História de Figueiredo Pimentel

Carlito era um jovem dócil e de ótima índole, por isso todos os estimavam. Até mesmo os bichos gostavam dele por causa do seu bom coração.

Um dia, estava na porta de sua casa quando viu um velho alquebrado andando com dificuldade. Imediatamente, foi até o homem e ofereceu ajuda, levou-o para dentro de casa, cuidou dele e lhe deu de comer até que se sentisse melhor para poder ir embora.

Porém, antes de partir, o velho ofereceu ao jovem um anel de presente e lhe disse:

– Já que você é tão bom, te dou este anel de presente, é mágico. Com ele conseguirá tudo o que desejar, basta somente colocá-lo no dedo e fazer o pedido.

Carlito agradeceu o presente, mas a princípio não acreditou que fosse verdade, resolveu então fazer um teste. Ele sempre gostou dos animais, tinha o desejo de saber falar com eles e entender o que diziam. Fez o desejo e no mesmo instante começou a compreender todos os bichos e eles também o entendiam.

Decidiu então correr o mundo, já que agora não precisaria temer qualquer perigo.

Durante muitos anos viajou por terra e por mar e acabou chegando nas Arábias. Lá ficou sabendo que havia naquele reino uma moça tão bela quanto o sol, chamada Ercília, filha de um importante chefe de uma tribo muito numerosa.

Ficou curioso e quis vê-la. Um dia conseguiu avistá-la quando ela chegava em sua casa e ficou completamente apaixonado.

Foi, então, falar com o pai da moça para pedi-la em casamento.

O velho árabe, que naquela ocasião estava em guerra com o país vizinho, disse que o aceitaria por genro se ele se mostrasse valoroso em combate.

Dessa forma, Carlito foi para a guerra.

Quando os inimigos se aproximaram, ele colocou o anel no dedo e sozinho derrotou o exército inimigo. Todos ficaram espantados e o julgaram um feiticeiro. Por segurança ele não contou a ninguém que a razão dos seus poderes era o anel.

O chefe do exército inimigo tinha um feiticeiro como conselheiro, após fazer suas feitiçarias descobriu o segredo de Carlito. Vendo que o rapaz era bondoso, vestiu-se de mendigo e lhe pediu ajuda. Carlito o levou para sua tenda e o alimentou, porém não percebeu que foi roubado pelo feiticeiro disfarçado de mendigo.

No dia seguinte haveria mais uma batalha e, ao se preparar, percebeu que haviam lhe roubado o anel. Ficou desesperado.

Nessa batalha, o seu exército foi derrotado e o chefe da tribo foi cobrar de Carlito o porquê de ele não ter feito como no dia anterior.

Carlito não falou nada e o seu silêncio deixou o chefe da tribo muito bravo. Ele mandou que prendessem Carlito para o matarem no dia seguinte.

Na prisão, Carlito percebeu que era o seu fim e começou a chorar. De repente, viu que havia alguns ratinhos o observando.

Por sorte o rapaz ainda podia falar com os animais e pediu a ajuda deles que, imediatamente, concordaram em ajudar.

Naquela noite os ratinhos invadiram o acampamento inimigo e descobriram que o anel estava guardado em uma caixa de madeira. Passaram a noite roendo a caixa e levaram o anel para Carlito.

Com o anel em mãos, ele saiu da prisão e pôs fim à guerra. Todos ficaram muito felizes, pois não aguentavam mais tantas batalhas e tantos mortos.

O chefe da tribo consentiu que Carlito cortejasse sua filha e ela também se apaixonou por ele. Eles se casaram e foram muito felizes.

***

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Fábula de Figueiredo Pimentel

A Onça e a Raposa foram, por muito tempo, amigas inseparáveis. Um dia, porém, tiveram uma briga muito feia e nunca mais se falaram, a Onça ficou tão brava e jurou pegar a Raposa.

Desde este dia a Raposa fugia da Onça e não havia meio de ser encontrada.

A Onça já tinha tentado de tudo e resolveu se fingir de morta para ver se a Raposa vinha no seu enterro.

A Onça então, deitou-se esticada de barriga para cima. A notícia correu logo na floresta e todos os animais iam ver a defunta Onça.

