Autor desconhecido

Durante o inverno, quando a neve caia, muitos animais morriam por causa do frio.

Os porcos-espinhos, então, resolveram se juntar em grupos, para que assim um aquecesse o outro e todos ficassem protegidos do frio. Porém, quando se juntavam acabavam espetando-se uns aos outros.

Então se afastavam novamente e voltavam a tremer congelados.

Depois de várias vezes se aproximando e sendo espetados, depois de se afastar e sofrer com o frio, eles precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.

Depois de muito conversar, decidiram voltar a ficar juntos.

Aprenderam a conviver com as pequenas feridas que um causava no outro, já que o mais importante era o calor.

E assim sobreviveram.

Conselho de vó: Todas as pessoas têm qualidades e defeitos, o melhor relacionamento é quando aprendemos a lidar com os defeitos e valorizar as qualidades.

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Clique aqui para ler a história A galinha ruiva

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Autor desconhecido

Era uma vez uma galinha ruiva. Ela morava com seus pintinhos numa fazenda.

Um dia ela estava andando pelo milharal e viu que o milho estava maduro, pronto para ser colhido. Ela então teve a ideia de fazer um bolo de milho.

Mas era muito trabalho, tinha que colher o milho, debulhar, moer, misturar os ingredientes e depois assar.

Ela resolveu pedir ajuda aos outros moradores da fazenda, assim todos poderiam comer o bolo de milho juntos.

A galinha perguntou ao cachorro, mas ele falou:

– Eu não. Estou muito ocupado.

Ela perguntou ao porco:

– Eu não. Acabei de almoçar.

Ela perguntou à vaca:

– Eu não. Está na hora de brincar lá fora.

Ela perguntou ao gato:

– Eu não. Está na hora da minha soneca.

Então, a galinha ruiva foi preparar tudo sozinha, colheu as espigas, debulhou o milho, moeu, preparou o bolo e colocou no forno.

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Quando o bolo começou a ficar assado todos sentiram um cheiro maravilhoso e, aos poucos, foram chegando, cheios de vontade.

Então a galinha ruiva disse:

– Quem foi que me ajudou a colher, debulhar, moer e preparar o milho, para fazer o bolo?

Todos ficaram bem quietinhos

– Então quem vai comer esse delicioso bolo de milho somos eu e meus pintinhos, somente nós. Vocês podem continuar a descansar nos olhando.

Conselho de vó: Quem não luta com você na batalha, não pode estar com você na vitória.

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Clique aqui para ver a história A Onça e o Raio

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Lenda Indígena

Os índios Taulipangs, habitantes do extremo norte do Brasil, contam a seguinte lenda:

Certa vez, a Onça passeava pela mata quando encontrou o Raio. A Onça não conhecia bem o Raio, pois nunca tinha visto um em terra, por isso imaginou que se tratava de algum animal.

Então ela começou a pisar macio e, depois de dar a volta, sem ser vista, pulou sobre o Raio.

O Raio escapou com um pulo veloz, sem sofrer nada.

A Onça, desapontada, indagou:

– Quem é você?

– Sou o Raio, não vê?

– Você é muito forte, não é?

– Está enganada, não sou nada forte.

Ao escutar isso, a Onça inflou o peito e engrossou a voz.

– Pois eu sou o animal mais forte destas matas! Quando estou furiosa, não sobra nada inteiro!

Então, para demonstrar a sua força, a Onça trepou numa árvore enorme e começou a devastar tudo, quebrando os galhos um por um. Depois, desceu para o solo e começou a escavá-lo, atirando para cima tufos de relva e de terra até estar tudo revirado, como se um tatu doido tivesse passado por ali.

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– Muito bem, que achou disso? – disse a Onça.

O Raio escutou, mas não disse nada.

– Vamos, quero ver se sabe fazer algo parecido! – desafiou a Onça.

– Como poderia, se não tenho a sua força? – disse o Raio.

Inflada ainda mais pela confissão do Raio, a Onça começou uma nova demonstração de força, revolvendo tudo outra vez até abrir uma clareira na parte da mata onde estavam.

