Autor desconhecido

Era uma vez um rei e uma rainha que queriam muito ter filhos, mas o tempo passava e a Rainha não conseguia engravidar. Um dia quando o casal se preparava para dormir viram, correndo pelo aposento, uma linda ratinha branca de olhos vermelhos. O Rei pegou a ratinha com todo o cuidado e, desde aquele dia, o casal cuidava dela.

Eles adoravam aquela ratinha e a ratinha adorava o Rei e a Rainha. Eles faziam muitas coisas juntos, passeavam nos jardins, andavam a cavalo e, nos banquetes, ela ficava aconchegada na coroa do Rei para poder ver a todos.

Um dia, um grande Mago que passava pelo castelo com sua caravana pediu abrigo ao Rei e como retribuição ofereceu ao Rei que um pedido seu fosse realizado.

O Rei e a Rainha se entreolharam e perguntaram ao Mago:

– Você tem o poder de transformar uma ratinha em um ser humano?

– Sim, posso transformar a sua aparência, mas por dentro ela será a mesma – falou o Mago.

– Não tem problema, faça a sua mágica e transforme esta ratinha em uma princesa.

Então, o Mago fez o que o Rei havia pedido e imediatamente a ratinha se transformou em uma linda princesa de cabelos loiros e olhos castanhos.

O Rei e a Rainha ficaram muito felizes, pois agora eram pais de uma linda princesa que os amava muito.

O tempo passou e a princesa ratinha aprendeu tudo o que precisava para ser uma princesa.

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Um dia o Rei falou à princesa ratinha:

– Minha filha, você já é uma moça, está na hora de você se casar!

– Sim, papai, se é este o seu desejo eu me caso, com quem quer que eu case?

– Você deverá escolher, minha filha.

– Neste caso, escolha o pretendente e eu digo se me agrada ou não – respondeu a princesa ratinha.

Depois de muito pensar o Rei falou para sua filha:

– Querida, depois de muito pensar cheguei à conclusão que o único marido a sua altura é o sol, que é o mais poderoso que existe.

A princesa começou a chorar:

– O sol? Ele não poderá ser bom o suficiente para mim, qualquer nevoeiro o faz perder a força.

– Neste caso, minha filha, você se casará com o nevoeiro.

A princesa chorou mais alto:

– O nevoeiro? Basta uma rajada de vento para o dispersar, ele não poderá ser bom o suficiente para mim!

– Então, querida, você deverá se casar com o vento! – falou o Rei.

A pobrezinha até soluçou:

– O vento? Basta um morro para desviar seu caminho. Não, quero um marido melhor.

– Se é assim, você se casará com o morro!

– O morro? Como o morro poderá me fazer feliz? Basta um rato, com suas garras e seus dentes pontudos para escavar um túnel nele.

– Neste caso, você se casará com um rato!

Desta vez a princesa ratinha sorriu, este era o marido perfeito.

Então, o Rei e a Rainha mandaram chamar o Mago novamente e ele transformou a princesa novamente em rata.

Um tempo depois a linda ratinha branca se casou com um belo rato marrom e eles foram felizes para sempre.

***

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Autor desconhecido

Era uma vez um homem muito preguiçoso. Desde pequeno ele não queria fazer nada, tinha preguiça pra tudo, até o prato de comida era sua mãe que preparava. Não aprendeu nada na escola porque não queria estudar, não aprendeu o ofício dos pais que eram lavradores, porque dizia que o trabalho era muito pesado.

Não teve ânimo nem para namorar e, então ficou um solteirão. Mas os pais cuidavam dele e lhe providenciavam tudo o que ele precisava.

Chegou um dia então, em que o pai faleceu, pouco tempo depois sua mãe também se foi. Ele ficou sozinho e continuava preguiçoso como sempre. A vizinhança se condoeu e lhe levava comida nos primeiros tempos.

Mas eles também se cansaram, um homem forte que não queria fazer nada era um abuso, e ele começou a passar fome.

Cansado da vida, ele resolveu que queria morrer também e pediu que os vizinhos lhe enterrassem. Acharam um absurdo, mas resolveram concordar para ver até onde ia a sua decisão.

Prepararam tudo, fizeram velório com velas e rezas. Chegando a hora do enterro o colocaram numa rede e rumaram para o cemitério, certos de que ele ia desistir no meio do caminho. Passando pelos portões de uma fazenda, o fazendeiro vendo o cortejo, tirou o chapéu, fez o sinal da cruz e perguntou:

– Quem é o morto? Que Deus o tenha!

