História assustadora do russo Alexander Afanasyev

Em um certo reino vivia um mercador. Ele foi casado por doze anos e tinha uma filha, chamada Vasilissa. Quando a menina completou oito anos, sua mãe ficou muito doente e, sentindo que não sobreviveria, chamou sua filha, deu a ela uma bonequinha de madeira e disse:

– Minha pequena Vasilissa, minha querida filha, escute o que eu digo. Eu estou morrendo e com a minha bênção, deixo a você esta bonequinha. Ela é muito preciosa, pois não há outra igual no mundo todo. Carregue-a sempre com você, em seu bolso, e nunca a mostre para ninguém. Quando o mal a ameaçar ou a tristeza cair sobre você, vá até um cantinho, pegue a boneca de seu bolso e dê a ela alguma coisa para comer e beber. Ela vai comer e beber um pouquinho, e então você poderá contar-lhe sua aflição e pedir-lhe conselhos. Ela lhe dirá como agir em horas de necessidade.

Assim dizendo, ela beijou a filhinha na testa, abençoou-a e pouco depois morreu.

A pequena Vasilissa sofreu muito com a perda da mãe. Quando chegou a noite ela deitou-se em sua cama, retirou a bonequinha de seu bolso e deu a ela um pedaço de pão e um pouco de água. A bonequinha imediatamente tomou vida, comeu e bebeu e então falou com a menina:

– Não chore, pequena Vasilissa. A dor é pior à noite. Deite-se, feche seus olhos, console-se e vá dormir. A manhã é mais sábia do que a noite.

Então Vasilissa deitou-se e dormiu. No dia seguinte, sua tristeza era menos profunda e, suas lágrimas, menos amargas.

Depois da morte de sua esposa, o mercador manteve o luto pelo tempo apropriado e começou a procurar uma mulher para se casar. Como era homem de muitas posses encontrou logo uma pretendente que era viúva e tinha duas filhas. Casou-se com ela.

Em pouco tempo Vasilissa percebeu que sua madrasta estava longe de ser uma boa pessoa. Ela era uma mulher fria e cruel e tratava a menina muito mal. Ela obrigava Vasilissa a fazer todas as tarefas domésticas e ainda a ameaçava caso ela contasse a seu pai.

Vendo que a menina se esforçava para cumprir o que tinha mandado, a malvada madrasta começou a dar tarefas cada vez mais impossíveis à menina e, para dar conta, a garota tinha que ficar acordada a noite toda trabalhando.

Um dia, muito cansada de tanto trabalhar ela se lembrou da bonequinha, deu a ela um pouco de pão e leite e pediu seus conselhos.

– Vá dormir, minha querida, descanse que eu faço todo o trabalho! – disse a bonequinha.

Então, todas as noites a menina pedia ajuda à bonequinha. A madrasta ficava inconformada, por que, por mais tarefas que desse a menina, ela sempre cumpria todas e ainda não parecia sequer cansada.

Um dia, o pai de Vasilissa avisou que faria uma viagem de negócios e ficaria muito tempo ausente. Ele se despediu da menina, a abençoou e partiu. A madrasta viu então a oportunidade de se livrar da menina.

Começou a mandá-la todos os dias à floresta para buscar lenha, cogumelos, flores e outras coisas, mas sua verdadeira intenção era que a menina se perdesse e fosse parar na casa da Baba Yaga, uma bruxa muito poderosa que lá vivia e que se alimentava de crianças como se fossem galinhas.

Porém, Vasilissa era aconselhada pela bonequinha e, além de nunca se perder, passava longe da casa da bruxa.

Mais uma vez, inconformada em ver a menina voltar todos os dias sã e salva, a madrasta resolveu pôr em prática um novo plano para acabar com a menina.

Numa noite de outono, a madrasta chamou as três garotas e deu uma tarefa a cada uma. A uma de suas filhas incumbiu tecer um pedaço de renda, à outra, mandou tricotar uma touca e à Vasilissa, deu uma bacia de linho para ser fiado.

A mulher ordenou que cada uma terminasse sua parte, e então apagou todas as fogueiras da casa, deixando apenas uma única vela acesa no quarto onde as três trabalhavam e foi dormir.

Enquanto trabalhavam, a irmã mais velha, aconselhada pela mãe, apagou, como por acidente, a vela.

Ela chamou a sua mãe que disse:

– O que faremos agora? As fogueiras estão todas apagadas, não há qualquer luz em toda a casa, como viveremos sem fogo! Não poderemos cozinhar ou aquecer a casa, sem fogo morreremos. Vasilissa, você deverá ir à casa da Baba Yaga para buscar fogo.

