Fábula de Monteiro Lobato

A Onça caiu da árvore e ficou acamada por muitos dias, como não podia sair da toca começou a ficar com fome e chamou a comadre Irara para pedir ajuda.

– Diga aos animais que estou doente, muito doente, peça que venham me visitar – falou a Onça para a Irara.

A Irara deu o recado a todos os animais e eles começaram a fazer visitas, veio a Capivara, a Cutia, o Veado, e por fim veio o Jabuti.

Ao entrar na toca o Jabuti viu as pegadas dos animais que tinham vindo primeiro, mas o que o deixou curioso foi que tinha pegadas entrando, mas não tinha nenhuma saindo.

– Me parece que nesta toca quem entra não sai, acho que em vez de visitar vou para minha casa rezar por ela.

***

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Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez uma rainha que estava costurando junto à sua janela de ébano, era inverno e a neve caia no parapeito. Como estava distraída acabou furando o dedo na agulha e algumas gotas de sangue caíram na neve. A cena lhe pareceu muito bonita e ela pensou: “Eu queria ter um neném assim, que fosse branco como a neve, com os cabelos negros como o ébano e com lábios vermelhos como o sangue”.

Algum tempo depois ela teve uma filha que era banca como a neve, tinha cabelos pretos como o ébano e os lábios vermelhos como o sangue. Ela foi batizada com o nome de Branca de Neve.

Porém, pouco tempo depois de seu nascimento a rainha faleceu.

Um ano mais tarde o rei se casou novamente. A nova rainha era linda, mas muito orgulhosa e prepotente. Ela era incrivelmente vaidosa e não podia suportar a ideia de ter alguém mais bela que ela.

Ela era na verdade uma bruxa disfarçada e tinha um espelho mágico. Ela sempre perguntava ao espelho:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

E o espelho respondia:

– Senhora Rainha, tu és a mais linda de todas as mulheres.

Ela ficava muito satisfeita porque sabia que o espelho somente falava a verdade. Com a morte do rei era ela quem governava o reino.

Mas, à medida que Banca de Neve crescia, ficava cada dia mais bela, mais bonita que a própria rainha.

Um dia, a rainha fez novamente a pergunta ao espelho e ele respondeu:

– Rainha, Branca de Neve é a mais linda de todas as mulheres.

Nesse momento o rosto da rainha ficou transtornado de raiva e inveja. Depois disso, toda vez que ela olhava para Branca de Neve sentia tanto ódio que seu sangue fervia no peito.

A inveja e ódio cresceram em seu coração pelo orgulho ferido até um ponto que ela não tinha um momento de sossego em sua mente.

Então, quando não aguentava mais de tanto ódio ela mandou chamar um caçador e lhe disse:

– Quero que leve Branca de Neve para a floresta e a mate. Para provar que cumpriu o que ordeno me traga o seu coração.

O caçador obedeceu. Levou a menina para a floresta, mas quando puxou seu facão para matá-la, Branca de Neve começou a chorar e disse:

– Por favor, caçador, deixe-me viver, eu fugirei para a floresta e nunca mais voltarei, a rainha nunca saberá.

O caçador ficou com muita pena da menina e falou:

– Fuja para longe e nunca mais volte.

Porém, pensou consigo mesmo: “Ela não vai sobreviver, os animais da floresta vão devorá-la, mas ao menos não terei sido eu a fazer tamanha atrocidade”.

Logo depois, ele matou um javali, retirou seu coração e o levou à rainha como prova de que havia cumprido a sua ordem.

A rainha era tão malvada que mandou cozinharem o coração e o comeu, feliz por ter dado fim à Branca de Neve.

Enquanto isso, a pobre menina estava sozinha no meio da grande floresta. Apavorada e sem saber para onde ir, ela se assustava com todos os barulhos que ouvia. Ela correu para longe e apesar de a floresta estar repleta de animais ferozes, nenhum deles lhe fez mal.