Um dos acompanhantes respondeu:

– Deus não o tem ainda, senhor, esse morto tá vivinho.

O fazendeiro admirado perguntou ao morto, que estava vivo, por que ele estava se fazendo enterrar. O rapaz respondeu:

– Tá tudo muito difícil, não tenho nada na minha casa, estou passando fome, e se vou morrer mesmo, é melhor acabar com isso de uma vez.

O fazendeiro se condoeu e lhe falou:

– Não seja por isso, tive uma colheita muito boa de arroz e mando te entregar 10 sacos na sua casa. Você vai ter comida por muito tempo.

O rapaz pensou, pensou e perguntou:

– Que mal lhe pergunte, o arroz está com casca ou sem casca?

O bom homem lhe respondeu:

– Tá com casca, terminamos a colheita ontem!

E o preguiçoso decidiu:

– Toca o enterro!

***

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Autor desconhecido

Era uma vez, uma senhora que morava no meio da floresta e criava abelhas. Quando era o tempo, ela recolhia todo o mel, colocava em uma jarra de vidro bem grande e o levava à cidade para vender na feira.

Um dia, ela ia caminhando pela floresta, equilibrando na cabeça o pote cheio de mel quando, de repente, bateu com o pé na raiz de uma árvore, tropeçou, caiu e o pote se espatifou todo, derramando o mel por todo lado. A mulher começou a chorar:

– Ai! Que desgraça, Papai Deus! Por que você me manda tanta desgraça?

Ela foi caminhando de volta para sua casa falando sem parar:

– Que desgraça, que desgraça, Papai Deus, quanta desgraça você me manda!

Ali perto, em cima de uma árvore estava um macaquinho que viu toda a cena. Ele nunca tinha visto aquela coisa amarela, agora espalhada por todo o chão. Desceu da árvore, chegou perto, cheirou um pouquinho, tocou naquilo e experimentou.

Ele achou maravilhoso, nunca tinha comido nada igual. Então se lambuzou todinho com o mel, lambeu até os galhinhos de árvore onde aquela doçura tinha caído.

– Mmmm, que desgraça gostosa! Mmmm, desgraça é doce como açúcar!

Depois de encher o bucho ele só pensava em uma coisa:

 – Quero mais desgraça!!!

Ele pensou e lembrou que a mulher havia falado que quem mandou a desgraça foi o Papai Deus, então ele decidiu falar com o Papai Deus para pedir mais desgraça.

Ele encontrou a árvore mais alta da floresta e subiu, subiu, subiu até no alto e chegou no céu. Lá encontrou o Papai Deus descansando e foi falar com ele:

– Papai Deus, vim aqui te pedir uma coisa!

– O que quer macaquinho?

– Quero desgraça, muita desgraça!

Papai Deus se levantou e falou:

 – Bem, por acaso eu tenho um pouco de desgraça especialmente feita para macacos. Tem certeza de que é isso que você quer?

– Quero muito! – respondeu o macaquinho.

Papai Deus pegou um saco e entregou ao macaquinho, mas antes alertou:

– Primeiro leve o saco até o meio de um imenso deserto de areia, onde não tenha nada por perto. Desamarre a boca do saco e dentro dele você vai encontrar toda a desgraça possível de imaginar.

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O macaquinho não perdeu tempo, pegou o saco, desceu pela árvore e foi para o deserto, andou muito, mas chegou bem no meio do deserto e lá abriu o saco.

Então, de dentro do saco saiu uma verdadeira desgraça de macaco… Cachorros!

Muitos cachorros imensos, rosnando e salivando.

O macaquinho saiu correndo, e os cachorros atrás dele, ele correu com todas as suas forças e os cachorros logo atrás. De repente, uma árvore bem alta, surgiu no meio do deserto. Ele pensou que aquela árvore não deveria estar ali, mas ela era a sua salvação.

Ele subiu na árvore, até o galho mais alto e ficou lá, esperando os cachorros irem embora.

Depois de um tempo os cachorros se cansaram de esperar e se foram, o macaquinho desceu e pode voltar para a sua floresta.

Conselho de vó: mesmo quando você pede desgraça, mesmo que Deus mande desgraça, ele sempre manda junto um jeito de você se salvar.

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História de Figueiredo Pimentel

Bernardo era um lavrador, pai de família que tinha três filhos. Um dia ele adoeceu gravemente e foi à vila para ser atendido por um médico.