A menina ficou apavorada, mas se lembrou da bonequinha, colocou um pedaço de pão no bolso e foi para a floresta.

– Não volte sem o fogo! – gritou a madrasta, enquanto Vasilissa entrava na floresta.

Assim que entrou, a menina pegou a bonequinha, deu a ela um pedaço de pão e então contou o seu problema.

– Diga-me, o que devo fazer, bonequinha?

– Não tema, pequena Vasilissa. Faça o que mandaram. Enquanto eu estiver com você, nenhum mal a velha bruxa lhe causará.

Então, Vasilissa colocou a bonequinha de volta no bolso, fez o sinal da cruz e começou a entrar na floresta escura e selvagem.

Ela caminhou por muito tempo quando, de repente, ouviu o som dos cascos de um cavalo e um homem passou a galope por ela. O cavalo era branco e o homem estava vestido todo de branco também. Quando ele passou por ela, a floresta começou a clarear. Pouco tempo depois passou outro cavalo com seu cavaleiro, esse cavalo era ruivo e o cavaleiro estava vestido todo de vermelho e, assim que passou por ela, o sol nasceu no horizonte.

Durante aquele dia inteiro, Vasilissa caminhou, pois havia se perdido. Ela não conseguia achar qualquer caminho na floresta escura e não tinha mais nenhuma comida para pôr diante da bonequinha e fazê-la criar vida.

No final da tarde ela viu de longe a casa da Baba Yaga em uma clareira. A parede ao redor da cabana era feita de ossos humanos e no seu teto havia caveiras. Havia um portão no muro, cujas dobradiças eram ossos de pés humanos e, as fechaduras, ossos de mandíbulas humanas, com dentes afiados.

Essa visão horrorizou Vasilissa e ela parou, imóvel como uma coluna enterrada no chão.

Enquanto ela permanecia ali, parada, um terceiro homem a cavalo veio galopando. Ele estava todo vestido de preto e o cavalo que ele montava era da cor do carvão. Imediatamente a noite chegou e a floresta escureceu.

Mas não estava escuro na clareira, pois instantaneamente todos os olhos das caveiras no muro se acenderam e brilharam até o local se tornar claro como o dia.

Quando viu isso, Vasilissa começou a tremer toda.

Então, de repente, a floresta se encheu de um barulho terrível, as árvores começaram a gemer, os galhos a chiar, as folhas secas a se agitar e a Baba Yaga veio voando em sua vassoura.

Quando parou na frente de sua casa, ela sentiu o cheiro da menina.

– Quem está aí? – gritou a bruxa.

– Sou eu, me chamo Vasilissa, vim pedir seu fogo emprestado pois todo o nosso fogo se apagou.

– Vamos fazer um acordo, eu te dou o fogo, mas para isso, você deverá fazer alguns trabalhos para pagar por ele. Se não cumprir o que eu mandar você será a comida da minha ceia.

Quando elas entraram na cabana, a velha bruxa ordenou que Vasilissa pegasse a comida do forno e servisse a ela. Vasilissa fez o que ela ordenou e, quando e velha estava saciada, disse:

– Vou dormir, amanhã, quando eu tiver saído, quero que varra o chão, limpe a casa e cozinhe meu jantar.

Assim que Baba Yaga começou a roncar Vasilissa pegou um pouco da comida e deu a sua boneca.

– Diga-me, o que devo fazer?

– Não tenha medo, Vasilissa. Reconforte-se. Ore e vá dormir, a manhã é mais sábia que a noite. Amanhã te ajudarei nas tarefas.

Pagamento único

Quando acordou, muito cedo na manhã seguinte, ainda estava escuro. A menina levantou-se e olhou pela janela, viu o cavaleiro de branco passar e o dia começou a ficar claro. A bruxa estava no quintal, subiu em sua vassoura e voou para longe. Pouco depois o cavaleiro vermelho passou e o sol nasceu.

Vasilissa chamou sua bonequinha que fez todas as tarefas, deixando somente o jantar para a menina preparar.

Quando estava perto de anoitecer, ela pôs a mesa para a ceia da velha bruxa e sentou-se, olhando pela janela, esperando-a chegar. Depois de um tempo, ouviu o som dos cascos e viu o cavaleiro preto passar e, junto com ele, a noite chegou. Pouco depois chegou Baba Yaga.

– Bem, você fez perfeitamente todas as tarefas que ordenei, ou devo comê-la no meu jantar?

– Faça o favor e veja por si mesma – respondeu Vasilissa.