Enquanto a Onça sorria, esbaforida, o Raio soltou uma fagulha no chão e tudo começou a vibrar, fazendo a Onça quicar e rebolar pelo solo como um bicho de pano.

Em seguida aconteceu uma verdadeira tempestade de raios e ventania, a ponto de a Onça achar que o mundo se acabaria. Quando a tempestade finalmente cessou, a Onça mal encontrou forças para se colocar em pé e correr para se esconder atrás de uma rocha.

Mas o Raio gostou da brincadeira e arremessou uma fagulha que deu a volta na rocha, acertando com precisão o rabo da Onça. Ela deu o pulo mais alto de toda a sua vida.

O Raio continuou a soltar fagulhas com tanta intensidade para cima da pobre bichana que ela se viu obrigada a procurar refúgio na toca de um tatu gigante.

Tudo em vão, o Raio encontrou a cova do tatu e acertou em cheio, outra vez, os fundilhos da Onça. Não havia jeito, onde quer que a Onça buscasse refúgio, ali o braço longo do Raio a alcançava.

Ao mesmo tempo, começou a soprar um vento frio e a cair uma chuva gelada, e como a Onça já estava quase sem pelo algum, devido às queimaduras, pouco faltou para ela congelar-se.

– Depois do fogo, o frio! – gemia ela, batendo os dentes, toda enrodilhada no solo.

Somente ao ver a rival arriada e completamente vencida foi que o Raio se deu por satisfeito.

– Muito bem, agora diga quem é o mais forte por aqui?

E é por isso, segundo os Taulipangs, que as onças têm tanto medo de temporais.

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Clique aqui para ver a história O homem feliz

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História de Ítalo Calvino

Era uma vez um rei que tinha um filho único a quem muito amava. Mas o príncipe estava sempre descontente. Passava dias inteiros debruçado na sacada a olhar para longe.

— Mas o que lhe falta? — perguntava-lhe o rei. — O que é que você tem?

— Não sei, meu pai, nem eu mesmo sei.

— Está apaixonado?

— Não, papai, não estou apaixonado.

E o rei tentava distraí-lo de todas as formas: teatros, bailes, música, cantos, mas nada adiantava, e a cada dia desapareciam do rosto do príncipe as nuances do vermelho.

O rei publicou um edital, e de todas as partes do mundo vieram as pessoas mais instruídas: filósofos, doutores e professores. Mostrou-lhes o príncipe e pediu conselhos. Eles se retiraram para pensar e depois voltaram à presença do rei.

— Majestade, pensamos, lemos as estrelas e descobrimos o que deve fazer. Procure um homem que seja feliz, mas feliz em tudo e por tudo, e troque a camisa de seu filho com a dele.

Naquele mesmo dia, o rei mandou os embaixadores mundo afora a fim de procurar um homem feliz.

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Levaram-lhe um padre.

— O senhor é feliz? — perguntou-lhe o rei.

— Sim, Majestade!

— Muito bem. Ficaria contente em se tornar o meu bispo?

— Sim, Majestade!

— Não! Você não serve, procuro um homem feliz e contente com a sua condição, que não deseja estar em nada diferente do que está.

E o rei ficou esperando outro. Havia um rei seu vizinho, que era feliz, tinha uma esposa bonita e boa, um monte de filhos, vencera todos os inimigos na guerra, e seu país estava em paz.

Imediatamente, cheio de esperança, o rei mandou que os embaixadores fossem lhe pedir a camisa.

O rei vizinho recebeu os embaixadores e:

— Sim, sim, não me falta nada, porém é pena que, quando a gente tem tantas coisas, tenha que morrer e deixar tudo! Com tal pensamento, sofro tanto que não durmo à noite!

Ele não era totalmente feliz, os embaixadores acharam melhor ir embora.

Para desafogar seu desespero, o rei foi caçar. Atirou numa lebre e pensava tê-la atingido, mas a lebre fugiu mancando. O rei a perseguiu e afastou-se dos que o acompanhavam.

No meio dos campos, ouviu uma voz de homem cantando.  O rei parou e pensou: “Quem canta assim só pode ser feliz!”, e seguindo o canto entrou numa vinha e encontrou um jovem que cantava podando as videiras.

