outras histórias

Mitologia Grega

Na Grécia antiga, o povo procurava por um rei que pudesse governá-los. O povo foi perguntar ao oráculo como deveriam escolher o novo rei. O oráculo respondeu que o novo rei chegaria de carroça.

Enquanto o povo discutia o assunto, tentando entender como isso aconteceria, chegou na localidade uma família em uma carroça, eram Górdio, sua esposa e Midas, ainda criança.

No mesmo momento, Górdio foi escolhido como o rei do povo da Frígia. Górdio ainda viveu muitos anos e, quando faleceu, seu filho Midas se tornou rei.

Midas era muito ganancioso e só pensava em maneiras de aumentar as suas riquezas.

Certo dia, levaram até ele um homem que estava muito bêbado. Midas pediu que cuidassem dele até que sua família fosse buscá-lo. O rei não sabia que esse homem era Sileno, pai de criação do deus do vinho, Baco.

Midas cuidou do homem por dez dias e então Baco foi buscá-lo. Como agradecimento por ter cuidado de seu pai, Baco disse a Midas que poderia fazer um pedido que ele realizaria.

Midas não pensou duas vezes, pediu que tudo o que tocasse, virasse ouro.

Apesar de não achar que o pedido fosse uma boa ideia, Baco o concedeu prontamente.

No mesmo instante tudo o que Midas tocava virava ouro. A princípio ele ficou exultante com seu novo poder e pediu que preparassem um banquete para comemorar.

Porém, quando Midas começou a comer, percebeu que seu pedido havia sido uma maldição. Ao tocar um pão, ele imediatamente virou ouro, ao tocar a taça, o vinho se transformou em ouro no mesmo instante.

A filha de Midas, Phoebe, tentou ajudá-lo, mas acabou sendo transformada em ouro também.

Desesperado e percebendo que desta maneira morreria de inanição, Midas procurou Baco para pedir que seu dom desaparecesse.

Baco então ordenou que Midas se banhasse na fonte do rio Pactolo para que a água corrente o purificasse de sua ganância e levasse seu dom embora.

O poder de transformar tudo em ouro foi passado para o rio e no mesmo momento as areias ficaram douradas. Tudo o que foi transformado em ouro voltou ao normal, inclusive sua filha.

Midas se arrependeu de sua ganância e foi embora da cidade para viver no campo.

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Lenda japonesa

Era uma vez um casal de velhinhos que vivia em uma vila muito distante. Eles eram muito bondosos e amados por todos. O sonho deles sempre foi ter um filho, mas já haviam envelhecido e não realizaram este desejo.

Certo dia, o velhinho foi para as montanhas recolher gravetos e a velhinha foi ao rio lavar roupa. Enquanto lavava a roupa na margem do rio, viu que desciam pela corredeira vários pêssegos flutuando. Por causa da sua idade, ela não quis se arriscar entrando no rio para pegá-los, mas se lembrou de uma velha cantiga e falou:

– Se for um pêssego bom, venha até aqui. Se for um pêssego amargo, vá até ali.

Para sua surpresa um dos pêssegos, o maior de todos, começou a chegar cada vez mais perto da margem e veio parar na sua mão. Ela ficou muito feliz, não via a hora de voltar para casa e mostrar a surpresa para o seu velhinho.

No final da tarde, seu marido chegou do trabalho e ficou muito contente ao ver o pêssego gigante:

– Vamos abri-lo!

Conforme começaram a cortar a fruta ela rachou na metade e para surpresa dos dois, dentro do pêssego havia um bebê, um menino.

O dois ficaram mudos, olhando para aquela criança, sem saber o que fazer. Então entenderam que aquele menino era o sonho deles se tornando realidade e choraram de felicidade.

Deram a ele o nome de Momotaro que significa menino-pêssego.

O menino cresceu muito rápido, era inteligente, forte e tinha um grande coração, era a alegria do casal.

Ele ajudava os pais em tudo, nas épocas de plantio, ele fazia todo o trabalho sozinho e, como seus pais, era bom para todos do vilarejo.

O tempo passou e ele ficou adulto. Certo dia ele ouviu as histórias dos Onis, que eram os demônios. Eles estavam atacando as aldeias, roubando, matando os moradores e raptando suas crianças para fazê-las de escravos.