A Baba Yaga foi a todo lugar, examinando tudo cuidadosamente. Mas por mais que ela tentasse, não conseguia achar um defeito do qual reclamar.

Depois de se deliciar com o jantar a bruxa falou:

– Amanhã, faça tudo como fez hoje!

Por muitos dias Vasilissa ficou morando com a bruxa, fazendo tudo o que ela mandava com a ajuda de sua bonequinha.

Um dia, depois de voltar para casa, a bruxa perguntou à menina:

– Como foi capaz, em tão pouco tempo, de executar perfeitamente todas as tarefas que lhe dei? Diga-me!

Vasilissa ficou com medo de contar sobre a bonequinha, então respondeu:

– É a benção de minha falecida mãe que me ajuda.

Então a Baba Yaga levantou-se, tomada pela fúria.

– Ponha-se para fora da minha casa já! Não quero ninguém que carrega uma bênção cruzando meus domínios! Suma daqui!

Vasilissa correu para o quintal e antes de cruzar o portão a velha gritou:

– Tome! É o fogo que você queria!

A velha jogou para a menina uma das caveiras, onde o fogo queimava dentro, Vasilissa colocou a caveira na ponta de uma vara e foi embora na escuridão da floresta.

Quando o dia começou a amanhecer, ela chegou em sua casa.

A madrasta não acreditou no que via, mas ao mesmo tempo ficou feliz em vê-la. Desde a sua saída nunca mais conseguiram fazer fogo na casa, e quando conseguiam ele se apagava rapidamente, elas já estavam passando fome.

Portanto agora, pela primeira vez em sua vida, Vasilissa sentiu-se bem-vinda. Elas lhe abriram a porta e a madrasta pegou a caveira para acender o fogo, mas assim que a segurou, os olhos da caveira começaram a brilhar e lampejar como carvões vermelhos e, para onde quer que as três se virassem ou corressem, os olhos as perseguiam, crescendo. Assim, a esposa do mercador e suas duas filhas perversas pegaram fogo e se reduziram a pó.

Só Vasilissa foi poupada.

No dia seguinte, depois de acender o fogo, Vasilissa enterrou a caveira longe de sua casa.

Poucos dias depois seu pai voltou e Vasilissa lhe contou tudo o que havia acontecido. Ele ficou muito feliz que a filha estivesse sã e salva e se arrependeu por ter colocado uma mulher tão malvada em suas vidas.

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História de Hans Christian Andersen

Era uma vez um príncipe que saiu pelo mundo para encontrar a princesa perfeita para se casar. Porém, depois de conhecer muitas princesas não havia encontrado nenhuma que lhe agradasse o suficiente. A cada uma que ele conhecia, pensava: “Esta não é uma princesa verdadeira”.

O príncipe retornou à sua casa cansado e abatido por não ter tido sucesso em sua empreitada.

Um tempo depois, numa noite de tempestade, bateu à porta do castelo uma moça muito linda pedindo abrigo. Ela estava toda encharcada, escorria água dos seus cabelos, suas roupas grudavam no corpo e os sapatos também ensopados.

Ela falou que era uma princesa e precisava de um lugar para passar a noite.

Todos acharam aquilo muito estranho, mas deram abrigo para a moça. Porém, a rainha teve uma ideia para descobrir se ela era mesmo uma princesa.

A rainha chamou as camareiras e pediu para prepararem um quarto para a jovem, mas recomendou:

– Deixem uma ervilha sobre a madeira, por cima coloquem sete colchões e por cima coloquem forros e lençóis bem macios.

Na manhã seguinte, enquanto tomavam o café da manhã, a rainha perguntou à moça:

– Dormiu bem, querida?

– Oh! Não, dormi muito mal a noite toda, algo deixou meu corpo muito dolorido. Tive a impressão de estar deitada sobre um objeto esférico, pequenino. Foi horrível!!!

Dessa forma, a família real pode verificar que a moça era mesmo uma princesa. Por ser tão sensível, só poderia ser uma princesa verdadeira.

Então o príncipe casou-se com ela, e não precisou procurar mais.

E foram felizes para sempre.

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Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez um casal que por muitos anos tentava ter um filho, mas o sonho não se realizava. Eles pediam a Deus para que este sonho fosse realizado.

Afinal, um belo dia, a mulher percebeu que Deus havia ouvido suas preces e eles teriam uma criança.

O casal vivia ao lado da casa de uma feiticeira e sua casa era cercada por muros de pedra, bem alto para que ninguém se aproximasse. Um dia a mulher, que já estava de gravidez avançada, espiou por entre as frestas do muro e viu uma horta magnífica, com os mais diversos legumes, mas o que mais lhe chamou a atenção foram os rabanetes, ela chegou a salivar de vontade.