Depois de muito tempo, cansada de tanto correr, Branca de Neve avistou uma casinha e resolveu pedir ajuda.

Ela chamou e chamou, mas ninguém a atendeu, então ela resolveu entrar na casa para descansar.

Lá dentro era tudo pequenino, mas muito limpo e bem cuidado.

A mesa estava posta com uma toalha branca e sete pratinhos, cada um com uma faca, um garfo e sete canequinhas. Todos os pratos estavam repletos de alimentos cheirosos e apetitosos. Havia também sete camas enfileiradas e cobertas por lençóis imaculados.

Branca de Neve estava morrendo de fome e sede, mas não queria comer a refeição de ninguém, por isso comeu um pouquinho de cada prato e como estava cansada se deitou em uma cama que pareceu mais confortável, fez suas orações e adormeceu.

Quando estava escuro os donos da casa chegaram. Eram sete anões que todos os dias iam para as montanhas minerar prata com suas pás e picaretas. Assim que chegaram acenderam as velas e a lareira e então perceberam que alguém havia entrado lá porque algumas coisas estavam fora do lugar.

O primeiro disse:

– Quem sentou na minha cadeira?

E o segundo:

– Quem comeu no meu prato?

E o terceiro:

– Quem deu uma mordida no meu pão?

E o quarto:

– Quem andou beliscando os meus legumes?

E o quinto:

– Quem usou o meu garfo?

– E o sexto:

– Quem cortou com minha faca?

E o sétimo:

– Quem bebeu na minha caneca?

Depois olharam pela casa e viram que a Branca de Neve estava deitada lá, dormindo.

Logo todos estavam à sua volta, admirando a sua beleza. Com pena da menina resolveram deixá-la dormir.

Na manhã seguinte, assim que acordou, Branca de Neve viu os sete anões à sua volta e levou um grande susto, mas eles foram muito simpáticos com ela e perguntaram:

– Qual o seu nome menina?

– Me chamo Branca de Neve.

– Como veio parar na nossa casa?

Então ela contou para eles tudo o que tinha acontecido, eles ficaram com pena dela e fizeram uma proposta:

– Você pode ficar em nossa casa se concordar em nos ajudar com as tarefas domésticas, se limpar a casa, cozinhar,… não vai lhe faltar nada aqui.

– Que bom! – disse Branca de Neve – eu vou adorar.

E ela ficou morando com eles. Todas as manhãs eles saíam para garimpar e quando voltavam à noite a casa estava limpa e o jantar pronto e quentinho.

Porém, eles a avisaram:

– Se sua madrasta descobrir que você está viva ela vai dar um jeito de vir te matar, tome cuidado. Não deixe ninguém saber que você mora aqui, nunca deixe ninguém entrar.

A rainha estava radiante por ser novamente a mulher mais linda de todas e resolveu fazer a pergunta novamente ao espelho:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda deste castelo, mas a Branca de Neve, que vive com os anões na floresta é a mais linda de todas.

A rainha ficou vermelha de raiva, ela sabia que o espelho nunca mentia e compreendeu que foi enganada pelo caçador. Ela queria o fim daquela menina, tinha que achar um jeito de matá-la.

Ficou pensando como faria isso, e desta vez ela faria com as próprias mãos. Então elaborou um plano para dar um fim em Branca de Neve.

Ela, que era uma bruxa poderosa se transfigurou em uma mulher comum, colocou roupas velhas e foi até a casa dos sete anões.

Chegando lá, bateu à porta e Branca de Neve se lembrou dos avisos dos anões, porém, ao ver que era uma mulher desconhecida resolveu abrir a porta. A bruxa falou que estava vendendo algumas coisas:

– Minha senhora, o que tem para vender? – perguntou Branca de Neve.

– Vendo corpetes, laços, tecidos. Minha filha, como você está mal arrumada, venha aqui vou te dar um laço para colocar nos seus cabelos e um corpete para ficar mais bonita.

