Autor desconhecido

Certa vez, um cachorrinho encontrou um osso e ia para a sua casa com o achado em sua boca.

Ele ia pensando no que faria, primeiro roeria, e quando não pudesse mais, enterraria em seu lugar secreto.

Ele estava feliz da vida com a descoberta.

Passando ao lado de um rio viu um cachorro que também carregava um osso, porém, teve a impressão de que o outro cachorro levava um osso maior.

O seu osso já não lhe pareceu tão bom assim, ele queria aquele, o que o outro cachorro carregava.

Mas como pegaria? Teria que brigar com ele?

Quando se aproximou do cachorro soltou o seu osso para poder disputar o outro e o outro cachorro fez o mesmo.

Só então percebeu que o outro cachorro era o seu reflexo no rio e que, ao soltar o seu osso, o deixou cair no fundo do rio.

Conselho de vó: Dê valor ao que é seu e não perderá nada.

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História de Ítalo Calvino

Era uma vez dois mercadores que moravam na mesma rua. Um tinha sete filhos e o outro tinha sete filhas. Todos os dias, o pai dos sete filhos cumprimentava o outro falando:

– Bom dia, mercador das sete vassouras.

O pai das sete filhas detestava este cumprimento e ficava com muita raiva do outro por isso.

Um dia a filha mais nova, que tinha dezessete anos, falou para o pai:

– Quando ele lhe falar assim, responda: “Bom dia, mercador das sete espadas. Vamos fazer uma aposta, peguemos minha última vassoura e a sua primeira espada e vejamos quem consegue pegar primeiro o cetro e a coroa do rei da França e trazê-los até aqui. Se minha filha vencer, você me entrega toda a sua mercadoria e, se seu filho vencer, perderei toda a minha mercadoria”. Assim que ele aceitar obrigue-o a assinar um contrato imediatamente.

O pai ficou de boca aberta ao ouvir o que a filha dizia: 

– Mas, minha filha, o que está dizendo? Quer que eu perca todas as minhas coisas?

– Papai, não tenha medo, deixe por minha conta, pense apenas em fazer a aposta que do resto cuido eu.

No dia seguinte, como de costume, quando se encontraram o mercador falou:

– Bom dia, mercador das sete vassouras!

E ele, rápido:

— Bom dia, mercador das sete espadas, façamos uma aposta: pego minha última vassoura e você, sua primeira espada, damos um cavalo e uma bolsa de dinheiro a cada um, e vejamos qual deles consegue nos trazer a coroa e o cetro do rei da França. Apostemos toda a nossa mercadoria, se minha filha vencer, pego todas as suas coisas, se seu filho vencer, você pega todas as minhas coisas.

O outro mercador o encarou por um momento, depois explodiu numa risada.

– Como é, ficou com medo? Não confia no seu filho? — provocou o pai das sete filhas.

E o outro, apanhado de surpresa, disse:

— Por mim, aceito, assinemos logo o contrato e façamos que partam imediatamente.

E foi logo contar tudo ao filho mais velho.

O rapaz adorou a novidade, achando que viajaria com a moça, que era muito bonita, porém, na hora da partida, a viu chegar vestida de homem, montada em uma potra branca e não entendeu nada.

Dada a partida a moça partiu a galope e o cavalo do rapaz estava com dificuldade de alcançá-la.

Para chegar à França era necessário passar por um bosque escuro e sem estradas nem atalhos. A potra se enfiou no bosque como se estivesse em casa. O filho do mercador, ao contrário, não sabia por onde conduzir seu grande cavalo, se enroscava nas moitas e se atrapalhava todo.

A moça superou o bosque e galopava longe.

Depois era preciso transpor uma montanha cheia de abismos e despenhadeiros. A moça atingiu o início da encosta quando ouviu o galope do grande cavalo do filho do mercador. A potra enfrentou a subida, como se estivesse em casa, saltou em meio aos pedregulhos e achou o caminho.

O jovem, ao contrário, empurrava seu cavalo à força de puxões das rédeas e acabou por deixá-lo manco.

Então, era necessário atravessar um rio e, de novo, como se estivesse em casa, a potra acertou o local de entrar na água e conseguiu passar sem grandes problemas.