Como tinham medo da feiticeira ela tentou esquecer a vontade e seguir sua vida, porém, com o tempo a vontade só aumentava. Ela começou a ficar triste e com aparência doentia.

Seu marido, um dia, percebeu que algo não estava bem com sua esposa e perguntou a ela o que tinha acontecido. A esposa contou sobre o que tinha visto e sobre a grande vontade de comer os rabanetes.

Então o marido ficou com medo que sua esposa morresse e falou para ela:

– Não se preocupe, esta noite você terá seus rabanetes.

Quando já estava muito tarde da noite ele colocou uma escada no muro e pulou para o quintal da feiticeira, roubou alguns rabanetes e voltou para casa.

Lá chegando a mulher preparou uma salada e se deliciou com os rabanetes. Porém o seu desejo não cessou e no dia seguinte ela queria comer mais. Então, seu marido pulou novamente o muro para buscar mais rabanetes para a esposa, mas desta vez ele foi surpreendido pela feiticeira que falou:

– Como se atreve a entrar no meu quintal, seu ladrão!!! Vai ver o que te espera!!!

– Oh! Tenha piedade – implorou o homem – Só fiz isso porque minha mulher está gravida e está com muito desejo de comer estes rabanetes, se não os pegasse ela certamente morreria.

A feiticeira se acalmou e disse:

– Se é assim pode levar quantos rabanetes quiser, mas com uma condição. Assim que a criança nascer você me dará seu filho para eu criar.

O homem ficou transtornado e vendo sua aparência a feiticeira falou:

– Não se preocupe, esta criança vai ter de tudo do bom e do melhor, eu prometo.

O homem não poderia fazer este trato, mas também tinha que levar os rabanetes para a mulher, então resolveu aceitar a proposta da feiticeira, pensando que depois faria outro acordo para não entregar o filho.

Pouco tempo depois nasceu uma linda menina. A feiticeira foi à casa deles para pegar a criança como parte do combinado. Ao chegar à casa o homem falou:

– Não poderei entregar a minha filha, leve o que quiser.

– Não quero nada além desta criança, você aceitou a troca – falou a feiticeira.

A mulher sem nada entender começou a chorar e tentou proteger a filha, mas com um feitiço certeiro ela pegou a criança e foi embora.

A feiticeira deu à menina do nome de Rapunzel e para fugir dos pais da criança ela foi embora daquele local para criar a menina.

A garota cresceu e virou uma moça muito linda de cabelos muito longos e finos como fios de ouro. Então a feiticeira, querendo escondê-la de todos, a levou para uma torre no meio da floresta e lá a deixava trancada, só indo visitá-la durante o dia.

A torre não tinha escadas, nem portas, apenas uma janelinha no lugar mais alto. Quando a velha desejava entrar, gritava lá de baixo:

– Rapunzel! Rapunzel! Joga as suas tranças!

Quando ouvia o chamado, Rapunzel jogava as suas tranças, vinte metros abaixo e por elas a feiticeira subia.

Algum tempo depois, o filho do rei estava cavalgando pela floresta e ao passar perto da torre ele ouviu um canto e parou encantado pela linda voz.

Rapunzel costumava cantar para si mesma para espantar a solidão em que vivia.

O príncipe quis subir na torre, mas não encontrou nenhum modo de fazer isso, já que não havia escadas ou portas.

Depois desse dia, ele passou a ir todos os dias na floresta para ouvir Rapunzel cantar.

Um dia, viu a feiticeira chegar e gritar:

– Rapunzel! Rapunzel! Joga as suas tranças!

Ele viu que o único modo de chegar ao alto da torre era pelas tranças de Rapunzel.

No dia seguinte ele chegou mais tarde e ficou esperando até a feiticeira descer pelas tranças e ir embora e então gritou, fazendo voz de mulher:

– Rapunzel! Rapunzel! Joga as suas tranças!

A moça achou estranho, mas jogou as suas tranças e levou um grande susto ao ver que um homem estava entrando em sua torre, ela nunca tinha visto um homem antes.

Mas o príncipe a tratou com muita doçura e contou que todos os dias vinha até à torre para ouvi-la cantar, que queria muito conhecê-la e falou que estava apaixonado.

Rapunzel também se encantou pelo rapaz e desde então, todos os dias, assim que a feiticeira ia embora ele subia na torre para se encontrar com ela e passar a noite.