Após a consulta o médico deu-lhe a receita do que poderia salvá-lo, porém, na única botica da vila não tinha o remédio e este somente poderia ser encontrado na cidade grande.

Para chegar a essa cidade só havia um caminho: atravessar a floresta, uma floresta que era extensa e cheia de animais ferozes e salteadores.

Heitor, o filho mais velho de Bernardo se ofereceu para buscar o remédio e no dia seguinte, bem cedo partiu em busca do medicamento que salvaria o seu pai. Ele levou consigo o seu cachorro fiel e dedicado, chamado Leão.

O moço caminhou o dia inteiro e quando começou a anoitecer, viu uma choupana no meio da floresta e resolveu pedir ajuda.

Bateu na porta e foi atendido por uma senhora muito idosa. Ele pediu pouso e ela os mandou entrar, a ele e o cachorro, mas primeiro falou:

– Amarre o seu cachorro, moço, que parece um animal muito bravo, e eu tenho medo de cães.

– Não tenha medo, senhora, porque Leão me obedece cegamente, ele só ataca a quem me quiser fazer mal.

– Acredito em você, porém já fui mordida por um cachorro e tenho muito medo, amarre o cachorro e ele poderá ficar aqui com você.

– Mas é que eu não tenho com que amarrá-lo – falou Heitor.

– Isso não é problema, basta amarrá-lo com um fio do meu cabelo.

A velhinha arrancou um fio branco, e deu-o ao moço, que riu daquela corda de nova espécie.

Quando viu o cão amarrado, a dona da choupana mais que depressa atirou-se sobre Heitor. Ninguém diria, ao ver aquela criatura tão idosa, que ela tinha tanta força como qualquer ferreiro.

O rapaz tentou lutar, mas foi em vão, então ele pediu ajuda a seu cachorro Leão.

– Avança! Ataca Leão!

Neste momento o cabelo que estava em volta do pescoço do cachorro começou a engrossar a ponto de não deixar que Leão o ajudasse.

A velha senhora, que agora Heitor já sabia que era uma bruxa, o prendeu em uma sala para devorá-lo depois.

Passados três dias, vendo que Heitor não regressava, Lauro, o irmão do meio, decidiu fazer o mesmo caminho do irmão para salvar o seu querido pai.

Lauro saiu de casa levando seu companheiro Capitão, um cachorro muito leal e dedicado.

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Seguindo o mesmo trajeto de Heitor, foi parar na mesma choupana, onde a velhinha o recebeu assim como havia recebido o primeiro. Da mesma maneira a velha recomendou que ele amarrasse o cachorro com seu fio de cabelo e ele, da mesma maneira, acabou junto com o irmão mais velho preso na cabana da bruxa.

Raul, o filho mais novo, de apenas onze anos, era ousado e muito inteligente e, ao perceber que seus irmãos não voltavam se ofereceu para buscar o remédio do pai.

No dia seguinte ele partiu levando consigo seu fiel cachorro Plutão.

Depois de muito caminhar foi parar na cabana da bruxa, onde pediu abrigo para passar a noite.

Da mesma maneira a velha pediu que ele amarrasse o cachorro com o seu cabelo, porém o menino achou aquilo muito estranho. Ele então fingiu que amarrava o cachorro.

Assim que a bruxa pensou que ele havia amarrado o cachorro atacou o menino, que então gritou:

– Avança! Ataca Plutão!!!

O fiel cachorro de um salto atirou-se ao pescoço da velhinha e a estrangulou.

Raul percorreu a cabana, e encontrou seus irmãos, bem como muitos outros viajantes, que haviam caído sob as garras da miserável feiticeira.

Soltou todos eles, e ateou fogo à choupana.

Os presos, agradecidos, deram-lhe dinheiro, e os três irmãos tiveram tempo de ir à cidade e comprar o remédio que salvou o velho Bernardo.

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História de Figueiredo Pimentel

O reino da Pérsia foi governado, há muitos séculos, pelo rei Nebul. Ele era um rei muito bondoso e reinava com sabedoria.

Um dia, sem nenhuma explicação, ficou cego. Os melhores médicos do reino e dos reinos vizinhos o examinaram, mas sem encontrar a cura.

O Rei já estava desanimado, quando apareceu no seu reino uma velhinha dizendo que sabia o remédio para o seu problema.