Já o rapaz, quando chegou à beira do rio, entrou na parte mais funda e o cavalo começou a afundar, para não morrer afogado precisou voltar.

Em Paris, vestida de homem, a moça apresentou-se no castelo, dizendo se chamar Temperino. Ela disse que era um soldado e pediu trabalho no castelo.

Em pouco tempo ela se destacou em seu trabalho e foi designada para cuidar da guarda do rei, que assim que a viu ficou muito intrigado e falou com sua mãe:

– Mamãe, repare neste soldado Temperino, há qualquer coisa que não convence. Tem mãos delicadas, tem cintura fina, toca e canta, sabe ler e escrever. Temperino é a mulher que me faz suspirar!

— Meu filho, você está louco! — respondeu a rainha-mãe.

— Mamãe, é mulher, garanto-lhe. O que posso fazer para ter certeza?

— Há um jeito — disse a rainha-mãe. — Vá caçar com ele, se for atrás de codornas é uma mulher que só tem cabeça para os assados, se for atrás dos pintassilgos é um homem que só tem cabeça para o prazer da caça.

E, assim, o rei deu um fuzil a Temperino e o levou para caçar com ele.

O rei, para induzi-lo ao erro, pôs-se a disparar só contra as codornas.

— Majestade — disse Temperino — permita-me uma ousadia, já tem o suficiente para um assado. Dispare também contra os pintassilgos, pois é mais difícil.

Quando o rei retornou à casa, disse à mãe:

— Sim, ele só disparava contra os pintassilgos e não contra as codornas, mas não estou convencido. Tem mãos delicadas, tem cintura fina, toca e canta, sabe ler e escrever, Temperino é a mulher que me faz sonhar!

— Meu filho, tente de novo — disse a rainha. — Leve-o à horta para colher verduras. Se a colher bem em cima é mulher, pois nós, mulheres, temos mais paciência, se a arrancar com todas as raízes, é um homem.

O rei se dirigiu à horta e Temperino se pôs-se a arrancar pés inteiros de verdura, bem depressa, conseguiu encher um cesto de verdura, arrancando-a com raízes e terra grudada.

O rei estava desesperado, mas não se rendia.

— Tem mãos delicadas, cintura fina… — repetia para a mãe —, canta e toca, sabe ler e escrever, Temperino é a mulher que me faz suspirar.

— A essa altura, meu filho, só lhe resta levá-lo para tomarem banho juntos.

Assim, o rei disse a Temperino:

— Venha, vamos tomar banho no rio.

Tendo chegado ao rio, Temperino disse:

—Majestade, dispa-se primeiro.

E o rei se despiu e entrou na água.

— Venha também você! — disse a Temperino.

— Minha potra! — gritou Temperino. — Espere, Majestade, pois tenho que ir atrás de minha égua que está fugindo.

Ela recolheu as roupas do rei, para que ele ficasse preso ao rio e correu ao palácio real.

— Majestade — disse à rainha —, o rei se despiu no rio e alguns guardas, não o reconhecendo, querem prendê-lo. Mandou que viesse lhe pedir seu cetro e sua coroa para se fazer reconhecer.

A rainha pegou o cetro e a coroa, e os entregou a Temperino. Assim que os recebeu, Temperino montou na potra e partiu a galope cantando:

– Donzela cheguei, donzela regressei! O cetro e a coroa conquistei!

Passou pelo rio, passou pelo monte, passou pelo bosque e retornou à casa, seu pai venceu a aposta, ficou ainda mais rico e nunca mais o seu vizinho o importunou.

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Clique aqui para ler a história O asno e a carga de sal

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Fábula de Esopo

Cerva vez, um asno estava atravessando um rio com a água batendo na barriga, carregando no lombo dois grandes sacos de sal. De repente ele perdeu o equilíbrio e afundou. Ele ficou desesperado achando que ia morrer, pois não conseguiria se levantar.

Porém, o sal derreteu rapidamente, ele ficou leve, conseguiu se levantar e ainda terminou a viagem sem carregar nenhum peso.