Com o tempo Rapunzel também se apaixonou por ele e num belo dia ele a pediu em casamento. Ela aceitou e eles começaram a planejar a sua fuga.

Rapunzel falou:

– Eu quero ir embora com você, mas não sei como poderei descer, da próxima vez que vier traga um tecido muito longo de seda para que eu possa descer por ele e possamos fugir.

No dia seguinte ele ficou esperando a feiticeira ir embora e como sempre chamou Rapunzel para que pudesse subir. Eles amarraram o tecido para Rapunzel descer e ela arrumou suas coisas para fugir.

Porém, neste dia a feiticeira esqueceu a sua cesta na torre e voltou para buscar. Ao chegar viu o tecido amarrado na torre. Imediatamente ela subiu pelo tecido e surpreendeu o príncipe e Rapunzel lá em cima.

Ela ficou possessa de raiva e começou a gritar com os dois. Ela jogou um feitiço no príncipe que caiu da torre em uma moita de roseira. Ainda não satisfeita com a traição da moça, ela cortou os seus cabelos e a levou para longe dali, para o deserto, esperando que lá ela morresse de fome.

O pobre príncipe ficou gravemente ferido na queda e teve seus olhos furados pelos espinhos. Ele acabou sendo socorrido pelos homens do seu reino e deste dia em diante realizou diversas viagens para encontrar Rapunzel ou qualquer pista de onde ela estaria.

No deserto Rapunzel teve a sorte de ser acolhida por uma família que cuidou dela. Um tempo depois ela descobriu que estava grávida e lá nasceram seus dois filhos gêmeos, um menino e uma menina.

Passaram-se anos e um dia o príncipe encontrou uma pista do seu paradeiro e a encontrou no deserto. Ele se alegrou muito ao saber que tinha dois lindos filhos.

Rapunzel não se continha de emoção ao encontrar o seu amado, pois ela achava que ele tinha morrido com queda da torre. Então, chorando, ao abraçá-lo suas lágrimas caíram em seus olhos e ele voltou a enxergar.

Eles voltaram para o castelo e, deste dia em diante foram muito felizes.

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Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez um homem muito rico, mas sua esposa estava muito doente. Ela, quando sentiu que o fim estava próximo, chamou sua única filha chamada Cinderela e lhe disse com muito amor:

– Amada filha, continue sempre boa, o amor de Deus há de lhe acompanhar sempre. Lá do céu velarei por você.

Dito isso, ela fechou os olhos e morreu.

A menina ia todos os dias ao túmulo da mãe para chorar e regar a terra com suas lágrimas. Quando o inverno chegou, a neve fria e gelada da Europa cobriu o túmulo com um manto branco de neve.

Cinderela continuou sendo boa e piedosa.

Quando o sol da primavera chegou, seu pai se casou novamente com uma mulher ambiciosa e cruel que já tinha duas filhas parecidas com ela em tudo.

Mal cruzou com suas filhas a pobre órfã percebeu que nada de bom podia esperar delas.

Pouco tempo depois seu pai também faleceu.

Mal tinha enterrado o seu pai, as duas filhas falaram:

– O que está moleca faz aqui? Vá para a cozinha, lá é teu lugar!!!

A madrasta ainda acrescentou:

– Têm razão, filhas. Ela será nossa empregada e terá que ganhar o pão com o seu trabalho diário.

Tiraram dela os seus lindos vestidos, deram-lhe um vestido muito velho e tamancos de madeira para calçar.

– Agora, já para a cozinha!!! – disseram elas, rindo.

A partir desse dia, a menina passou a trabalhar arduamente, desde que o sol nascia até altas horas da noite. Ela tinha que buscar água no poço, acender a lareira, cozinhar, lavar roupa, costurar, esfregar o chão…

À noite, extenuada do trabalho, ela não tinha uma cama para descansar. Ela se deitava perto da lareira, junto às cinzas (borralho) e ficava toda suja, por isso lhe deram o apelido de Gata Borralheira.

Os dias se passavam e sua sorte não melhorava, pelo contrário, a madrasta exigia cada vez mais.

A Gata Borralheira continuava visitando o túmulo da mãe todos os dias e chorava a sua ausência.

Um dia sobre a lápide da mãe pousou uma pombinha branca que lhe disse:

– Fique tranquila, sua vida vai mudar, seus sonhos irão se realizar.

Um dia, o rei anunciou a todo o reino que ia dar uma festa durante três dias e estavam convidadas todas as jovens que queriam se casar, a fim de que o príncipe herdeiro pudesse escolher a sua futura esposa.