— Bom dia, Majestade — cumprimentou o jovem. — Tão cedo e já pelos campos?

— Bendito seja você, quer que o leve comigo para a capital? Será meu amigo.

— Ai, ai, ai, Majestade, não, não mesmo, obrigado. Não trocaria de lugar com nenhum homem do mundo.

— Mas por que você, um rapaz tão forte…

— Eu lhe digo que não. Estou contente assim e basta.

“Finalmente um homem feliz! ”, pensou o rei.

— Escute, jovem, deve me fazer um favor.

— Se puder, farei de todo o coração, Majestade.

— Espere um momento. 

E o rei, que não cabia mais em si de alegria, correu em busca de seu séquito:

— Venham! Venham! Meu filho está salvo.

E os conduziu até o jovem.

— Bendito jovem, — disse — lhe darei tudo o que quiser, se você me der…

— O que, Majestade?

— Meu filho está à beira da morte! Só você pode salvá-lo. Venha aqui!

O Rei o segurou, e começou a desabotoar o seu casaco, de repente, parou e olhou sem poder acreditar.

O homem feliz não tinha camisa.

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Clique aqui para ver a história O pescador e sua mulher

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Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez um pescador e sua mulher. Eles eram muito pobres e moravam em uma choupana a beira mar, um lugar muito solitário. Eles viviam dos peixes que ele pescava nas pedras porque, de tão pobre, ele não tinha nem um barco e assim, não podia se aventurar no mar onde estão os grandes cardumes.

Eles se contentavam com os peixes que apanhavam com anzóis ou redes lançadas no raso. Sua choupana era de pau-a-pique, coberta de folhas de palmeira e, quando chovia, a água entrava dentro da casa e os dois tinham que se encolher em algum canto.

Apesar de tudo eles eram muito felizes e tinham muitos momentos de alegria. Eles gostavam de conversar, de falar dos seus sonhos de um dia conseguir uma grande pescaria ou de encontrar um tesouro e então teriam uma casinha branca de janelas azuis, um jardim na frente e um quintal para as galinhas. Eles sabiam que a casinha branca não passava de um sonho, mas era bom sonhar e assim sonhando eles dormiam abraçados e felizes.

Em um dia, como todos os outros, o pescador saiu bem cedo com seus anzóis para pescar. O mar estava tranquilo e muito azul, o céu estava limpo e tinha uma brisa fresca no ar. De cima de uma pedra ele lançou o anzol e logo sentiu um tranco forte, um peixe estava preso no anzol. O pescador lutou muito e conseguiu tirar o peixe que era muito grande, com escamas prateadas e douradas, ele nunca tinha visto um peixe assim.

Foi então que ele levou um grande susto porque o peixe falou com ele:

– Pescador, eu sou um peixe mágico, um anjo dos deuses do mar, me devolva para o mar que eu realizarei o seu maior desejo!

O pescador nunca tinha visto algo semelhante, e por essa razão acreditou no peixe e então lhe disse:

– Eu e minha mulher temos um sonho, sonhamos com uma casinha branca, com janelas azuis, um jardim na frente e um quintal para as galinhas e mais, quero também um vestido novo para minha mulher.

Depois disso eles soltou o peixe no mar e voltou para a sua casa. De longe ele já pode ver o seu sonho realizado, lá estava a sua casinha branca de janelas azuis e ao chegar perto da casa sua mulher foi ao seu encontro com um lindo vestido novo dizendo:

– Nosso sonho se realizou!!!! Um milagre!!!

Eles se abraçaram e riram de felicidade, mas ela não estava entendendo nada.

Ele então lhe contou tudo o que havia acontecido com o peixe encantado.

Houve um momento de silêncio e o rosto da mulher se alterou, ela parou de rir e seu rosto ficou sério. Ela olhou para o marido e, pela primeira vez, ele lhe pareceu completamente tolo.

– Você poderia ter pedido o que quisesse? E porque não pediu uma casa maior, mais bonita, com varanda, três quartos, dois banheiros? Volte a praia, chame o peixe e diga que mudou de ideia. – disse a esposa.