Sem desconfiar, Branca de Neve deixou que ela colocasse o laço em seu cabelo e depois o corpete em sua cintura. Quando a velhinha estava lhe colocando o corpete, Branca de Neve começou a passar mal porque a velha apertou tanto que ela não podia respirar. Depois de alguns momentos Branca de Neve desmaiou e a mulher falou:

– Muito bem, agora você não é a mais bonita do mundo.

Ela foi embora correndo, achando que havia matado Branca de Neve. Logo depois os anões chegaram e encontraram a menina caída no chão, quase morta por não poder respirar. Estava tão imóvel que pensaram que ela tinha morrido. Quando a levantaram perceberam que o corpete a estava sufocando e então cortaram os laços. Com isso ela respirou melhor e aos poucos foi voltando a vida novamente.

Quando já tinha melhorado, ela contou aos anões o que tinha acontecido.

– É claro que essa mulher era a rainha malvada. Você tem que ser mais cuidadosa e não deixar ninguém entrar nesta casa – disseram eles.

Quando a rainha chegou em seu castelo correu para o espelho e disse:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda deste castelo, mas a Branca de Neve é a mais linda de todas.

Ao ouvir isto percebeu que não havia conseguido matar Branca de Neve. Então começou a planejar uma nova maneira de matar a menina. Depois de muito pesquisar em seus livros de bruxaria ela fez um pente envenenado.

Disfarçou-se novamente, desta vez com outra aparência e voltou a casa dos anões na floresta.

Lá chegando ela bateu a porta e falou:

– Tenho belas coisas para vender, quem quer comprar?

– Vá embora – disse Branca de Neve- não posso deixar ninguém entrar.

– Não precisa me deixar entrar, você pode só olhar, veja que pente maravilhoso.

A menina queria seguir as ordens dos anões, mas o pente era tão bonito e estava enfeitiçado, por isso ela esqueceu de todas as orientações e abriu a porta.

– Deixe-me te pentear minha querida, seus cabelos ficarão lindos – falou a rainha disfarçada.

Branca de Neve deixou que a mulher a penteasse, mas assim que o pente tocou o seu cabelo o veneno fez efeito e ela caiu no chão como se estivesse morta.

– Agora sim – disse a malvada – agora é o seu fim.

A rainha foi embora e logo em seguida os anões chegaram à casa e encontraram a menina caída como morta, imediatamente desconfiaram da madrasta. Eles a examinaram e viram o pente envenenado.  Para salvar Branca de Neve tiveram que cortar os seus longos cabelos na altura dos ombros e por isso ela se salvou.

Chegando no castelo a rainha foi ao seu espelho e falou:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda deste castelo, mas a Branca de Neve é a mais linda de todas.

Quando o espelho falou isso a rainha começou a tremer de ódio e começou a gritar:

– Branca de Neve tem que morrer! Mesmo que isto custe a minha vida!!!

A rainha malvada voltou para o seu quarto secreto, onde estavam todas as suas poções e livros de feitiçaria procurando uma maneira de matar a menina.

Depois de muitas experiências ela fez uma maçã envenenada, incrivelmente vermelha e apetitosa. A maçã era tão perigosa que qualquer um que a colocasse na boca morreria imediatamente.

Novamente ela se disfarçou, com uma outra aparência, desta vez de uma senhora muito velha e voltou para a casa dos anões.

Chegando lá bateu à porta, Branca de Neve a olhou pela janela e disse:

– Não posso deixar ninguém entrar, os anões me ordenaram.

– Não faz mal, minha doce menina – disse a bruxa – só quero te dar uma maçã de presente, olhe que linda.

– Não posso aceitar nada – disse a menina.

– Está com medo que esteja envenenada? Que bobagem! Vou cortar a maçã, você fica com a parte vermelha e eu fico com a parte branca, assim comemos juntas.