Imediatamente, as duas filhas da madrasta chamaram a Gata Borralheira e disseram:

– Você vai nos pentear e nos vestir para o baile onde o príncipe vai escolher a sua futura esposa.

A Gata Borralheira obedeceu humildemente, mas quando as viu luxuosamente vestidas desatou a chorar e suplicou à madrasta que pudesse ir ao baile também.

– Ao baile, você??? Já se olhou no espelho??? – disse a madrasta.

Porém, devido à insistência da menina a madrasta falou:

– Está bem! Se separares as lentilhas em duas horas, poderá ir conosco.

A menina saiu para o jardim para chorar porque sabia que seria impossível cumprir tal tarefa. E então se lembrou da pombinha branca e falou:

– Dócil pombinha, rolinhas e todos os passarinhos do céu, venham me ajudar a separar as lentilhas, as boas no prato e as ruins no papo.

Em seguida a pombinha branca e uma grande variedade de passarinhos apareceram e a ajudaram no trabalho, rapidamente separaram tudo.

Entusiasmada, a menina foi mostrar à madrasta que havia cumprido as suas ordens.

– Muito bem – disse a madrasta – Mas que vestido irá usar? Você sabe dançar? Será melhor que fique em casa.

Desconsolada, Gata Borralheira começou a chorar, ajoelhou-se aos pés da madrasta e voltou a suplicar que a deixasse ir ao baile.

– Está bem – disse a madrasta com cinismo – te dou outra oportunidade.

Ela então espalhou todas as lentilhas sobre as cinzas da lareira.

– Se conseguir separar em uma hora poderá ir ao baile – disse a madrasta.

A doce menina saiu correndo para o jardim e gritou:

– Dócil pombinha, rolinhas e todos os passarinhos do céu, venham me ajudar.

Apareceram de novo a pombinha e diversos passarinhos e rapidamente toda a lentilha estava separada das cinzas.

A menina correu para mostrar à madrasta que tinha conseguido, mas de nada adiantou.

– Me deixe em paz menina! Vai ficar em casa e pronto! – disse a madrasta

Então ela chamou as filhas e foram para o baile.

A Gata Borralheira foi ao túmulo da mãe e pediu a sua ajuda.

A pombinha branca apareceu e estendendo as asas transformou as roupas surradas de Cinderela em um lindíssimo vestido de baile, os seus tamancos de madeira em um luxuoso sapato bordado de ouro e prata.

Quando ela entrou no salão de baile, todos ficaram surpreendidos com a sua beleza. As que mais se surpreenderam foram as filhas da madrasta, pois estavam convencidas que seriam as mais belas do baile. Porém, ninguém a reconheceu, pois ela estava muito bem arrumada.

O príncipe, ao vê-la, ficou fascinado, a tomou pela mão e dançou com ela a noite toda. Na hora de ir embora o príncipe se ofereceu para acompanhá-la, pois queria saber onde ela morava. Mas Cinderela deu uma desculpa para se retirar e saiu correndo. Perto dali a pombinha estava esperando e transformou suas roupas e seus sapatos novamente. A Gata Borralheira voltou para casa e dormiu ao lado da lareira como sempre fazia.

No dia seguinte, quando se aproximou a hora do início do segundo dia do baile ela esperou que todos saíssem e correu para o túmulo da mãe para encontrar a pombinha branca.

A pombinha apareceu e transformou suas roupas e sapatos, como na noite anterior e ela foi para o baile.

O príncipe, que a esperava ansiosamente, sentiu-se ainda mais deslumbrado pela sua beleza e novamente eles dançaram a noite toda.

Na hora de ir embora ele insistiu para acompanhá-la, mas ela falou que preferia voltar sozinha. O príncipe a seguiu, mas ao perceber que ele a estava seguindo, ela se escondeu atrás de uma frondosa oliveira. O príncipe continuou a procurá-la, mas não encontrando retornou decepcionado ao palácio.

Quando a madrasta e suas filhas voltaram ela já estava dormindo aos pés da lareira como sempre fazia.

No terceiro e último dia da festa, quando a carruagem com a madrasta e as filhas saiu, a menina foi novamente ao túmulo da mãe e chamou pela pombinha que, de novo, transformou suas roupas em um lindo vestido de seda e seu tamanco em um lindo sapato bordado de ouro e prata e depois colocou sobre seus ombros uma linda capa dourada.

Assim que entrou no salão de baile todos a admiraram, o príncipe apressou-se a lhe beijar a mão e, como nas noites anteriores, eles dançaram a noite toda.