Um tempo depois, foi atravessar o mesmo rio, mas desta vez carregava uma carga de algodão. Ele se lembrou do que havia acontecido anteriormente e, mesmo com uma carga tão leve, no desejo de se livrar dela se jogou na água.

Porém, o algodão absorveu a água e ficou tão pesado que o asno não pode se levantar e morreu afogado.

Conselho de vó: Às vezes, tentando melhorar o que já está bom, perdemos tudo.

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Clique aqui para ler a história Omusubi rolante

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História Japonesa

Era uma vez no Japão antigo, um velhinho que vivia com sua esposa. Eles eram pobres e ele trabalhava como lenhador. Todos os dias ele ia às montanhas para pegar lenha.

Certa vez, na hora do almoço, ele se sentou na floresta para almoçar e ficou feliz porque sua esposa havia preparado três omusubi (bolinho de arroz) para ele comer. Quando foi dar o primeiro bocado, o bolinho caiu e começou a rolar pelo terreno. Ele correu atrás para recuperá-lo, mas o omusubi foi rolando e caiu dentro de um buraco muito fundo.

Ele ficou triste porque gostava muito do omusubi que sua esposa preparava e estava com fome.

De repente, ele ouviu uma linda música saindo do buraco e seu coração se alegrou ao ouvi-la.

Quando a música parou, ele falou:

– Por favor, cantem novamente!

Mas nada aconteceu, então ele resolveu jogar outro omusubi lá para baixo e novamente ouviu aquela linda canção.

De novo, quando a música parou, ele jogou seu terceiro omusubi no buraco e pela terceira vez ouviu a canção.

Quando silenciou, ele resolveu entrar no buraco para ver o que encontraria.

Ao chegar lá embaixo, ficou deslumbrado, o interior do buraco era um magnífico castelo repleto de centenas de ratinhos brancos por todos os lados.

À sua frente apareceu um rato mais velho que os demais e lhe disse:

– Seja bem-vindo à nossa casa, este é o país dos ratos brancos, sinta-se à vontade!

 Alguns ratinhos trouxeram para ele vários alimentos deliciosos, cantaram e dançaram para ele.

Quando começou a anoitecer ele agradeceu aos ratinhos por tudo e estava se despedindo quando o ratinho mais velho trouxe dois saquinhos, um grande e um pequeno e falou para o homem:

– Aceite um desses dois saquinhos como presente em retribuição pelos omusubi que nos enviou pelo buraco.

Humildemente, o velhinho escolheu o menor, agradeceu a hospitalidade e foi embora.

Chegando em casa, contou tudo o que aconteceu à sua esposa e juntos, abriram o saquinho que ele trouxera de presente.

Viram que o saquinho estava cheio de arroz e ela resolveu fazer mais omusubi. No entanto a velha senhora percebeu que quando tirava arroz do saquinho, ele imediatamente se enchia novamente, como mágica.

Desse dia em diante, nunca mais faltou arroz na casa deles e podiam até dividir com quem precisasse.  E quando ia trabalhar, o velhinho sempre levava omusubi para jogar no buraco e ouvir os ratinhos cantarem.

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Clique aqui para ler a história A Raposa e o Corvo

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Fábula de Esopo

Certa vez um Corvo roubou um queijo e foi sentar-se no alto de uma árvore para comê-lo.

A Raposa, vendo aquele queijo começou a salivar de vontade. Ela sabia que se pedisse, o Corvo não dividiria com ela, então falou para ele:

– Bom dia, meu amigo Corvo, fico feliz em te ver assim tão bem. Me disseram que o canto do rouxinol é o mais belo de todos, porém, tenho minhas dúvidas, acredito que o seu canto é ainda mais belo.

O Corvo ficou todo cheio ao ouvir aquele elogio.

A Raposa continuou falando:

– Cante, meu amigo, tenho certeza que vai desbancar todos os rouxinóis.

Assim que o corvo soltou o primeiro som, o queijo caiu do seu bico, bem nas mãos da Raposa, que saiu feliz da vida, rindo do acontecido.

Conselho de vó: desconfie sempre de quem fica te adulando para não ser enganado.

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Clique aqui para ler a história Corcunda, manca e de pescoço torto

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