A maçã tinha sido feita de uma forma que o veneno estava somente na parte vermelha e na parte branca não.

Branca de Neve estava morrendo de vontade de comer a maçã e não conseguiu resistir, enganada pela artimanha da bruxa, estendeu a mão pela janela e pegou o pedaço da maçã. Assim que deu uma mordida caiu morta no chão.

A rainha deu um olhar cruel, uma gargalhada terrível e disse:

– Branca de Neve, branca como a neve, de cabelos pretos como o ébano e de lábios vermelhos como o sangue, desta vez os anões não conseguirão te salvar.

Chegando ao castelo a rainha perguntou ao espelho:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda de todo o mundo.

Então, o seu coração invejoso sossegou, se é que um coração invejoso pode ficar sossegado.

Quando os anões voltaram para casa, ao cair da noite, encontraram Branca de Neve caída no chão e desta vez ela estava morta.

Eles a levantaram e afrouxaram a sua roupa, despentearam o seu cabelo, mas nada adiantou, ela estava realmente morta.

Colocaram-na em uma maca, sentaram-se em volta e choraram a sua morte por três dias. Resolveram enterrá-la, mas algo estava estranho, apesar de não respirar, ela não tomava aparência de alguém que estivesse morta há três dias. Seu aspecto era fresco e suas bochechas e lábios continuavam vermelhos.

– Não podemos enterrá-la – disse o anão.

Então, eles resolveram construir um caixão de vidro, de modo que ela pudesse ser vista de todos os lados, a deitaram no caixão e escreveram o seu nome em letras de ouro, acrescentando que ela era filha de um rei. Colocaram o caixão no alto de uma colina e deste dia em diante um deles ficava sempre ao seu lado montando guarda.

Branca de Neve ficou no caixão por muitos e muitos anos, ela não se decompunha e parecia dormir. Sempre branca como a neve, com os cabelos pretos como o ébano e os lábios vermelhos como sangue.

Depois de muitos anos, um príncipe e seus homens se perderam na floresta quando já era noite e foram pedir ajuda na casa dos sete anões. No dia seguinte ele viu o caixão na colina e ficou encantado com a beleza da menina e triste pela sua história. Então disse aos anões:

– Eu quero este caixão para mim, pagarei o quanto pedirem.

– Não nos separaríamos dela por nenhum dinheiro deste mundo – responderam os anões.

– Então me deem o caixão, não poderei continuar vivendo sem admirar a sua beleza.

Os anões ficaram com pena dele e resolveram dar o caixão de presente.

Quando os criados do príncipe foram retirá-la da colina, um deles tropeçou em uma raiz e o caixão caiu no chão. Com o impacto o pedaço da maçã que estava na garganta de Branca de Neve se soltou, ela desengasgou, abriu os olhos e voltou à vida.

– Onde estou? – disse Branca de Neve.

– Está comigo! – respondeu o príncipe.

Então eles contaram a ela o que tinha acontecido e o príncipe, que já estava apaixonado disse a ela:

– Case-se comigo, venha comigo para o castelo de meu pai!

Branca de neve também se apaixonou pelo príncipe e foi com ele para seu castelo. Começaram os preparativos para o casamento e todos os reinos vizinhos foram convidados, inclusive a rainha malvada.

Depois de se arrumar toda para o casamento, ela olhou para o espelho mágico e disse:

– Espelho, espelho meu, existe mulher mais bonita do que eu?

– Senhora Rainha, tu és a mais linda deste castelo, mas a Branca de Neve, que vai se casar hoje é a mais linda de todas.

A rainha ficou transtornada, xingou, amaldiçoou, não sabia o que fazer. Primeiro não queria ir ao casamento, mas tinha que ver com seus olhos a Branca de Neve.

No castelo, já sabendo de toda a história e sabendo que a rainha malvada viria ao casamento o príncipe se preparou para recebê-la.

