Conto de Figueiredo Pimentel

Custódio era um sapateiro que vivia exclusivamente do seu ofício, embora, por mais que se esforçasse, por mais que trabalhasse, nunca recebia justa recompensa pelo seu trabalho. Por isso era muito pobre.

Certa vez, se viu quase na miséria. Mas recebera uma encomenda, um par de botas de verniz. Ele usou todo o seu dinheiro para comprar o material e, com o lucro desse trabalho, desde que ficasse bom e fosse entregue sem falta no dia marcado, seria muito bem pago.

Porém, no dia em que ia começar o serviço, adoeceu. Foi uma fatalidade, porque não poderia entregar as botas no dia designado e, desse modo, iria perder o material.

À noite se deitou, sentindo-se muito mal, assolado por violentíssima febre. Pela manhã acordou ainda mais doente.

Assim mesmo, febril, tremendo de frio, e com terrível enxaqueca, tentou trabalhar. Foi procurar o verniz e ficou surpreso ao ver que as botas estavam prontas. Viu que estavam muito bem-feitas, o trabalho era esplêndido, digno de um hábil artista.

Quando o freguês veio buscar a encomenda, pagou mais do que havia tratado, tão satisfeito ficou com as botas.

Com o dinheiro dessa venda, o sapateiro pediu à esposa que comprasse material para fazer dez pares de botinas.

Ele deixou o material na oficina para começar a trabalhar no dia seguinte.

Mas, no outro dia, quando se dirigiu para a sua mesa de trabalho, encontrou tudo pronto, como na noite anterior.

Dessa vez também não faltaram fregueses. Com o dinheiro que produziu nessa venda, ele pôde comprar couro para outros pares.

No terceiro dia as botinas estavam prontas. E assim sucedeu noites e noites seguidas, durante muito tempo. Todo o couro que Custódio comprava em um dia, aparecia pronto, transformado em pares de botinas, muito bem-feitas. Desta maneira o sapateiro foi melhorando de vida.

Uma noite, na véspera de Natal, falou para sua esposa Adelina:

– E se nós passássemos a noite em claro, para ver quem nos ajuda dessa maneira?

Adelina concordou. Deixaram uma lamparina acesa, esconderam–se dentro de um guarda-roupas que ficava na oficina e esperaram.

Quando o relógio bateu meia-noite, dois anõezinhos, completamente nus, sentaram-se na mesa do sapateiro, e apanhando o couro, com as suas mãozinhas começaram a trabalhar com tanta ligeireza e cuidado que não se ouvia barulho algum.

Trabalharam sem cessar, até que a obra ficou pronta, desaparecendo então subitamente.

No dia seguinte, Adelina disse:

– Aqueles anõezinhos têm nos enriquecido, é preciso que nos mostremos reconhecidos. Eles devem sentir muito frio andando assim, nus, sem nada sobre o corpo. Vou costurar uma camisa para cada um, um paletó, uma calça e um colete, vou fazer um par de meias de tricô, e você faz para cada um, um par de botinas.

Custódio aprovou a ideia da mulher e, à noite, quando tudo estava pronto, colocaram os objetos sobre a mesa em vez do couro para os sapatos, esconderam-se de novo, para ver de que modo os anões receberiam os presentes.

À meia-noite, os anões chegaram e iam começar o trabalho quando, no lugar do couro, encontraram as roupas. A princípio mostraram grande espanto, que depressa se transformou em grande alegria.

Vestiram imediatamente as roupinhas, e começaram a cantar, dançar e saltar.

Depois desse dia nunca mais foram vistos, porém, desde então tudo o que Custódio empreendia dava certo e, aos poucos, ele foi se tornando o homem mais rico da cidade.

Conselho de Vó:  A gratidão faz milagres em nossa vida.

***

Veja aqui a história Focinho de porco

Quer ganhar um e-book de histórias infantis? Clique aqui

História de Beatrix Potter

Era uma vez quatro coelhinhos, e seus nomes eram – Flopsy, Mopsy, Cotton-tail e Peter. Eles viviam com sua mãe em um banco de areia, debaixo da raiz de uma grande árvore.