Ele ficou indignado com tanta maldade e resolveu tomar uma atitude. Decidiu ir até à ilha dos demônios para destruí-los e impedir que continuassem a fazer tanto mal às pessoas.

Seus pais ficaram preocupados, mas também orgulhosos com a coragem do filho. A velhinha preparou para ele diversos kibidangos, bolinhos doces de arroz, para que ele levasse na viagem.

Momotaro partiu e depois de muito caminhar, encontrou um cachorro que falou para ele:

– Momotarosan, me dê um kibidango que lutarei com você contra os Onis!

Momotaro lhe deu um bolinho e continuaram o caminho juntos.

Mais adiante encontraram um macaco que falou:

– Momotarosan, me dê um kibidango e lutarei com você contra os Onis!

Momotaro deu um bolinho e continuaram a viagem juntos.

Um pouco à frente encontraram um grande faisão que também pediu um kibidango e se ofereceu para ir junto com ele à ilha dos Onis.

Seguiram os quatro juntos em uma longa jornada de barco. O faisão voava à frente e indicava o caminho.

Quando chegaram à ilha dos Onis, tudo parecia assustador, o dia estava escuro e havia muita névoa. O castelo dos Onis tinha um grande portão negro.

O macaco escalou o portão e conseguiu destrancá-lo por dentro, eles entraram e deram de cara com os Onis. Começou então a batalha.

Momotaro lutava com sua espada, o faisão usava seu bico e suas garras, o cachorro atacava com seus dentes poderosos e o macaco combatia com suas unhas e sua habilidade de surpreender o inimigo.

Finalmente, após muita luta, eles conseguiram derrotar os inimigos.

– Nunca mais vamos invadir suas aldeias, nem prejudicar as pessoas, tem piedade, poupe nossas vidas. – falou um dos Onis.

Como Momotaro era bondoso e generoso, ele os perdoou. O chefe dos Onis libertou as crianças e lhe ofereceu diversos tesouros em troca pelo jovem ter poupado a vida deles.

Quando Momotaro voltou para casa, foi recebido com grande festa pelas pessoas e com muita felicidade pelos seus pais. As crianças foram devolvidas aos seus lares, ele repartiu os tesouros com todos e desde então viveram em paz.

***

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Autor desconhecido

Certa vez, um cachorrinho encontrou um osso e ia para a sua casa com o achado em sua boca.

Ele ia pensando no que faria, primeiro roeria, e quando não pudesse mais, enterraria em seu lugar secreto.

Ele estava feliz da vida com a descoberta.

Passando ao lado de um rio viu um cachorro que também carregava um osso, porém, teve a impressão de que o outro cachorro levava um osso maior.

O seu osso já não lhe pareceu tão bom assim, ele queria aquele, o que o outro cachorro carregava.

Mas como pegaria? Teria que brigar com ele?

Quando se aproximou do cachorro soltou o seu osso para poder disputar o outro e o outro cachorro fez o mesmo.

Só então percebeu que o outro cachorro era o seu reflexo no rio e que, ao soltar o seu osso, o deixou cair no fundo do rio.

Conselho de vó: Dê valor ao que é seu e não perderá nada.

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História de Ítalo Calvino

Era uma vez dois mercadores que moravam na mesma rua. Um tinha sete filhos e o outro tinha sete filhas. Todos os dias, o pai dos sete filhos cumprimentava o outro falando:

– Bom dia, mercador das sete vassouras.

O pai das sete filhas detestava este cumprimento e ficava com muita raiva do outro por isso.

Um dia a filha mais nova, que tinha dezessete anos, falou para o pai:

– Quando ele lhe falar assim, responda: “Bom dia, mercador das sete espadas. Vamos fazer uma aposta, peguemos minha última vassoura e a sua primeira espada e vejamos quem consegue pegar primeiro o cetro e a coroa do rei da França e trazê-los até aqui. Se minha filha vencer, você me entrega toda a sua mercadoria e, se seu filho vencer, perderei toda a minha mercadoria”. Assim que ele aceitar obrigue-o a assinar um contrato imediatamente.

O pai ficou de boca aberta ao ouvir o que a filha dizia: 

– Mas, minha filha, o que está dizendo? Quer que eu perca todas as minhas coisas?