Quando ela entrou no castelo e viu Branca de Neve ficou aterrorizada e não podia se mexer. A rainha foi presa e recebeu todos os castigos que ela merecia enquanto estava viva.

O príncipe e Branca de Neve se casaram e foram felizes para sempre.

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Veja aqui a história da Lenda do Guaraná

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Conto africano

Na África, o Porco e o Milhafre (espécie de gavião) eram dois amigos inseparáveis.

O porco invejava as asas do Milhafre, ele queria poder voar como o amigo e insistia continuamente com ele para que lhe arranjasse asas iguais para poder voar também.

O Milhafre pensou muito e teve uma ideia. Conseguiu arranjar penas de outras aves e com cera colou cada uma nos ombros e nas pernas do seu amigo Porco.

O porco ficou muito feliz e desde então começou a voar ao lado do seu amigo Milhafre.

Um dia o Porco quis acompanhá-lo até grandes alturas, mas a cera começou a derreter com o calor e as penas foram caindo uma a uma.

Conforme as penas se descolavam, o porco foi descendo, descendo…

Quando as penas se soltaram todas, o porco caiu e bateu com o focinho no chão com tanta força que ele ficou achatado.

O Porco ficou muito zangado com o Milhafre, por não ter grudado as asas direito.

Desde então, eles deixaram de ser amigos e quando o Porco vê o Milhafre pairar no alto, dá um grunhido e olha para ele magoado.

E aqui está a razão do porquê o Porco ter o focinho achatado e nunca mais querer voar.

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Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez um homem muito rico, mas sua esposa estava muito doente. Ela, quando sentiu que o fim estava próximo, chamou sua única filha chamada Cinderela e lhe disse com muito amor:

– Amada filha, continue sempre boa, o amor de Deus há de lhe acompanhar sempre. Lá do céu velarei por você.

Dito isso, ela fechou os olhos e morreu.

A menina ia todos os dias ao túmulo da mãe para chorar e regar a terra com suas lágrimas. Quando o inverno chegou, a neve fria e gelada da Europa cobriu o túmulo com um manto branco de neve.

Cinderela continuou sendo boa e piedosa.

Quando o sol da primavera chegou, seu pai se casou novamente com uma mulher ambiciosa e cruel que já tinha duas filhas parecidas com ela em tudo.

Mal cruzou com suas filhas a pobre órfã percebeu que nada de bom podia esperar delas.

Pouco tempo depois seu pai também faleceu.

Mal tinha enterrado o seu pai, as duas filhas falaram:

– O que está moleca faz aqui? Vá para a cozinha, lá é teu lugar!!!

A madrasta ainda acrescentou:

– Têm razão, filhas. Ela será nossa empregada e terá que ganhar o pão com o seu trabalho diário.

Tiraram dela os seus lindos vestidos, deram-lhe um vestido muito velho e tamancos de madeira para calçar.

– Agora, já para a cozinha!!! – disseram elas, rindo.

A partir desse dia, a menina passou a trabalhar arduamente, desde que o sol nascia até altas horas da noite. Ela tinha que buscar água no poço, acender a lareira, cozinhar, lavar roupa, costurar, esfregar o chão…

À noite, extenuada do trabalho, ela não tinha uma cama para descansar. Ela se deitava perto da lareira, junto às cinzas (borralho) e ficava toda suja, por isso lhe deram o apelido de Gata Borralheira.

Os dias se passavam e sua sorte não melhorava, pelo contrário, a madrasta exigia cada vez mais.

A Gata Borralheira continuava visitando o túmulo da mãe todos os dias e chorava a sua ausência.

Um dia sobre a lápide da mãe pousou uma pombinha branca que lhe disse:

– Fique tranquila, sua vida vai mudar, seus sonhos irão se realizar.

