Fábula de Monteiro Lobato

Certa vez, perdido depois de uma tempestade, um Morcego caiu em um ninho de coruja, e teria ali ficado se não fosse a dona do ninho regressar e começar a enxotá-lo:

– Como se atreve a entrar na minha casa, não sabe que odeio os ratos!!!

– Então acha que sou um rato? Pois não tenho asa e voo como você? – respondeu o Morcego.

A Coruja não soube como discutir com o argumento e por isso lhe poupou a pele.

Procurando outro abrigo o pobre Morcego acabou parando na toca de um gato-do-mato, que ao ver o intruso começou a expulsá-lo dali:

– Como tem o topete de invadir a minha casa? Não saber que detesto aves?

– E quem disso que sou ave? Sou bicho de pelo como você!

– Mas sei que voa, não voa?

– Não, somente caio com elegância – respondeu o Morcego.

– Mas tem asa, não tem?

– Asa? Que tolice, teria asas se tivesse penas.

O gato-do-mato ficou sem argumento e o deixou ir embora sem prejudicá-lo.

Conselho de vó: em momentos adversos, quem se adapta, sobrevive.

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Fábula de Monteiro Lobato

A Onça caiu da árvore e ficou acamada por muitos dias, como não podia sair da toca começou a ficar com fome e chamou a comadre Irara para pedir ajuda.

– Diga aos animais que estou doente, muito doente, peça que venham me visitar – falou a Onça para a Irara.

A Irara deu o recado a todos os animais e eles começaram a fazer visitas, veio a Capivara, a Cutia, o Veado, e por fim veio o Jabuti.

Ao entrar na toca o Jabuti viu as pegadas dos animais que tinham vindo primeiro, mas o que o deixou curioso foi que tinha pegadas entrando, mas não tinha nenhuma saindo.

– Me parece que nesta toca quem entra não sai, acho que em vez de visitar vou para minha casa rezar por ela.

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História de Figueiredo Pimentel

Miramil III era um poderoso Rei conhecido por ser bom para o seu povo, fazia questão de ouvi-los e queria sempre fazer o melhor para o bem da nação.

Porém, o Rei tinha três ministros muito arrogantes que se gabavam de saber tudo e de serem melhores que as outras pessoas do reino, quando na verdade, não passavam de homens ordinários.

O Rei então decidiu dar uma lição nesses homens e mostrar que eles não eram capazes nem de entender o próprio povo.

Miramil III os convidou para dar um passeio pelas redondezas do castelo em uma carruagem. No caminho encontraram um velho que estava a arar a terra. O homem, respeitosamente, tirou o chapéu para cumprimentá-los.

– Quanta neve vai pela serra! – disse o rei.

– Já é tempo dela, real senhor –  respondeu o velho roceiro.

– Quantas vezes já queimaste a casa?

– Duas, real senhor.

– Quantas vezes tens de queimá-la?

– Três, real senhor.

– Se eu te mandar três patos, serás capaz de depenar?

– Quantos mandardes, real senhor.

Saindo dali o soberano ordenou que os três ministros respondessem o que ele havia conversado com o velho, sob pena de serem enforcados.

Os sabichões, que não tinham entendido nada, pediram uma semana para responder. Leram quantos livros encontraram, mas não puderam decifrar a conversa.

Resolveram, então, ir consultar o velho às escondidas.

O velho comprometeu-se a responder com a condição de lhe darem a roupa que estavam vestindo.

Os ministros aceitaram e despiram-se.

– Quanta neve vai pela serra, quer dizer que já tenho a cabeça muito branca, e por isso respondi que já era tempo dela, pois já sou bem velho. Queimar a casa, é casar uma filha, porque quem casa uma filha, gasta tanto, como se tivesse tido um incêndio. E os três patos para depenar, são os senhores.

Quando o ancião acabou de falar, apareceu o rei, que se achava escondido.

Os três ministros ficaram com medo do castigo do Rei, mas o que ele fez foi explicar que a função deles era de trabalhar para o povo e não para se gabar o tempo todo de serem melhores que o povo. Para isso eles deveriam, em primeiro lugar, entender o povo e o que falam.

Não os mandou matar, mas os castigou, condenando-os a darem bons dotes às três filhas do velho que ainda estavam por casar.

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Baseado em história de Monteiro Lobato

Certa vez, chegou ao povoado um homem que dizia aos quatro ventos que seria capaz de ensinar um burro a ler e escrever.

A população duvidava de suas palavras, mas ele falava com tanta propriedade que o assunto chegou aos ouvidos do velho Rei que mandou chamá-lo.

– É mesmo capaz de ensinar um burro a ler e escrever? – perguntou o Rei

– Claro que sim, majestade! Aprendi as mais avançadas técnicas de educação e, dessa forma, posso ensinar qualquer um a ler e escrever, seja um homem ou até mesmo um burro.