– Agora, meus queridos – disse a velha Sra. Coelho uma manhã – vocês podem ir para os campos ou descer a estrada, mas não podem ir para a horta do Sr. McGregor. Seu pai sofreu um acidente lá, ele foi capturado e colocado em uma torta pela Sra. McGregor. Agora vão e não façam travessuras.

Então a velha Sra. Coelho pegou uma cesta, o seu guarda-chuva e foi pela floresta até à padaria. Lá, ela comprou um pão preto e cinco pães de groselha.

Flopsy, Mopsy e Cotton-tail, que eram bons coelhinhos, desceram a rua para colher amoras, mas Peter, que era muito travesso, correu imediatamente para a horta do Sr. McGregor e se espremeu sob o portão.

Primeiro, ele comeu algumas alfaces e algumas vagens, depois, comeu alguns rabanetes, e então, sentindo-se bastante cheio e enjoado de tanto comer, foi procurar um pouco de salsa.

Enquanto procurava a salsa, ao lado dos pés de pepino ele se deparou com o Sr. McGregor!

O Sr. McGregor, que estava ajoelhado plantando repolhos, deu um pulo e correu atrás de Peter, acenando com um ancinho e gritando:

– Pare, ladrão!

Peter, que estava terrivelmente assustado, correu por todo o jardim, pois havia se esquecido do caminho de volta para o portão. Ele perdeu um dos sapatos entre as couves e o outro entre as batatas.

Depois de perdê-los, correu com as quatro patas, o que foi mais rápido, de modo que poderia ter escapado por completo se, infelizmente, não tivesse colidido com uma rede de groselha e ficado preso pelos grandes botões de sua jaqueta. Era um casaco azul com botões de latão, bastante novo.

Peter se deu por perdido e começou a chorar, seus soluços foram ouvidos por alguns pardais amigáveis, que voaram até ele com grande excitação e falaram para ele se esforçar para sair dali.

O Sr. McGregor apareceu com uma peneira, que pretendia colocar em cima de Peter, mas o coelhinho se contorceu bem a tempo, deixando sua jaqueta para trás.

Ele correu para o galpão de ferramentas e saltou para dentro de uma lata. Teria sido um ótimo esconderijo, se não tivesse tanta água dentro.

O Sr. McGregor tinha certeza de que Peter estava em algum lugar no depósito de ferramentas, talvez escondido debaixo de um vaso de flores. Ele começou a virá-los com cuidado, olhando embaixo de cada um. De repente, Peter espirrou:

 – Atichim!

O Sr. McGregor estava bem em cima dele e tentou segurá-lo com o pé, mas Peter saltou pela janela, derrubando três plantas. A janela era pequena demais para o Sr. McGregor e ele estava cansado de correr atrás de Peter. Então, deixou o coelhinho ir e voltou ao trabalho, afinal, ele ainda estava preso na horta e não poderia sair.

Peter sentou-se para descansar, estava sem fôlego e tremendo de medo, não tinha a menor ideia de que caminho seguir. Ele também estava muito molhado por ficar sentado naquela lata. Depois de um tempo continuou a procurar uma saída, não muito rápido e olhando para todos os lados.

Ele encontrou uma porta, mas estava trancada e não havia espaço para um coelhinho gordo se espremer por baixo. Um velho camundongo entrava e saía correndo pela soleira da porta, levando ervilhas e feijão para a família na floresta. Peter perguntou-lhe o caminho para o portão, mas o camundongo estava com uma ervilha tão grande na boca que não conseguiu responder. Ele apenas balançou a cabeça e Peter começou a chorar.

Em seguida, tentou encontrar o caminho pela horta, mas ficava cada vez mais confuso. Depois chegou a um lago onde o Sr. McGregor enchia suas latas de água. Um gato branco estava olhando para algum peixinho dourado. Peter achou melhor ir embora sem falar com o gato, ele tinha ouvido de seu primo, o pequeno Benjamin Bunny, coisas horríveis sobre gatos.