Um dia, o rei anunciou a todo o reino que ia dar uma festa durante três dias e estavam convidadas todas as jovens que queriam se casar, a fim de que o príncipe herdeiro pudesse escolher a sua futura esposa.

Imediatamente, as duas filhas da madrasta chamaram a Gata Borralheira e disseram:

– Você vai nos pentear e nos vestir para o baile onde o príncipe vai escolher a sua futura esposa.

A Gata Borralheira obedeceu humildemente, mas quando as viu luxuosamente vestidas desatou a chorar e suplicou à madrasta que pudesse ir ao baile também.

– Ao baile, você??? Já se olhou no espelho??? – disse a madrasta.

Porém, devido à insistência da menina a madrasta falou:

– Está bem! Se separares as lentilhas em duas horas, poderá ir conosco.

A menina saiu para o jardim para chorar porque sabia que seria impossível cumprir tal tarefa. E então se lembrou da pombinha branca e falou:

– Dócil pombinha, rolinhas e todos os passarinhos do céu, venham me ajudar a separar as lentilhas, as boas no prato e as ruins no papo.

Em seguida a pombinha branca e uma grande variedade de passarinhos apareceram e a ajudaram no trabalho, rapidamente separaram tudo.

Entusiasmada, a menina foi mostrar à madrasta que havia cumprido as suas ordens.

– Muito bem – disse a madrasta – Mas que vestido irá usar? Você sabe dançar? Será melhor que fique em casa.

Desconsolada, Gata Borralheira começou a chorar, ajoelhou-se aos pés da madrasta e voltou a suplicar que a deixasse ir ao baile.

– Está bem – disse a madrasta com cinismo – te dou outra oportunidade.

Ela então espalhou todas as lentilhas sobre as cinzas da lareira.

– Se conseguir separar em uma hora poderá ir ao baile – disse a madrasta.

A doce menina saiu correndo para o jardim e gritou:

– Dócil pombinha, rolinhas e todos os passarinhos do céu, venham me ajudar.

Apareceram de novo a pombinha e diversos passarinhos e rapidamente toda a lentilha estava separada das cinzas.

A menina correu para mostrar à madrasta que tinha conseguido, mas de nada adiantou.

– Me deixe em paz menina! Vai ficar em casa e pronto! – disse a madrasta

Então ela chamou as filhas e foram para o baile.

A Gata Borralheira foi ao túmulo da mãe e pediu a sua ajuda.

A pombinha branca apareceu e estendendo as asas transformou as roupas surradas de Cinderela em um lindíssimo vestido de baile, os seus tamancos de madeira em um luxuoso sapato bordado de ouro e prata.

Quando ela entrou no salão de baile, todos ficaram surpreendidos com a sua beleza. As que mais se surpreenderam foram as filhas da madrasta, pois estavam convencidas que seriam as mais belas do baile. Porém, ninguém a reconheceu, pois ela estava muito bem arrumada.

O príncipe, ao vê-la, ficou fascinado, a tomou pela mão e dançou com ela a noite toda. Na hora de ir embora o príncipe se ofereceu para acompanhá-la, pois queria saber onde ela morava. Mas Cinderela deu uma desculpa para se retirar e saiu correndo. Perto dali a pombinha estava esperando e transformou suas roupas e seus sapatos novamente. A Gata Borralheira voltou para casa e dormiu ao lado da lareira como sempre fazia.

No dia seguinte, quando se aproximou a hora do início do segundo dia do baile ela esperou que todos saíssem e correu para o túmulo da mãe para encontrar a pombinha branca.

A pombinha apareceu e transformou suas roupas e sapatos, como na noite anterior e ela foi para o baile.

O príncipe, que a esperava ansiosamente, sentiu-se ainda mais deslumbrado pela sua beleza e novamente eles dançaram a noite toda.

