fábulas

Fábula de Monteiro Lobato

Havia uma Garça que nasceu, viveu e envelheceu em uma lagoa que sempre lhe proveu todo o seu sustento.

Estando velha, fraca e com a visão turva, começou a pensar nas dificuldades que já tinha para pegar os peixes, não enxergava direito e precisaria encontrar um lugar com águas limpas e cheio de peixes se quisesse viver mais.

Ficou pensando em como poderia encontrar uma maneira de conseguir alimento fácil quando teve uma ideia. Chamou o caranguejo e falou:

– Caranguejo, preciso te contar uma coisa que vai acontecer e afetará a todos nós. Estão prestes a esvaziar esta lagoa, estamos perdidos, morreremos todos à seca.

O Caranguejo logo contou a todos os peixes o que a Garça havia dito e eles foram até ela para saber mais:

– Isto mesmo, vão esvaziar a lagoa, morreremos todos, mas eu tenho a solução. Vou dar um conselho: aqui perto tem um poço de águas muito limpas, vamos nos mudar para lá antes que esvaziem a lagoa.

– Mas como faremos isso? – falou um peixe.

– Muito simples, – falou a Garça – coloco todos vocês no meu bico e faço o transporte.

Conselho de Vó: Nunca aceite conselho de um inimigo.

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Fábula de Monteiro Lobato

Certa vez, perdido depois de uma tempestade, um Morcego caiu em um ninho de coruja, e teria ali ficado se não fosse a dona do ninho regressar e começar a enxotá-lo:

– Como se atreve a entrar na minha casa, não sabe que odeio os ratos!!!

– Então acha que sou um rato? Pois não tenho asa e voo como você? – respondeu o Morcego.

A Coruja não soube como discutir com o argumento e por isso lhe poupou a pele.

Procurando outro abrigo o pobre Morcego acabou parando na toca de um gato-do-mato, que ao ver o intruso começou a expulsá-lo dali:

– Como tem o topete de invadir a minha casa? Não saber que detesto aves?

– E quem disso que sou ave? Sou bicho de pelo como você!

– Mas sei que voa, não voa?

– Não, somente caio com elegância – respondeu o Morcego.

– Mas tem asa, não tem?

– Asa? Que tolice, teria asas se tivesse penas.

O gato-do-mato ficou sem argumento e o deixou ir embora sem prejudicá-lo.

Conselho de vó: em momentos adversos, quem se adapta, sobrevive.

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Fábula de Monteiro Lobato

O Gato e a Raposa eram conhecidos há muito tempo e certa vez começaram a discutir suas proezas para caçar e para não serem caçados.

– Você, Gato não é lá muito bem-dotado em truques para escapar das presas dos cachorros, só sabe um, subir em árvores – falou a Raposa.

– É o que me basta Raposa, sempre me dei bem e continuo bem vivinho. Não troco essa minha habilidade pela sua coleção inteira de artimanhas.

A Raposa riu e para desfazer do Gato e começou a enumerar todos os seus truques como fingir de morta, esconder nas folhas secas, correr em zigue-zague… Ao final da explanação havia enumerado 99 maneiras de fugir dos cachorros.

Quando tentava se lembrar da centésima os dois ouviram um rumor de cachorros se aproximando.

O Gato subiu bem no alto de uma árvore e falou para a Raposa:

– Aplique agora seus 99 recursos que eu vou fazer o único que sei.

A Raposa correu como um foguete utilizando de todas as suas artimanhas, porém, depois de um tempo não aguentou mais e foi pega pelos cães.

Conselho de vó: melhor saber muito bem uma coisa só do que fazer mais ou menos 99.

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Fábula de Ítalo Calvino

Certo dia, um camponês ia para a cidade de Biella. O tempo estava tão feio que era difícil andar pela estrada.

Porém, o camponês tinha um compromisso importante e continuava a caminhar de cabeça baixa, enfrentando a chuva e a tempestade.

No caminho, encontrou um velho que lhe disse:

— Bom dia! Aonde vai, bom homem, com tanta pressa?

— Para Biella — disse o camponês sem dar muita atenção ao velho.

— Poderia dizer ao menos: “Se Deus quiser”.

O camponês parou, encarou o velho e falou:

— Se Deus quiser, vou para Biella, e se Deus não quiser, vou do mesmo jeito.

O que ele não sabia era que aquele homem era um anjo e que não gostou nada da sua atitude. Então lhe falou:

— Você irá para Biella, mas só daqui a sete anos. Até lá, dê um mergulho naquele pântano e fique por lá.

Nesse momento o camponês se transformou em rã, deu um salto e sumiu no pântano.

Passaram-se sete anos.

O camponês saiu do pântano, virou homem, enfiou o chapéu na cabeça e retomou a estrada para Biella.

Após alguns passos o velho apareceu novamente.

— Aonde é que vai, bom homem?

— Para Biella.

— Poderia dizer: “Se Seus quiser”.

— Se Deus quiser, melhor, caso contrário, já conheço as regras, e posso ir sozinho para o pântano.

E não houve jeito de arrancar nem mais uma palavra dele.

Conselho de vó: Para quem é teimoso, nem sete anos de castigo o fazem mudar de atitude.

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Fábula de Monteiro Lobato

Certa vez, de madrugada, um Lobo muito magro e faminto, já pele e ossos, se colocou a filosofar sobre as tristezas da vida.

Estava pensando, quando apareceu à sua frente o Cão, gordo, forte, de pelo lustroso.

Se não estivesse tão fraco e com tanta fome compraria uma briga com ele, mas pensou consigo mesmo que, na sua situação, sairia perdendo.

Então, se aproximou com cautela e falou ao cão:

– Nunca vi cão mais gordo, nem mais forte, se vê de longe que estás bem cuidado!

– Realmente, levo vida de Rei, sou muito bem tratado pelo meu senhor, se quiser te ensino a ter uma vida como a minha. – respondeu o Cão.

– Como? – perguntou o Lobo

– Basta que abandone a vida errante e seus hábitos selvagens e se torne civilizado como eu.

– Me explique bem explicado, como isso pode me ajudar? – falou o Lobo

– É simples, te apresento ao meu senhor, se ele sentir que pode confiar em você, ele te dará comida boa e farta e nunca mais passarás necessidades.

– Aceito, é essa a vida que quero!

– Em troca disso você deverá cuidar das coisas do senhor, vigiar a casa, proteger os animais.

– Fechado, aceito tudo isso.

Os dois foram então caminhando para a casa do senhor do Cão. De repente o Lobo reparou que o cão levava uma coleira em seu pescoço.

– Por que tem isso preso ao seu pescoço? – perguntou o Lobo.

– É minha coleira, serve para me prenderem durante o dia. – respondeu o Cão.

– Como assim? Não és livre para ir onde quer, quando quer?

– Nem sempre, geralmente o senhor me solta durante a noite, mas passo o dia preso, às vezes fico alguns dias preso, conforme a vontade do meu senhor.

– Quer saber?! Prefiro viver uma vida incerta, mas ser livre para fazer o que quero. Fique com sua vida farta como escravo e eu vivo as minhas incertezas sendo livre.

Conselho de vó: Nem sempre uma vida farta e segura é capaz de nos trazer felicidade. A liberdade é o nosso bem mais precioso.

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