– Papai, não tenha medo, deixe por minha conta, pense apenas em fazer a aposta que do resto cuido eu.

No dia seguinte, como de costume, quando se encontraram o mercador falou:

– Bom dia, mercador das sete vassouras!

E ele, rápido:

— Bom dia, mercador das sete espadas, façamos uma aposta: pego minha última vassoura e você, sua primeira espada, damos um cavalo e uma bolsa de dinheiro a cada um, e vejamos qual deles consegue nos trazer a coroa e o cetro do rei da França. Apostemos toda a nossa mercadoria, se minha filha vencer, pego todas as suas coisas, se seu filho vencer, você pega todas as minhas coisas.

O outro mercador o encarou por um momento, depois explodiu numa risada.

– Como é, ficou com medo? Não confia no seu filho? — provocou o pai das sete filhas.

E o outro, apanhado de surpresa, disse:

— Por mim, aceito, assinemos logo o contrato e façamos que partam imediatamente.

E foi logo contar tudo ao filho mais velho.

O rapaz adorou a novidade, achando que viajaria com a moça, que era muito bonita, porém, na hora da partida, a viu chegar vestida de homem, montada em uma potra branca e não entendeu nada.

Dada a partida a moça partiu a galope e o cavalo do rapaz estava com dificuldade de alcançá-la.

Para chegar à França era necessário passar por um bosque escuro e sem estradas nem atalhos. A potra se enfiou no bosque como se estivesse em casa. O filho do mercador, ao contrário, não sabia por onde conduzir seu grande cavalo, se enroscava nas moitas e se atrapalhava todo.

A moça superou o bosque e galopava longe.

Depois era preciso transpor uma montanha cheia de abismos e despenhadeiros. A moça atingiu o início da encosta quando ouviu o galope do grande cavalo do filho do mercador. A potra enfrentou a subida, como se estivesse em casa, saltou em meio aos pedregulhos e achou o caminho.

O jovem, ao contrário, empurrava seu cavalo à força de puxões das rédeas e acabou por deixá-lo manco.

Então, era necessário atravessar um rio e, de novo, como se estivesse em casa, a potra acertou o local de entrar na água e conseguiu passar sem grandes problemas.

Já o rapaz, quando chegou à beira do rio, entrou na parte mais funda e o cavalo começou a afundar, para não morrer afogado precisou voltar.

Em Paris, vestida de homem, a moça apresentou-se no castelo, dizendo se chamar Temperino. Ela disse que era um soldado e pediu trabalho no castelo.

Em pouco tempo ela se destacou em seu trabalho e foi designada para cuidar da guarda do rei, que assim que a viu ficou muito intrigado e falou com sua mãe:

– Mamãe, repare neste soldado Temperino, há qualquer coisa que não convence. Tem mãos delicadas, tem cintura fina, toca e canta, sabe ler e escrever. Temperino é a mulher que me faz suspirar!

— Meu filho, você está louco! — respondeu a rainha-mãe.

— Mamãe, é mulher, garanto-lhe. O que posso fazer para ter certeza?

— Há um jeito — disse a rainha-mãe. — Vá caçar com ele, se for atrás de codornas é uma mulher que só tem cabeça para os assados, se for atrás dos pintassilgos é um homem que só tem cabeça para o prazer da caça.

E, assim, o rei deu um fuzil a Temperino e o levou para caçar com ele.

O rei, para induzi-lo ao erro, pôs-se a disparar só contra as codornas.

— Majestade — disse Temperino — permita-me uma ousadia, já tem o suficiente para um assado. Dispare também contra os pintassilgos, pois é mais difícil.

Quando o rei retornou à casa, disse à mãe:

— Sim, ele só disparava contra os pintassilgos e não contra as codornas, mas não estou convencido. Tem mãos delicadas, tem cintura fina, toca e canta, sabe ler e escrever, Temperino é a mulher que me faz sonhar!

— Meu filho, tente de novo — disse a rainha. — Leve-o à horta para colher verduras. Se a colher bem em cima é mulher, pois nós, mulheres, temos mais paciência, se a arrancar com todas as raízes, é um homem.