Pouco antes da meia-noite, a jovem despediu-se do príncipe e foi embora apressada, pois sabia que ele a seguiria. O príncipe percebendo a sua ausência foi procurá-la, mas somente encontrou um dos seus sapatos dourados na escadaria, onde ela o havia perdido por estar fugindo dele.

O príncipe pegou o sapato e o segurou contra o coração.

Na manhã seguinte ele enviou seus mensageiros por todo o reino para informar que se casaria com a mulher que conseguisse calçar o precioso sapato.

Depois de todas as princesas, duquesas e condessas terem inutilmente experimentado o sapato, ele ordenou aos seus emissários que o sapato fosse provado por todas as jovens, não importasse sua condição social ou financeira.

Quando chegaram à casa onde vivia a Gata Borralheira, a irmã mais velha insistiu que devia ser a primeira a experimentar. Acompanhada da mãe que já a imaginava rainha, subiu ao quarto, convencida que serviria.

Mas os seus pés eram muito grandes. A mãe, furiosa a obrigou calçar à força, dizendo:

– Embora te aperte agora, não te preocupes, pensa que logo será a rainha.

A jovem disfarçou a dor que sentia e subiu na carruagem, apresentando-se ao filho do rei.

Embora ele tivesse notado de imediato que aquela não era a moça que ele conheceu no baile, eles foram dar um passeio.

Ao passarem pelo jardim a pomba branca estava em uma árvore e falou para ele:

– Olhe o pé da donzela e verás que o sapato não é dela.

O príncipe tirou-lhe o sapato e viu que o pé da moça estava roxo e inchado e percebeu que tinha sido enganado. Voltou para a casa e concordou que a irmã experimentasse o sapato.

A irmã mais nova subiu ao quarto, acompanhada da mãe e tentou calçar o sapato, mas seu pé também era muito grande. A mãe a obrigou a calçar dizendo:

– Embora te aperte agora, não se preocupe, pensa que logo será rainha.

A filha obedeceu e dissimulando a dor se apresentou ao príncipe. Apesar de perceber que aquela também não era a sua amada ele a convidou para andar de charrete.

Ao passarem pelo jardim a pomba branca estava em uma árvore e falou para ele:

– Olhe o pé da donzela e verás que o sapato não é dela.

O príncipe tirou o sapato e viu que novamente tinha sido enganado e voltaram para a casa.

– Trago aqui mais uma impostora – disse o príncipe – dê graças a Deus por eu não mandar castigá-las. Há mais alguma moça nesta casa para calçar o sapato?

– Não há, não tenho mais filhas – disse a madrasta.

Neste momento a Gata Borralheira se apresentou e disse que queria calçar o sapato. A madrasta e sua filha ficaram indignadas com a sua ousadia, mas o príncipe imediatamente a chamou para provar o sapato.

Ele sentiu naquela hora que ela era a moça que ele havia conhecido no baile apesar de suas roupas e do borralho em seu rosto. Quando calçou o sapato, ele serviu perfeitamente.

– A minha amada desconhecida – exclamou ele – quer se casar comigo?

– Sim! – falou Cinderela

 O príncipe, radiante de felicidade, colocou-a em sua charrete e saíram. Ao se aproximar da pombinha, ela disse:

– Continua príncipe, a dona do sapato foi encontrada!

A pomba pousou no ombro de Cinderela e ela se transformou naquela que ele tinha conhecido no baile.

Ao chegarem ao castelo o casamento foi imediatamente realizado.

Logo todos souberam o modo como ela era tratada pela madrasta e suas filhas e elas foram de tal maneira desprezadas que precisaram abandonar o país.

Cinderela continuou fiel à promessa que fez à sua mãe e continuou sendo bondosa e piedosa e como sempre fazia, continuou a visitar todos os dias o túmulo de sua amada mãe, mas agora com muita alegria.

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Conto dos Irmãos Grimm

Era um a vez um Rei que tinha muitas filhas. Todas elas eram muito belas, porém a mais nova era a mais bela de todas, ela era tão linda que o Sol, que já viu muito, ficava atônito sempre que iluminava o seu rosto.

Perto do castelo do Rei havia um lindo bosque, no qual havia uma lagoa sob uma velha árvore.

A princesa Bela gostava muito de ir ao bosque e se sentar junto a fonte.

Ela tinha ganhado de seu pai uma linda bola de ouro, que era seu presente favorito. Quando queria se divertir, ia à fonte e ficava brincando com sua bola. Ela jogava a bola para o alto e pegava.

Um dia, enquanto brincava, jogou a bola tão alto que não conseguiu pegar, a bola caiu no chão e rolou para dentro do lago.

