje, em vários cantos do Brasil se festeja o Bumba meu Boi.

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Veja aqui a história As lágrimas de Potira

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