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O homem se sentiu envergonhado com a repreensão da esposa, baixou a cabeça e voltou para a praia, o mar já não estava mais tão calmo nem o céu tão azul e começou a ventar. O pescador então gritou:

– Peixe encantado, de escamas prateadas e douradas!!!

O peixe então apareceu, colocou a cabeça para fora da água e disse:

– O que você deseja?

O pescador respondeu:

– Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido uma casa maior, com varanda, três quartos e dois banheiros.

– Pode ir, o desejo dela já foi atendido – disse o peixe encantado.

Ele voltou para casa e de longe já pode ver uma casa grande, do jeito que ela havia pedido. Chegando em casa ele falou para ela:

– Está feliz agora?

– Tolo, mil vezes tolo – respondeu a mulher – De que me vale esta casa neste lugar ermo, onde ninguém vê? O que eu desejo é um palacete elegante, na cidade, com dois andares, muitos banheiros, escadaria de mármore, fontes, piscina, jardins. Volte agora e fale isto para o peixe!!!

O pescador, obediente, voltou ao mar, que agora estava cinzento e agitado, o céu estava nublado e ventava forte.

– Peixe encantado, de escamas prateadas e douradas!!!

O peixe apareceu e perguntou:

– O que deseja pescador?

– Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido um palacete elegante na cidade….

Antes que ele terminasse a descrição da casa o peixe disse:

– Pode ir pescador, o desejo dela já foi realizado. – disse o peixe.

Depois de andar muito, já que agora eles não moravam mais na praia, ele chegou à cidade e lá encontrou o palacete elegante e sua mulher nele. Ele foi pensando que agora ela estaria completamente satisfeita, mas na verdade ela estava na janela observando o palacete vizinho, que era o homem mais rico da cidade, muito maior e mais bonito.. O seu rosto estava transtornado e seus olhos revirados de inveja. Então ela disse:

– Homem, o peixe disse que você poderia pedir o que quisesse. Volte e diga que eu desejo um palácio de rainha, com salões de baile, salões de banquete, parques, lagos, cavalariças, criados, capela!

O marido obedeceu e voltou para o mar, o céu estava todo cinza, o mar estava revolto e o vento estava sinistro. E ele gritou:

– Peixe encantado, de escamas prateadas e douradas!!!

O peixe veio ao seu encontro e assim que ele começou a falar o peixe interrompeu e disse:

– Volte! O desejo da sua mulher já está satisfeito!

O pescador voltou e o palácio era magnifico, muito mais bonito do que tinha imaginado, havia torres, bosques, jardins, lagos, fontes, criados, cavalos, cães de raça, salões ricamente decorados e ele pensou que agora ela estaria completamente satisfeita porque não tinha como querer algo melhor que tudo aquilo.

Lá fora chovia forte e o vento uivava. A mulher na janela, observava o reino vizinho e, vendo que lá não estava chovendo, começou a falar:

– De que me serve este palácio se não posso usufruir de nada por causa da chuva, volte ao mar e fale para o peixe decretar que neste reino faça sempre sol!

O homem, inconformado, voltou ao mar e novamente chamou o peixe:

– Peixe encantado, de escamas prateadas e douradas!!!

Assim que o peixe colocou a cabeça para fora da água o homem disse:

– Ela deseja que você decrete que no nosso reino somente haja sol.

Então o peixe disse:

– O que vocês procuram é felicidade, não é? Pois vou te dar felicidade! Volte ao local da sua primeira casa, lá você encontrará a felicidade. Não se preocupe que sua mulher não vai se lembrar de nada.

E falando isso o peixe desapareceu.

O pescador voltou para sua casa, o céu estava azul, soprava uma leve brisa e o sol estava ameno.

De longe avistou a sua casinha antiga, de pau-a-pique, coberta de folhas de palmeira. Viu sua mulher colhendo verduras na horta e assim que o viu, veio ao seu encontro sorrindo e disse:

– Que bom que voltou mais cedo!!! Vou te fazer uma sopa de ostras, aquela que você adora!

Ele entrou, ela fez a sopa, eles comeram juntos e conversaram sobre a casinha branca de janelas azuis que eles sonhavam. Depois do jantar foram para a cama e dormiram abraçados.

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