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A Raposa, ao saber do acontecido foi ver também. Ela chegou perto e falou:

– Então, a onça está morta de verdade?

– Está –  respondeu o macaco.

– Ela já arrotou? – perguntou a raposa.

– Ainda não, disse o lagarto. Por quê? Quando a gente morre costuma arrotar?

– Pois você não sabia? O meu defunto avô, quando faleceu, arrotou três vezes – respondeu a raposa.

A onça ouvindo aquilo, arrotou.

– Os mortos não arrotam! –  exclamou a raposa – correndo.

Desesperada por ver que o seu plano falhara, a onça levantou-se e correu para pegar a Raposa, mas ela já estava longe.

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História de Figueiredo Pimentel

Reinaldo era um rapaz de grandes qualidades e estimado por todos onde vivia. Era filho de um rico fidalgo e tinha dois irmãos mais velhos que já haviam se casado com moças da alta sociedade.

A família tinha o costume de se reunir todo primeiro domingo do mês para jantar, e essa tradição nunca era quebrada.

O rapaz gostava demasiadamente de música e sempre acompanhava os concertos, óperas e saraus que aconteciam na cidade, ele era capaz de passar o dia todo ouvindo música sem sequer sentir fome.

Um dia, Reinaldo estava passeando à margem de uma extensa lagoa quando ouviu uma maravilhosa voz feminina cantando uma ópera que ele desconhecia e ficou extasiado com a beleza da voz.

Ele começou a procurar de onde vinha a voz para poder apreciar mais devidamente, mas não encontrava a sua origem.

Estava tão encantado que falou consigo mesmo:

– Palavra de honra que me casaria com a dona desta voz, ainda que fosse uma sapa nesta lagoa!

Acabando de dizer estas palavras Reinaldo viu saltar da lagoa uma enorme e horrenda sapa que falou com ele:

– Pois é exatamente uma sapa que está cantando, e o senhor, que é um rapaz sério e de palavra deverá cumprir o que disse.

– Fui imprudente ao falar tal coisa, mas sou homem de palavra e cumprirei o que disse – falou Reinaldo. Peço somente que possa avisar o meu pai antes de cumprir o que foi dito.

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A grande sapa concordou e Reinaldo foi falar com seu pai que concordou que seu filho deveria realmente cumprir sua palavra.

No dia seguinte o rapaz foi a lagoa e assim que chegou encontrou a Sapa que lhe disse:

– Entre na água sem medo e mergulhe, não se preocupe que não irá se afogar.

Reinaldo fez o que ela disse que estando de baixo d’água viu um enorme palácio e lá estava tudo preparado para o casamento.

A cerimônia foi exatamente igual a uma cerimônia humana, porém todos os presentes eram sapos e rãs que coaxavam o tempo todo.

Após o casamento, o rapaz viveu agradavelmente no castelo e era muito bem tratado por todos, a sua esposa sapa sempre cantava para agradá-lo e ele se encantava muito com sua voz e suas músicas.

Passados quinze dias Reinaldo se entristeceu porque era o primeiro domingo do mês e ele deveria ir à casa de seu pai para o jantar de família. Ele sabia que ouviria muitos deboches dos irmãos e familiares por ter uma esposa nada comum.

No dia do encontro da família Reinaldo pegou sua esposa Sapa no colo, saiu da lagoa e partiu para a casa de seu pai, porém, ao sair do lago algo extraordinário aconteceu, a sua esposa Sapa se transformou em uma bela jovem.

Ela contou a ele que todos de sua família foram encantados por uma bruxa, o encanto só seria desfeito se ela se casasse com um humano e então saíssem da lagoa juntos.

No lugar onde era a lagoa apareceu um palácio sem igual. O encanto foi desfeito e eles foram felizes para sempre.

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História de Figueiredo Pimentel

Bernardo era um lavrador, pai de família que tinha três filhos. Um dia ele adoeceu gravemente e foi à vila para ser atendido por um médico.

Após a consulta o médico deu-lhe a receita do que poderia salvá-lo, porém, na única botica da vila não tinha o remédio e este somente poderia ser encontrado na cidade grande.

Para chegar a essa cidade só havia um caminho: atravessar a floresta, uma floresta que era extensa e cheia de animais ferozes e salteadores.

