Adaptação de MFátima Lima

Diz que era uma vez um homem que tinha tantos filhos que não achava mais quem fosse seu compadre. Nascendo mais um filhinho, saiu para procurar quem o apadrinhasse e, depois de muito andar encontrou a Morte, a quem convidou.

A Morte aceitou e foi a madrinha da criança. Quando acabou o batizado voltaram para casa e a madrinha disse ao compadre:

– Compadre! Quero fazer um presente ao meu afilhado e penso que é melhor enriquecer o pai. Você vai ser médico de hoje em diante e nunca errará no que disser. Quando for visitar um doente me verá sempre. Se eu estiver na cabeceira do enfermo, receite até água pura que ele ficará bom. Se eu estiver nos pés, não faça nada porque é um caso perdido.

O homem assim fez. Botou aviso que era médico e ficou rico do dia para a noite porque não errava. Olhava o doente e ia logo dizendo:

– Este escapa!

Ou então:

– Tratem do caixão dele!

Quem ele tratava, ficava bom. O homem nadava em dinheiro.

Vai um dia adoeceu o filho do rei e este mandou buscar o médico, oferecendo uma riqueza pela vida do príncipe. O homem foi e viu a Morte sentada nos pés da cama. Como não queria perder a fama, resolveu enganar a comadre, e mandou que os criados virassem a cama, os pés passaram para a cabeceira e a cabeceira para os pés. A Morte, muito contrariada, foi-se embora, resmungando.

O médico estava em casa um dia quando apareceu sua comadre e o convidou para visitá-la.

– Eu vou – disse o médico – se você jurar que voltarei!

– Prometo – disse a Morte.

Levou o homem num relâmpago até sua casa.

Tratou-o muito bem e mostrou a casa toda. O médico viu um salão cheio, cheio de velas acesas, de todos os tamanhos, uma já se apagando, outras vivas, outras esmorecendo. Perguntou o que era:

– É a vida do homem. Cada homem tem uma vela acesa. Quando a vela se acaba, o homem morre.

O médico foi perguntando pela vida dos amigos e conhecidos e vendo o estado das vidas. Até que lhe palpitou perguntar pela sua. A Morte mostrou uma velinha pequena, quase no fim.

– Virgem Maria! Essa é que é a minha? Então eu estou morre não morre!

A morte disse:

– Está com horas de vida e por isso eu trouxe você para aqui como amigo, mas você me fez jurar que voltaria e eu vou levá-lo para você morrer em casa.

O médico quando deu acordo de si estava na sua cama rodeado pela família.

Chamou a comadre e pediu:

– Comadre, me faça o último favor. Deixe eu rezar um Padre-Nosso. Não me leves antes. Jura?

– Juro – prometeu a Morte.

O homem começou a rezar o Padre-Nosso que estás no céu… E calou-se.

Vai a Morte e diz:

– Vamos, compadre, reze o resto da oração!

– Nem pense nisso, comadre! Você jurou que me dava tempo de rezar o Padre-Nosso mas eu não expliquei quanto tempo vai durar minha reza. Vai durar anos e anos…

A Morte foi-se embora, zangada pela sabedoria do compadre.

Anos e anos depois, o médico, velhinho e engelhado, ia passeando nas suas grandes propriedades quando reparou que os animais tinham furado a cerca e estragado o jardim, cheio de flores. O homem, bem contrariado disse:

– Só queria morrer para não ver uma miséria destas!…

Não fechou a boca e a Morte bateu em cima, carregando-o. A gente pode enganar a Morte duas vezes mas na terceira é enganado por ela.

***

Veja aqui a história A Festa no Céu

Quer ganhar um e-book de história infantis? Clique aqui

História de minha vó Conceição

Minha avó contou que esta história aconteceu com um conhecido de seu pai.

O Sr. Sinfrônio era um homem muito rico, ele tinha uma fazenda muito grande, onde plantava cana-de-açúcar. Ele tinha também um engenho de açúcar, onde fazia melado, rapadura e açúcar mascavo.

Um dia um homem da cidade, chamado João, procurou o Sr. Sinfrônio para pedir dinheiro emprestado e o Sr. Sinfrônio emprestou uma quantia considerável a ele.

Depois de alguns meses o Sr. João faleceu de forma repentina.

Desde a morte do Sr. João começaram a acontecer coisas muito assustadoras na casa do Sr. Sinfrônio, especialmente de madrugada.