A princesa ficou muito chateada e começou a chorar, ela não conseguiria pegar a bola porque o lago era fundo.

De repente ela ouviu uma voz falando:

– Por que está chorando princesa?

Ela olhou para os lados e não viu ninguém. Então a voz falou novamente:

– O que aconteceu princesa?

Ela começou a ficar preocupada, achando que estava louca quando olhou para o lago e viu um sapo, com a cabeça de fora, falando:

– Posso te ajudar?

Então ela contou a ele o que tinha acontecido com sua bola e o sapo falou:

– Não se preocupe, pode parar de chorar, eu posso pegar a bola para você, mas quero algo em troca.

– O que quiser Sapo. Você quer minhas pérolas, minhas joias, minha coroa? – perguntou a princesa.

– Não me interessam as tuas pérolas, tuas joias, sequer tua coroa. Quero em troca que seja minha amiga, que você brinque comigo, que me leve a sentar à mesa para comer contigo, que eu possa dormir as noites em tua cama. Se me prometer isso trarei a tua bola de ouro – falou o sapo.

– Sim, te prometo, prometo o que quiser, porém devolve a minha bola.

O sapo, ao ouvir a promessa, nadou até o fundo do lago, pegou a bola e a trouxe à princesa que ficou muito feliz em recuperar o seu brinquedo.

Porém, assim que pegou a bola, a princesa voltou para o castelo correndo, quebrando a sua promessa e deixando o sapo sozinho.

No dia seguinte, o sapo, já inconformado com a ingratidão da princesa, foi ao castelo cobrar o trato feito com ela.

A princesa estava com sua família, fazendo o desjejum, quando ouviu uma batida na porta, e uma voz gritando:

– Princesa, abra porta, nós fizemos um acordo!!!

A princesa ficou assustada, não queria que sua família soubesse que havia feito um acordo com um sapo que nem era um animal digno da realeza.

O Rei percebeu sua inquietação e perguntou:

– O que está acontecendo, princesa? Quem está te chamando?

A princesa, meio sem jeito, contou ao seu pai o acontecido:

– Ah! querido pai, estava jogando no bosque, junto à lagoa, quando minha bola de ouro caiu na água. Como chorei muito, o sapo a devolveu e prometi a ele que seria meu companheiro, porém nunca pensei que seria capaz de sair da água e vir até aqui.

Então o rei disse:

– O que prometeu, deves cumprir. Deixe-o entrar.

Ela abriu a porta, o sapo entrou saltando, a seguiu até sua cadeira e falou:

– Me coloque à mesa contigo para que possamos comer juntos.

A princesa fez o que ele pediu, e até se divertiu em comer com ele, mas assim que o Rei saiu da mesa, as suas irmãs começaram a rir dela por estar comendo com um sapo.

Aquilo deixou a princesa envergonhada e ela sentiu vontade de colocar o sapo para fora do castelo, só não fez isso porque seu pai ficaria bravo por ela não cumprir sua promessa.

Então o sapo falou;

– Estou muito satisfeito com a refeição, porém, agora estou cansado, me leve para seu quarto princesa, para que possamos descansar.

As irmãs da princesa riram mais alto, deixando a princesa muito brava.

Ela pegou o sapo e foi para o quarto com ele. Mas o deixou sozinho e foi falar com seu pai.

– Papai, não quero mais ser amiga do sapo, ele não está à minha altura.

– Não devias desprezar aquele que te ajudou quando tinhas problemas.

O tempo foi passando, o sapo a seguia por todos os lugares e aos poucos eles até foram ficando amigos, ela gostava de brincar com ele, mas detestava ver suas irmãs rindo dela.

Um tempo depois ela já não ligava mais para as gozações de suas irmãs e como ela era indiferente elas pararam de rir.

Um dia, quando iam dormir, ela olhou para o sapo e se sentiu muito feliz pela sua presença, passou a mão na sua cabeça e beijou a sua testa.

Neste momento o sapo se transformou em um lindo rapaz.

A princesa não estava entendendo nada, ficou confusa com tudo aquilo, então ele explicou:

– Eu sou um príncipe, fui amaldiçoado por uma bruxa que me transformou em um sapo, eu só poderia voltar à minha forma humana depois de ser beijado por uma princesa e você quebrou a maldição, me salvando.

A princesa ficou muito feliz com tudo aquilo. O príncipe a pediu em casamento e ela aceitou com muita alegria.

Eles foram viver no palácio dos pais do príncipe e foram felizes para sempre.

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Veja aqui a história O Príncipe Querido