Heitor, o filho mais velho de Bernardo se ofereceu para buscar o remédio e no dia seguinte, bem cedo partiu em busca do medicamento que salvaria o seu pai. Ele levou consigo o seu cachorro fiel e dedicado, chamado Leão.

O moço caminhou o dia inteiro e quando começou a anoitecer, viu uma choupana no meio da floresta e resolveu pedir ajuda.

Bateu na porta e foi atendido por uma senhora muito idosa. Ele pediu pouso e ela os mandou entrar, a ele e o cachorro, mas primeiro falou:

– Amarre o seu cachorro, moço, que parece um animal muito bravo, e eu tenho medo de cães.

– Não tenha medo, senhora, porque Leão me obedece cegamente, ele só ataca a quem me quiser fazer mal.

– Acredito em você, porém já fui mordida por um cachorro e tenho muito medo, amarre o cachorro e ele poderá ficar aqui com você.

– Mas é que eu não tenho com que amarrá-lo – falou Heitor.

– Isso não é problema, basta amarrá-lo com um fio do meu cabelo.

A velhinha arrancou um fio branco, e deu-o ao moço, que riu daquela corda de nova espécie.

Quando viu o cão amarrado, a dona da choupana mais que depressa atirou-se sobre Heitor. Ninguém diria, ao ver aquela criatura tão idosa, que ela tinha tanta força como qualquer ferreiro.

O rapaz tentou lutar, mas foi em vão, então ele pediu ajuda a seu cachorro Leão.

– Avança! Ataca Leão!

Neste momento o cabelo que estava em volta do pescoço do cachorro começou a engrossar a ponto de não deixar que Leão o ajudasse.

A velha senhora, que agora Heitor já sabia que era uma bruxa, o prendeu em uma sala para devorá-lo depois.

Passados três dias, vendo que Heitor não regressava, Lauro, o irmão do meio, decidiu fazer o mesmo caminho do irmão para salvar o seu querido pai.

Lauro saiu de casa levando seu companheiro Capitão, um cachorro muito leal e dedicado.

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Seguindo o mesmo trajeto de Heitor, foi parar na mesma choupana, onde a velhinha o recebeu assim como havia recebido o primeiro. Da mesma maneira a velha recomendou que ele amarrasse o cachorro com seu fio de cabelo e ele, da mesma maneira, acabou junto com o irmão mais velho preso na cabana da bruxa.

Raul, o filho mais novo, de apenas onze anos, era ousado e muito inteligente e, ao perceber que seus irmãos não voltavam se ofereceu para buscar o remédio do pai.

No dia seguinte ele partiu levando consigo seu fiel cachorro Plutão.

Depois de muito caminhar foi parar na cabana da bruxa, onde pediu abrigo para passar a noite.

Da mesma maneira a velha pediu que ele amarrasse o cachorro com o seu cabelo, porém o menino achou aquilo muito estranho. Ele então fingiu que amarrava o cachorro.

Assim que a bruxa pensou que ele havia amarrado o cachorro atacou o menino, que então gritou:

– Avança! Ataca Plutão!!!

O fiel cachorro de um salto atirou-se ao pescoço da velhinha e a estrangulou.

Raul percorreu a cabana, e encontrou seus irmãos, bem como muitos outros viajantes, que haviam caído sob as garras da miserável feiticeira.

Soltou todos eles, e ateou fogo à choupana.

Os presos, agradecidos, deram-lhe dinheiro, e os três irmãos tiveram tempo de ir à cidade e comprar o remédio que salvou o velho Bernardo.

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História de Figueiredo Pimentel

O reino da Pérsia foi governado, há muitos séculos, pelo rei Nebul. Ele era um rei muito bondoso e reinava com sabedoria.

Um dia, sem nenhuma explicação, ficou cego. Os melhores médicos do reino e dos reinos vizinhos o examinaram, mas sem encontrar a cura.

O Rei já estava desanimado, quando apareceu no seu reino uma velhinha dizendo que sabia o remédio para o seu problema.