O Sr. Sinfrônio e sua família acordavam toda noite ouvindo barulhos estranhos pela casa.

Um dia, um de seus filhos, assustado com o barulho, pegou a espingarda e saiu na porta da frente da casa e deu vários tiros para o alto para assustar um possível ladrão.

Mas a esposa do Sr. Sinfrônio foi logo falando:

– Isso não é gente, não, meu filho, é o espírito do Sr. João que tá preocupado porque morreu sem pagar a dívida.

E falou para seu marido:

– Você tem que falar pra ele que a dívida esta perdoada ou a gente não vai ter sossego.

O Sr. Sinfrônio achou aquilo uma bobagem sem tamanho e mandou todo mundo dormir.

Na noite seguinte o barulho aumentou e na seguinte aumentou ainda mais.

Uma noite, todos acordaram muito assustados. O barulho foi tão alto e forte que foi como se todos os móveis da sala tivessem levitado até o teto e caído de uma vez no chão.

Nessa noite o Sr. Sinfrônio se assustou tanto que deu um grito bem alto:

– Tá perdoado, Sr. João! A dívida está perdoada, pode descansar em paz.

Desde este dia nunca mais ninguém ouviu barulho de madrugada naquela casa.

***

Veja aqui a história do Coelho e a Tartaruga

Veja aqui as informações do livro “Joãozinho e a Maçã”

História de minha vó Conceição

Uma vez, minha avó, que morava em um sítio, foi junto com sua família até a cidade para participar da missa, era um domingo a noite, naquele dia teve quermesse e eles ficaram lá até bem tarde. Naquela época quase ninguém tinha carro e eles faziam tudo a pé ou a cavalo. Minha avó e toda a sua família então voltaram a pé, porque não tinha cavalo pra todo mundo, ela tinha nove irmãos.

Era uma noite de lua cheia.

Quando eles estavam voltando, passaram pelo sítio de um vizinho, chamado Frederico e viram ele de longe com um machado cortando uma árvore.

Meu bisavô achou aquilo muito estranho, era quase meia noite de um domingo.

Então ele gritou:

– Ô seu Frederico, corta essa árvore amanhã, homem!!

O Sr. Frederico não respondeu, continuou cortando a árvore, quando eles estavam mais longe, quase chegando no sítio deles, ouviram a árvore caindo e olharam pra trás.

No dia seguinte eles levantaram cedo pra trabalhar na roça quando o filho do Sr. Frederico veio correndo pra casa deles pra contar que o pai dele tinha morrido.

O meu bisavô falou:

– Mas também, porque ele foi cortar aquela árvore de madrugada, por certo se esforçou demais!

– Que árvore, Seu Joaquim? – respondeu o filho.

– A árvore que ele estava cortando, era quase meia noite, a gente viu.

– Meu pai não cortou árvore nenhuma, Seu Joaquim, ele morreu ontem as 11 horas da noite.

Meu bisavô foi correndo lá no sítio do Seu Frederico e para sua surpresa a árvore estava de pé.

***

Veja aqui a história O leão e os Ratinhos

Veja aqui as informações do livro “Joãozinho e a Maçã”

História de minha vó Conceição

Minha avó sempre contava que já tinha visto a mula sem cabeça e eu tinha medo até de ouvir a história.

Foi assim que aconteceu.

Ela era bem nova, tinha uns seis anos de idade.

Sua família tinha ido a uma quermesse na Igreja da cidade e estavam voltando a pé, bem tarde da noite.

De repente, todos viram um clarão no meio do mato. O seu pai falou para eles andarem mais rápido e não olhar para trás.

Todos fizeram isso, mas minha avó estava muito curiosa e ficava tentando espiar. A luz começou a se aproximar.

Quando chegaram na porteira do sítio de meu bisavô a luz estava bem atrás deles e minha avó deu uma espiada. A mula sem cabeça era uma mula que no lugar da cabeça tinha um fogaréu.

O meu bisavô abriu a porteira e todos passaram bem rápido e correram para casa, tremendo de medo.

Depois disso meu bisavô contou para os filhos que a mula sem cabeça era uma mulher que tinha namorado um padre e por isso foi amaldiçoada e virou uma mula sem cabeça.

***

Veja aqui a história O menino que gritou “O lobo”

Veja aqui as informações do livro “Joãozinho e a Maçã”