O rei mandou trazer a velhinha e ela lhe disse:

– Majestade, só há um remédio capaz de fazê-lo recuperar a visão.  Existe, num reino muitíssimo distante daqui, uma fonte chamada de Rainha das Águas. Se alguém conseguir um pouco dessa água, e colocá-la sobre os olhos, imediatamente verá tão bem como um pássaro. Porém, é muito difícil chegar a esse reino. Quem for buscar a água deve se entender com uma velhinha que mora perto da fonte. Ela é quem há de informar se o dragão que vigia a entrada da fonte está dormindo ou acordado, porque a fonte está situada atrás de montanhas muito altas, e, se alguém for visto pelo terrível bicho, morrerá no mesmo instante.

O Rei Nebul retirou-se para os seus aposentos. No dia seguinte mandou preparar uma grande esquadra composta de duzentos navios, e enviou seu filho mais velho, o príncipe Agár, para buscar a água, dizendo que lhe dava o prazo de um ano para estar de volta, e, se naquele prazo não voltasse, iria considerá-lo morto pelo dragão.

O moço partiu e depois de viajar muito, desembarcou em um país estranho e muito rico. Saltou em terra e começou a se divertir, a ponto de gastar todo o dinheiro que levava, contrair dívidas e, por isso, ficar preso.

Passado um ano, Nebul, não o vendo voltar, ficou triste, julgando-o morto. Mandou preparar nova esquadra de quinhentos navios, porque supunha que seu filho morrera na guerra que travara no Reino das Águas.

Enviou seu segundo filho, o príncipe André e fez a mesma recomendação:

– Se no prazo de um ano, meu filho, você não tiver voltado, terei que chorar a sua morte.

Partiu André e, depois de muito viajar, aportou ao mesmo país que seu irmão Agár.

Lá, fascinado pelas festas, gastou tudo quanto levara, contraiu grandes dívidas e, como seu irmão, ficou preso.

Passado um ano, vendo o rei que o seu outro filho não voltava, ficou desanimado e sem esperanças de recuperar a vista, pois supunha que André houvesse tido o mesmo fim que o primeiro.

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Então, o mais moço, o jovem Oscar, que ainda era adolescente, tinha só 17 anos, foi se oferecer para ir buscar o remédio.

– Quero ir agora, meu pai e, se eu for, garanto que lhe trarei a água.

O rei começou a rir.

– Como quer ir, meu filho? Não vê a sorte de teus irmãos mais velhos?

O menino tanto insistiu, tanto pediu, tanto rogou, que afinal, o rei para o contentar, lhe concedeu a licença de partir.

Mandou preparar uma esquadra de cem navios, menor que a dos outros dois príncipes, e disse a Oscar que partisse quando quisesse.

O menino, antes de partir, foi assistir à missa no palácio, e pediu com todo o fervor a Nossa Senhora que o protegesse na empresa a que ia se arriscar.

Partiu no dia seguinte, e depois de muito navegar, foi aportar no mesmo país onde estavam seus irmãos presos por causa das dívidas.

Pagou as dívidas e os libertou.

Os dois irmãos aconselharam-lhe que não continuasse a viagem, pois aquele país era muito divertido e ele deveria ficar por ali.

O menino não quis ouvir e embarcou novamente, partindo para o Reino das Águas.

Chegando lá, desembarcou sozinho, e foi procurar a velhinha, que morava perto da fonte milagrosa:

– Ó, meu netinho, que veio cá fazer? Olhe que você corre grande perigo. O dragão que guarda a fonte que fica atrás daquelas montanhas, é uma princesa encantada, que tudo devora. Procure uma ocasião em que esteja dormindo, para entrar, e repare bem que, quando estiver com os olhos abertos, é porque está dormindo, mas se estiver com os olhos fechados, está acordada.

O menino tomou as suas precauções e ao chegar à fonte encontrou a fera com os olhos abertos.

Aproximou-se da fonte, e encheu a garrafa que levava.

Já ia se retirando, quando o dragão acordou, e avançou sobre ele.

– Que atrevimento é esse, menino mortal! O que faz com que tenhas a audácia de vir ao meu reino?

O moço só teve tempo de desembainhar a espada.

Em um dos botes a fera foi ferida e, com o sangue que gotejava, se desencantou numa formosa princesa.

– Devo casar-me com o homem que me desencantou.

Os dois voltaram juntos para o reino da Pérsia, lá curaram o Rei, se casaram e foram felizes para sempre.

***

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