O rei se dirigiu à horta e Temperino se pôs-se a arrancar pés inteiros de verdura, bem depressa, conseguiu encher um cesto de verdura, arrancando-a com raízes e terra grudada.

O rei estava desesperado, mas não se rendia.

— Tem mãos delicadas, cintura fina… — repetia para a mãe —, canta e toca, sabe ler e escrever, Temperino é a mulher que me faz suspirar.

— A essa altura, meu filho, só lhe resta levá-lo para tomarem banho juntos.

Assim, o rei disse a Temperino:

— Venha, vamos tomar banho no rio.

Tendo chegado ao rio, Temperino disse:

—Majestade, dispa-se primeiro.

E o rei se despiu e entrou na água.

— Venha também você! — disse a Temperino.

— Minha potra! — gritou Temperino. — Espere, Majestade, pois tenho que ir atrás de minha égua que está fugindo.

Ela recolheu as roupas do rei, para que ele ficasse preso ao rio e correu ao palácio real.

— Majestade — disse à rainha —, o rei se despiu no rio e alguns guardas, não o reconhecendo, querem prendê-lo. Mandou que viesse lhe pedir seu cetro e sua coroa para se fazer reconhecer.

A rainha pegou o cetro e a coroa, e os entregou a Temperino. Assim que os recebeu, Temperino montou na potra e partiu a galope cantando:

– Donzela cheguei, donzela regressei! O cetro e a coroa conquistei!

Passou pelo rio, passou pelo monte, passou pelo bosque e retornou à casa, seu pai venceu a aposta, ficou ainda mais rico e nunca mais o seu vizinho o importunou.

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História Japonesa

Era uma vez no Japão antigo, um velhinho que vivia com sua esposa. Eles eram pobres e ele trabalhava como lenhador. Todos os dias ele ia às montanhas para pegar lenha.

Certa vez, na hora do almoço, ele se sentou na floresta para almoçar e ficou feliz porque sua esposa havia preparado três omusubi (bolinho de arroz) para ele comer. Quando foi dar o primeiro bocado, o bolinho caiu e começou a rolar pelo terreno. Ele correu atrás para recuperá-lo, mas o omusubi foi rolando e caiu dentro de um buraco muito fundo.

Ele ficou triste porque gostava muito do omusubi que sua esposa preparava e estava com fome.

De repente, ele ouviu uma linda música saindo do buraco e seu coração se alegrou ao ouvi-la.

Quando a música parou, ele falou:

– Por favor, cantem novamente!

Mas nada aconteceu, então ele resolveu jogar outro omusubi lá para baixo e novamente ouviu aquela linda canção.

De novo, quando a música parou, ele jogou seu terceiro omusubi no buraco e pela terceira vez ouviu a canção.

Quando silenciou, ele resolveu entrar no buraco para ver o que encontraria.

Ao chegar lá embaixo, ficou deslumbrado, o interior do buraco era um magnífico castelo repleto de centenas de ratinhos brancos por todos os lados.

À sua frente apareceu um rato mais velho que os demais e lhe disse:

– Seja bem-vindo à nossa casa, este é o país dos ratos brancos, sinta-se à vontade!

 Alguns ratinhos trouxeram para ele vários alimentos deliciosos, cantaram e dançaram para ele.

Quando começou a anoitecer ele agradeceu aos ratinhos por tudo e estava se despedindo quando o ratinho mais velho trouxe dois saquinhos, um grande e um pequeno e falou para o homem:

– Aceite um desses dois saquinhos como presente em retribuição pelos omusubi que nos enviou pelo buraco.

Humildemente, o velhinho escolheu o menor, agradeceu a hospitalidade e foi embora.

Chegando em casa, contou tudo o que aconteceu à sua esposa e juntos, abriram o saquinho que ele trouxera de presente.

Viram que o saquinho estava cheio de arroz e ela resolveu fazer mais omusubi. No entanto a velha senhora percebeu que quando tirava arroz do saquinho, ele imediatamente se enchia novamente, como mágica.

Desse dia em diante, nunca mais faltou arroz na casa deles e podiam até dividir com quem precisasse.  E quando ia trabalhar, o velhinho sempre levava omusubi para jogar no buraco e ouvir os ratinhos cantarem.

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