Fábula de Monteiro Lobato

O Gato e a Raposa eram conhecidos há muito tempo e certa vez começaram a discutir suas proezas para caçar e para não serem caçados.

– Você, Gato não é lá muito bem-dotado em truques para escapar das presas dos cachorros, só sabe um, subir em árvores – falou a Raposa.

– É o que me basta Raposa, sempre me dei bem e continuo bem vivinho. Não troco essa minha habilidade pela sua coleção inteira de artimanhas.

A Raposa riu e para desfazer do Gato e começou a enumerar todos os seus truques como fingir de morta, esconder nas folhas secas, correr em zigue-zague… Ao final da explanação havia enumerado 99 maneiras de fugir dos cachorros.

Quando tentava se lembrar da centésima os dois ouviram um rumor de cachorros se aproximando.

O Gato subiu bem no alto de uma árvore e falou para a Raposa:

– Aplique agora seus 99 recursos que eu vou fazer o único que sei.

A Raposa correu como um foguete utilizando de todas as suas artimanhas, porém, depois de um tempo não aguentou mais e foi pega pelos cães.

Conselho de vó: melhor saber muito bem uma coisa só do que fazer mais ou menos 99.

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História de Monteiro Lobato

Depois de uma vida de misérias e privações, Unha-de-Fome conseguiu juntar um tesouro que enterrou longe de casa, colocando uma grande pedra em cima.

Mas tal era o seu amor pelo dinheiro, que volta e meia rondava a pedra. Isso atraiu a atenção de um vizinho que o espionou e, por fim lhe roubou o tesouro.

Quando Unha-de-Fome deu pelo saque, rolou por terra desesperado, arrepelando os cabelos.

— Meu tesouro! Minha alma! Roubaram minha alma!

Um viajante que passava foi atraído pelos berros.

— Que é isso, homem? O que houve?

— Meu tesouro! Roubaram o meu tesouro!

— Mas, então, morando lá longe você o guardava aqui? Que tolice! Se o conservasse em casa não seria mais cômodo para gastar dele quando fosse preciso?

— Gastar do meu tesouro?! Então você supõe que eu teria a coragem de gastar uma moedinha só, das menores que fosse?

— Pois se era assim, o tesouro não tinha a menor utilidade para você, e tanto faz que esteja com quem o roubou como enterrado aqui. Vamos! Ponha no buraco vazio uma pedra que dá no mesmo. Que utilidade tem o dinheiro para quem só o guarda sem a intenção de usufruir do bem-estar que ele proporciona?

Conselho de vó: O dinheiro, por si só, não vale nada, o seu valor vem do que podemos trocar por ele, pelo benefício que traz para nossa vida.

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Fábula de Monteiro Lobato

Era uma vez um Peru e um Galo que estavam empoleirados na mesma árvore. A Raposa os viu de longe e já começou a lamber os beiços pensando no petisco.

Ao avistá-la o Peru levou um grande susto e por pouco não caiu da árvore. Já o Galo começou a rir. Já que sabia que raposas não sobem em árvores, fechou os olhos e dormiu tranquilo.

O Peru, que era muito medroso, tremia como vara verde e não tirava o olho do inimigo.

A Raposa pensou consigo: “O galo não apanho, mas o Peru já está no papo! ”

Então ela começou a fazer caras medonhas, dar pinotes, roncar, trincar os dentes, dando a impressão de estar louca.

O Peru foi ficando cada vez mais apavorado, encarando a Raposa e seus movimentos. Por fim, de tanto medo e de tanto tremer, ficou tonto e caiu do galho, bem nos dentes da Raposa faminta.

Conselho de vó: O medo em excesso nos deixa cegos ao real perigo que corremos e assim mais vulneráveis aos que nos querem o mal.

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Fábula de Monteiro Lobato

Era uma vez, um velhinho, muito velho, que vivia de tirar lenha na mata.

Os feixes, porém, cada vez lhe pareciam mais pesados.

Tropeçava com eles, quase caía, e um dia, caiu de verdade, perdeu a paciência e lamentou-se amargamente:

— Antes morrer! De que me vale a vida, se nem com este miserável feixe posso? Vem, ó Morte, vem aliviar-me do peso desta vida inútil.

Tentou erguer a lenha. Não pôde e, desanimando, invocou pela segunda vez a Morte:

 — Por que demoras tanto, Morte? Vem, já pedi, vem aliviar-me do fardo da vida. Andas pelo mundo a colher criancinhas e esqueces de mim que te chamo…

Então, a Morte apareceu, horrenda, escaveirada, com os ossos a chocalharem e a foice na mão.

Ao vê-la de perto, o homem estremeceu de pavor, e mais ainda quando a Morte lhe disse, batendo os ossos do queixo:

— Me chamou, aqui estou! O que queres?

O velho tremia, suava e para sair-se do apuro falou:

— Chamei-te, sim, mas para me ajudares a botar esta lenha de novo às costas…

Conselho de vó: Cuidado com o que pede, cuidado com suas palavras, às vezes, bem rápido, elas se tornam realidade, então, melhor só falar e invocar coisas boas.

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Veja aqui a história A Pequena Sereia

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Fábula de Monteiro Lobato

Era uma vez um veado que estava sendo perseguido por caçadores e para se esconder entrou em uma grande moita, no meio dela ficou quietinho esperando os caçadores irem embora.

O abrigo que encontrou era tão seguro que os caçadores não viram o veado e ele escapou ileso, mas ingrato, assim que ouviu que os caçadores estavam longe, esqueceu o benefício e pastou a benfeitora. Comeu toda a folhagem que bem o escondera.

Dias depois, voltaram os caçadores. O veado correu à procura da moita, esquecendo-se que a tinha devorado.

Sem ter abrigo, foi encontrado e morto.

Conselho de vó: nunca faça mal a ninguém, principalmente para quem te ajudou um dia.

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