Na hora de ir embora ele insistiu para acompanhá-la, mas ela falou que preferia voltar sozinha. O príncipe a seguiu, mas ao perceber que ele a estava seguindo, ela se escondeu atrás de uma frondosa oliveira. O príncipe continuou a procurá-la, mas não encontrando retornou decepcionado ao palácio.

Quando a madrasta e suas filhas voltaram ela já estava dormindo aos pés da lareira como sempre fazia.

No terceiro e último dia da festa, quando a carruagem com a madrasta e as filhas saiu, a menina foi novamente ao túmulo da mãe e chamou pela pombinha que, de novo, transformou suas roupas em um lindo vestido de seda e seu tamanco em um lindo sapato bordado de ouro e prata e depois colocou sobre seus ombros uma linda capa dourada.

Assim que entrou no salão de baile todos a admiraram, o príncipe apressou-se a lhe beijar a mão e, como nas noites anteriores, eles dançaram a noite toda.

Pouco antes da meia-noite, a jovem despediu-se do príncipe e foi embora apressada, pois sabia que ele a seguiria. O príncipe percebendo a sua ausência foi procurá-la, mas somente encontrou um dos seus sapatos dourados na escadaria, onde ela o havia perdido por estar fugindo dele.

O príncipe pegou o sapato e o segurou contra o coração.

Na manhã seguinte ele enviou seus mensageiros por todo o reino para informar que se casaria com a mulher que conseguisse calçar o precioso sapato.

Depois de todas as princesas, duquesas e condessas terem inutilmente experimentado o sapato, ele ordenou aos seus emissários que o sapato fosse provado por todas as jovens, não importasse sua condição social ou financeira.

Quando chegaram à casa onde vivia a Gata Borralheira, a irmã mais velha insistiu que devia ser a primeira a experimentar. Acompanhada da mãe que já a imaginava rainha, subiu ao quarto, convencida que serviria.

Mas os seus pés eram muito grandes. A mãe, furiosa a obrigou calçar à força, dizendo:

– Embora te aperte agora, não te preocupes, pensa que logo será a rainha.

A jovem disfarçou a dor que sentia e subiu na carruagem, apresentando-se ao filho do rei.

Embora ele tivesse notado de imediato que aquela não era a moça que ele conheceu no baile, eles foram dar um passeio.

Ao passarem pelo jardim a pomba branca estava em uma árvore e falou para ele:

– Olhe o pé da donzela e verás que o sapato não é dela.

O príncipe tirou-lhe o sapato e viu que o pé da moça estava roxo e inchado e percebeu que tinha sido enganado. Voltou para a casa e concordou que a irmã experimentasse o sapato.

A irmã mais nova subiu ao quarto, acompanhada da mãe e tentou calçar o sapato, mas seu pé também era muito grande. A mãe a obrigou a calçar dizendo:

– Embora te aperte agora, não se preocupe, pensa que logo será rainha.

A filha obedeceu e dissimulando a dor se apresentou ao príncipe. Apesar de perceber que aquela também não era a sua amada ele a convidou para andar de charrete.

Ao passarem pelo jardim a pomba branca estava em uma árvore e falou para ele:

– Olhe o pé da donzela e verás que o sapato não é dela.

O príncipe tirou o sapato e viu que novamente tinha sido enganado e voltaram para a casa.

– Trago aqui mais uma impostora – disse o príncipe – dê graças a Deus por eu não mandar castigá-las. Há mais alguma moça nesta casa para calçar o sapato?

– Não há, não tenho mais filhas – disse a madrasta.

Neste momento a Gata Borralheira se apresentou e disse que queria calçar o sapato. A madrasta e sua filha ficaram indignadas com a sua ousadia, mas o príncipe imediatamente a chamou para provar o sapato.

Ele sentiu naquela hora que ela era a moça que ele havia conhecido no baile apesar de suas roupas e do borralho em seu rosto. Quando calçou o sapato, ele serviu perfeitamente.

– A minha amada desconhecida – exclamou ele – quer se casar comigo?

