História indígena

Konewó era um índio Taulipangs. Ele adorava pregar peças nos homens brancos.

Certo dia Konewó achou no rio várias pepitas de prata, juntou todas elas e resolveu aprontar uma. Ele sabia que os homens brancos tinham verdadeira adoração por ouro e prata.

Assim que ele avistou um homem branco, pegou um gambá que vinha passando e foi até o homem falando:

– Bela rede! – disse Konewó. – Quer trocá-la por um gambá que bota moedas de prata?

– Está me achando com cara de bobo, é?

– Veja!!! – falou o índio.

Então, Konewó apertou a barriga do gambá (ele sabia o lugar certo de apertar para que o gambá não expelisse o seu fedor) encheu a mão com as pepitas de prata, de modo que pareceu que haviam saído do rabo do gambá.

O homem branco ficou pasmo. Seus olhos se arregalaram.

– E esse fedorento faz isso muitas vezes por dia? – perguntou ele.

– Quantas vezes lhe apertarem o ventre – respondeu o índio.

O homem branco fez o negócio na hora.

Assim que o índio se afastou, o homem branco ergueu o rabo do gambá e apertou a barriga do pobre bicho que soltou um jato de fedor bem na cara do homem branco.

Konewó foi embora sem se aguentar de tanto rir.

***

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Lenda Tupinambá

No início dos tempos havia um ser chamado Monan. Ele não era um deus, mas foi ele que fez o mundo, criou as terras, os mares, os animais e os homens.

Ele viveu entre os homens por muito tempo em harmonia até um dia em que os homens deixaram de ser justos e bons.

Monan ficou inconformado com as maldades dos homens e num furor divino mandou um dilúvio sobre a terra. Até àquele momento a terra era plana, mas depois do dilúvio o planeta ficou enrugado e cheio de saliências, às quais os homens chamaram de montanhas e abismos. Esse foi o primeiro dilúvio.

Depois desse apocalipse sobreviveu um único homem, que era bom, Irin-magé, que foi morar no céu. Lá ele se tornou um defensor da humanidade e depois de muitas súplicas conseguiu amolecer o coração de Monan.

Irin-magé foi encarregado de repovoar a Terra com o auxílio de uma mulher criada especialmente para isso, e desta união nasceu Maire-monan.

Maire-monan tinha poderes semelhantes aos do primeiro Monan, e foi graças a isso que pôde criar uma série de outros animais e plantas, espalhando-os depois sobre a Terra.

Ele fez muitas outras coisas úteis para a humanidade, ensinou o plantio da mandioca e de outros alimentos, além de autorizar o uso do fogo.

Um dia, porém, a humanidade começou a murmurar.

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– Esse Maire-monan é um feiticeiro! – dizia o cochicho nas ocas. – Assim como criou vegetais e animais, esse bruxo há de criar monstros.

Então, certo dia, os homens decidiram aprontar uma armadilha para esse novo semideus. Maire-monan foi convidado para uma festa, na qual lhe foram feitos três desafios.

– Bela maneira de um anfitrião receber um convidado! – disse Maire-monan, desconfiado.

– É simples, na verdade – disse o chefe dos conspiradores. – Você só terá que transpor, sem queimar-se, estas três fogueiras. Para um ser como você, isso deve ser muito fácil!

Instigado pelos desafiantes, e talvez um pouco por sua própria vaidade, Maire-monan acabou aceitando o desafio.

– Muito bem, vamos a isso! – disse ele, querendo pôr logo um fim a tudo.

Maire-monan passou incólume pela primeira fogueira, mas na segunda, tão logo pisou nela, grandes labaredas o envolveram. Diante dos olhos de todos os índios, Maire-monan foi consumido pelas chamas, e sua cabeça explodiu. Os estilhaços do seu cérebro subiram aos céus, dando origem aos raios e aos trovões.

Desses raios e trovões originou-se um segundo dilúvio, dessa vez, arrasador.

No fim de tudo, porém, as nuvens se desfizeram e por detrás delas surgiu, brilhando, uma estrela resplandecente, que era tudo quanto restara do corpo de Maire-monan, ascendido aos céus, o Sol.

Depois que o mundo se recompôs de mais um cataclismo, o tempo passou e vieram à Terra dois descendentes de Maire-monan, dois irmãos chamados Tamendonare e Ariconte.

Tamendonare era bonzinho e pacífico, pai de família exemplar, enquanto Ariconte era amante da guerra e tinha o coração cheio de inveja. Seu sonho era reduzir todos os índios, inclusive seu irmão, à condição de escravos.

Um dia, Ariconte invadiu a choça de seu irmão. Tamendonare era bom, mas sua bondade não ia ao extremo de suportar uma desfeita dessas. Erguendo-se, o irmão afrontado golpeou o chão com o pé e logo começou a brotar de uma rachadura um fino veio de água.

Ao ver aquela risquinha inofensiva de água brotar do solo, Ariconte pôs-se a rir debochadamente.

Acontece que a risquinha rapidamente converteu-se num jorro d’água, e num instante o chão sob os pés dos dois, bem como os de toda a tribo, rachou-se como a casca de um ovo, deixando subir à tona um verdadeiro mar impetuoso.

Aterrorizado, o irmão perverso correu com sua esposa até um jenipapeiro, e ambos começaram a escalá-lo como dois macacos. Tamendonare fez o mesmo e, depois de tomar a esposa pela mão, subiu com ela numa pindoba.

E assim permaneceram os dois casais, cada qual trepado no topo da sua árvore, enquanto as águas cobriam pela terceira vez o mundo.

Quando as águas baixaram, os dois casais desceram à Terra e repovoaram outra vez o mundo. De Tamendonare se originou a tribo dos tupinambás, e de Ariconte vieram os Temininó.

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Conto Indígena

Certa vez, na tribo de índios Sateré-Mawé, havia um casal que não podia ter filhos. Eles pediram ao deus Tupã que o desejo de serem pais se realizasse.

O deus Tupã se compadeceu do casal e a mulher ficou grávida. Nove meses depois nasceu um menino muito bonito e saudável.

O bebê era estimado por toda a tribo e assim ele cresceu forte e corajoso.

Jurupari, o deus da escuridão, era muito invejoso e tinha raiva do menino e de suas qualidades. Por isso ele resolveu matar o pobrezinho.

Um dia, enquanto ele colhia frutos na floresta, Jurupari se transformou em serpente para picar a criança.

Tupã, vendo o perigo que o menino estava correndo, mandou raios e trovões para alertar os seus pais e eles correram para a floresta.

Entretanto, não chegaram a tempo e o menino foi morto pelo veneno da serpente.

Seus pais e toda a tribo choraram muito pela morte do menino.

Por isso, Tupã mandou seus pais plantarem os olhos do menino para que deles nascesse uma planta que daria energia a toda a tribo.

Os olhos do menino foram plantados e a terra foi regada pelas lágrimas da tribo.

No local onde seus olhos foram plantados nasceu o guaraná, uma linda plantinha que tinha sementes iguais aos olhos do menino. Assim, a promessa de Tupã se concretizou porque a planta fazia muito bem aos que a utilizavam.

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