O rei, querendo ter essa atração para apresentar e se mostrar, respondeu:

– Essa eu quero ver! O que precisa para realizar essa proeza?

– Preciso de um burro e de alguém de que me dê casa e sustento por 10 anos. No final deste período o burro estará lendo e escrevendo

– Então, que assim seja, te darei o que pede!

Depois de conseguir tudo o que havia pedido, o homem estava feliz da vida e tranquilo quanto ao seu futuro.

Dias depois, um amigo de outro povoado veio lhe visitar e perguntou:

– Como vai fazer para ensinar o burro a ler e escrever?

– Meu amigo, quanta ingenuidade!!! Em dez anos, eu, o Rei ou o burro estaremos mortos e de qualquer forma eu sairei ganhando, não é???

Conselho de vó: Esse mundo precisa de bobos para o esperto se dar bem.

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Conto de Figueiredo Pimentel

Custódio era um sapateiro que vivia exclusivamente do seu ofício, embora, por mais que se esforçasse, por mais que trabalhasse, nunca recebia justa recompensa pelo seu trabalho. Por isso era muito pobre.

Certa vez, se viu quase na miséria. Mas recebera uma encomenda, um par de botas de verniz. Ele usou todo o seu dinheiro para comprar o material e, com o lucro desse trabalho, desde que ficasse bom e fosse entregue sem falta no dia marcado, seria muito bem pago.

Porém, no dia em que ia começar o serviço, adoeceu. Foi uma fatalidade, porque não poderia entregar as botas no dia designado e, desse modo, iria perder o material.

À noite se deitou, sentindo-se muito mal, assolado por violentíssima febre. Pela manhã acordou ainda mais doente.

Assim mesmo, febril, tremendo de frio, e com terrível enxaqueca, tentou trabalhar. Foi procurar o verniz e ficou surpreso ao ver que as botas estavam prontas. Viu que estavam muito bem-feitas, o trabalho era esplêndido, digno de um hábil artista.

Quando o freguês veio buscar a encomenda, pagou mais do que havia tratado, tão satisfeito ficou com as botas.

Com o dinheiro dessa venda, o sapateiro pediu à esposa que comprasse material para fazer dez pares de botinas.

Ele deixou o material na oficina para começar a trabalhar no dia seguinte.

Mas, no outro dia, quando se dirigiu para a sua mesa de trabalho, encontrou tudo pronto, como na noite anterior.

Dessa vez também não faltaram fregueses. Com o dinheiro que produziu nessa venda, ele pôde comprar couro para outros pares.

No terceiro dia as botinas estavam prontas. E assim sucedeu noites e noites seguidas, durante muito tempo. Todo o couro que Custódio comprava em um dia, aparecia pronto, transformado em pares de botinas, muito bem-feitas. Desta maneira o sapateiro foi melhorando de vida.

Uma noite, na véspera de Natal, falou para sua esposa Adelina:

– E se nós passássemos a noite em claro, para ver quem nos ajuda dessa maneira?

Adelina concordou. Deixaram uma lamparina acesa, esconderam–se dentro de um guarda-roupas que ficava na oficina e esperaram.

Quando o relógio bateu meia-noite, dois anõezinhos, completamente nus, sentaram-se na mesa do sapateiro, e apanhando o couro, com as suas mãozinhas começaram a trabalhar com tanta ligeireza e cuidado que não se ouvia barulho algum.

Trabalharam sem cessar, até que a obra ficou pronta, desaparecendo então subitamente.

No dia seguinte, Adelina disse:

– Aqueles anõezinhos têm nos enriquecido, é preciso que nos mostremos reconhecidos. Eles devem sentir muito frio andando assim, nus, sem nada sobre o corpo. Vou costurar uma camisa para cada um, um paletó, uma calça e um colete, vou fazer um par de meias de tricô, e você faz para cada um, um par de botinas.

Custódio aprovou a ideia da mulher e, à noite, quando tudo estava pronto, colocaram os objetos sobre a mesa em vez do couro para os sapatos, esconderam-se de novo, para ver de que modo os anões receberiam os presentes.

À meia-noite, os anões chegaram e iam começar o trabalho quando, no lugar do couro, encontraram as roupas. A princípio mostraram grande espanto, que depressa se transformou em grande alegria.

Vestiram imediatamente as roupinhas, e começaram a cantar, dançar e saltar.

Depois desse dia nunca mais foram vistos, porém, desde então tudo o que Custódio empreendia dava certo e, aos poucos, ele foi se tornando o homem mais rico da cidade.

Conselho de Vó:  A gratidão faz milagres em nossa vida.

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Veja aqui a história Focinho de porco

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