– Sim! – falou Cinderela

 O príncipe, radiante de felicidade, colocou-a em sua charrete e saíram. Ao se aproximar da pombinha, ela disse:

– Continua príncipe, a dona do sapato foi encontrada!

A pomba pousou no ombro de Cinderela e ela se transformou naquela que ele tinha conhecido no baile.

Ao chegarem ao castelo o casamento foi imediatamente realizado.

Logo todos souberam o modo como ela era tratada pela madrasta e suas filhas e elas foram de tal maneira desprezadas que precisaram abandonar o país.

Cinderela continuou fiel à promessa que fez à sua mãe e continuou sendo bondosa e piedosa e como sempre fazia, continuou a visitar todos os dias o túmulo de sua amada mãe, mas agora com muita alegria.

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Adaptação de MFátima Lima

Era uma vez um rei que tinha vários filhos. Ele apreciava muito as descobertas dos sábios que se dedicavam às diversas ciências e achava que se os jovens estudassem, aprenderiam coisas que tornariam o seu reino mais forte. Para isso resolveu escolher um professor que o ajudasse nessa tarefa.

No dia do teste, reuniu todos os sábios da região e também alguns que vieram de bem longe interessados no emprego. Logo de manhã o rei se apresentou e disse que contrataria aquele que até o final do dia lhe desse a resposta à seguinte pergunta:

– Por que, se escolhermos dois peixes de igual tamanho e peso, e os colocarmos em duas bacias iguais e com a mesma quantidade de água, mas matarmos um dos peixes, a bacia com o peixe vivo pesará mais?

Todos os candidatos ficaram tentando decifrar a resposta consultando livros, conversando uns com os outros, fazendo anotações… Apenas um, um rapaz ainda jovem, pediu licença para sair e voltar à tarde na hora da apresentação das respostas. O rei concordou e os sábios passaram o dia entre consultas e divagações.

À tarde o rei voltou para ouvir as respostas e elas foram as mais variadas:

– Majestade, minha conclusão é a de que o peixe vivo se movimenta e isso o faz pesar mais.

– Majestade, essa é a prova de que a vida tem um valor que pode ser medido pela balança.

– Majestade, essa é a prova de que todos os seres tem uma alma e, quando morre, essa alma o deixa e isso diminui o peso do corpo.

Sucessivamente, todos foram apresentando suas mais variadas conclusões. Mas o rei não se mostrava satisfeito com nenhuma resposta. O sábio que havia pedido para sair de manhã chegou quase no final e foi o último a apresentar sua resposta:

– Majestade, as duas bacias iguais com a mesma quantidade de água e os peixes de igual tamanho, um vivo e outro morto, tem o mesmo peso.

Os outros sábios ficaram indignados. Como o jovem ousava contestar as palavras do rei? Isso era uma ofensa que merecia ser castigada. Após certo tumulto pelos inúmeros protestos dos outros sábios o rei pediu silêncio e perguntou:

– Diga, meu jovem, por que você está contradizendo a minha afirmação?

O rapaz respondeu:

– Majestade, eu saí de manhã e testei o pressuposto de sua pergunta. Encontrei duas bacias iguais e coloquei a mesma quantidade de água. Encontrar os dois peixes de peso exatamente igual foi mais difícil, mas os encontrei e matei um deles. Coloquei-os cada um em uma bacia e o peso final foi exatamente o mesmo.

O rei então respondeu:

– Parabéns, essa é a resposta certa e você é o escolhido para ser o mestre dos meus filhos. Não se pode encher um copo que está cheio. Quando estamos dispostos a examinar as coisas desde o início, aprendemos muito mais. E é isso que quero que você ensine aos meus descendentes. Sei que assim meu reino permanecerá forte por muitas gerações.

Conselho de vó: Antes de qualquer atitude com relação a alguma coisa, verifique se a informação é verdadeira.

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Veja aqui a história Ifá

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