O rei mandou trazer a velhinha e ela lhe disse:

– Majestade, só há um remédio capaz de fazê-lo recuperar a visão.  Existe, num reino muitíssimo distante daqui, uma fonte chamada de Rainha das Águas. Se alguém conseguir um pouco dessa água, e colocá-la sobre os olhos, imediatamente verá tão bem como um pássaro. Porém, é muito difícil chegar a esse reino. Quem for buscar a água deve se entender com uma velhinha que mora perto da fonte. Ela é quem há de informar se o dragão que vigia a entrada da fonte está dormindo ou acordado, porque a fonte está situada atrás de montanhas muito altas, e, se alguém for visto pelo terrível bicho, morrerá no mesmo instante.

O Rei Nebul retirou-se para os seus aposentos. No dia seguinte mandou preparar uma grande esquadra composta de duzentos navios, e enviou seu filho mais velho, o príncipe Agár, para buscar a água, dizendo que lhe dava o prazo de um ano para estar de volta, e, se naquele prazo não voltasse, iria considerá-lo morto pelo dragão.

O moço partiu e depois de viajar muito, desembarcou em um país estranho e muito rico. Saltou em terra e começou a se divertir, a ponto de gastar todo o dinheiro que levava, contrair dívidas e, por isso, ficar preso.

Passado um ano, Nebul, não o vendo voltar, ficou triste, julgando-o morto. Mandou preparar nova esquadra de quinhentos navios, porque supunha que seu filho morrera na guerra que travara no Reino das Águas.

Enviou seu segundo filho, o príncipe André e fez a mesma recomendação:

– Se no prazo de um ano, meu filho, você não tiver voltado, terei que chorar a sua morte.

Partiu André e, depois de muito viajar, aportou ao mesmo país que seu irmão Agár.

Lá, fascinado pelas festas, gastou tudo quanto levara, contraiu grandes dívidas e, como seu irmão, ficou preso.

Passado um ano, vendo o rei que o seu outro filho não voltava, ficou desanimado e sem esperanças de recuperar a vista, pois supunha que André houvesse tido o mesmo fim que o primeiro.

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Então, o mais moço, o jovem Oscar, que ainda era adolescente, tinha só 17 anos, foi se oferecer para ir buscar o remédio.

– Quero ir agora, meu pai e, se eu for, garanto que lhe trarei a água.

O rei começou a rir.

– Como quer ir, meu filho? Não vê a sorte de teus irmãos mais velhos?

O menino tanto insistiu, tanto pediu, tanto rogou, que afinal, o rei para o contentar, lhe concedeu a licença de partir.

Mandou preparar uma esquadra de cem navios, menor que a dos outros dois príncipes, e disse a Oscar que partisse quando quisesse.

O menino, antes de partir, foi assistir à missa no palácio, e pediu com todo o fervor a Nossa Senhora que o protegesse na empresa a que ia se arriscar.

Partiu no dia seguinte, e depois de muito navegar, foi aportar no mesmo país onde estavam seus irmãos presos por causa das dívidas.

Pagou as dívidas e os libertou.

Os dois irmãos aconselharam-lhe que não continuasse a viagem, pois aquele país era muito divertido e ele deveria ficar por ali.

O menino não quis ouvir e embarcou novamente, partindo para o Reino das Águas.

Chegando lá, desembarcou sozinho, e foi procurar a velhinha, que morava perto da fonte milagrosa:

– Ó, meu netinho, que veio cá fazer? Olhe que você corre grande perigo. O dragão que guarda a fonte que fica atrás daquelas montanhas, é uma princesa encantada, que tudo devora. Procure uma ocasião em que esteja dormindo, para entrar, e repare bem que, quando estiver com os olhos abertos, é porque está dormindo, mas se estiver com os olhos fechados, está acordada.

O menino tomou as suas precauções e ao chegar à fonte encontrou a fera com os olhos abertos.

Aproximou-se da fonte, e encheu a garrafa que levava.

Já ia se retirando, quando o dragão acordou, e avançou sobre ele.

– Que atrevimento é esse, menino mortal! O que faz com que tenhas a audácia de vir ao meu reino?

O moço só teve tempo de desembainhar a espada.

Em um dos botes a fera foi ferida e, com o sangue que gotejava, se desencantou numa formosa princesa.

– Devo casar-me com o homem que me desencantou.

Os dois voltaram juntos para o reino da Pérsia, lá curaram o Rei, se casaram e foram felizes para sempre.

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