O pequeno coelho voltou para o galpão de ferramentas, mas de repente, bem perto dele, ouviu o barulho de uma enxada. Peter correu por baixo dos arbustos. Mas, como nada aconteceu, ele logo saiu, subiu em um carrinho de mão e espiou. A primeira coisa que viu foi o Sr. McGregor capinando cebolas. Suas costas estavam voltadas para Peter, e além dele estava o portão.

Peter desceu do carrinho de mão muito silenciosamente e começou a correr o mais rápido que podia, em uma caminhada em linha reta atrás de alguns arbustos de groselha. O Sr. McGregor o avistou, mas Peter não se importou. Ele escorregou por baixo do portão e finalmente estava seguro na floresta do lado de fora da horta.

O Sr. McGregor pendurou o casaco e os sapatos de Peter no espantalho usado para assustar os animais. Pedro correu sem olhar para trás até chegar em casa.

Ele estava tão cansado que se jogou na areia fofa do chão da toca do coelho e fechou os olhos. Sua mãe estava ocupada cozinhando, ela se perguntou o que ele tinha feito com suas roupas. Foi o segundo casaco e par de sapatos que Peter perdeu em quinze dias!

Peter não estava muito bem à noite. Sua mãe o colocou na cama e fez chá de camomila para ele.

– Uma colher de sopa na hora de dormir.

Mas Flopsy, Mopsy e Cotton-tail comeram pão, leite e amoras no jantar.

***

Veja aqui a história O Príncipe Sapo

Quer ganhar um e-book de histórias infantis? Clique aqui

História de Figueiredo Pimentel

Era uma vez um velho Rei chamado Ubaldo que era muito bom e caridoso com o seu povo e com os animais. Mesmo em vida ele já havia recebido o nome de O Bom Rei.

Um dia, enquanto passeava no bosque viu, vindo em sua direção, um coelho que fugia de alguns cães que o perseguiam. O coelho, ao se aproximar, pulou em seu colo buscando socorro.

O Rei acariciou o coelho e disse:

– Já que se colocou sob minha proteção, não deixarei que te façam mal.

E levou o bichinho para o palácio.

À noite, quando já estava em seus aposentos, pronto para se deitar, apareceu-lhe uma moça muito linda, vestida de branco, com os deslumbrantes trajes de princesa real, tendo, em vez de uma coroa, uma grinalda de rosas brancas.

O Rei ficou admirado de vê-la no quarto, porque a porta estava fechada, não entendendo como podia ter ela entrado.

– Eu me chamo Cândida e sou uma fada – disse ela. Estava no bosque e quis ver se você era bom como todo o mundo diz. Por isso encantei-me no coelhinho, e saltei em teus braços. Queria ver se seria bom para os animais, porque sei que quem tem piedade deles, é bom de verdade. Vim te agradecer e te garantir a minha proteção. Pede o que quiseres, que te prometo fazer.

– Linda fada – disse o bom rei – deves saber o que desejo. Tenho um único filho que muito estimo, e por isso lhe dei o nome de Querido. Se quer me conceder alguma graça, seja sua protetora.

– Posso fazê-lo o mais rico, o mais belo ou o mais poderoso dos príncipes. Escolhe o que quiseres para ele.

– Nada disso desejo para meu filho, respondeu o Rei Ubaldo. Ficarei muito agradecido se fizer dele o melhor de todos os príncipes. De que lhe servirá ser belo, rico, poderoso, se for um malvado?

– Tens muita razão, mas não tenho poder para tanto. É preciso que ele trabalhe para ser um homem bom. O que posso prometer é dar-lhe bons conselhos, protegê-lo e repreendê-lo pelas suas faltas.

O soberano ficou satisfeito com essa promessa da Fada Cândida. Alguns meses depois ele faleceu pela idade já avançada.

O príncipe chorou bastante a perda de seu velho pai.

Dois dias após a morte do rei, estando o príncipe Querido deitado, apareceu-lhe Cândida, que lhe disse:

– Prometi a teu falecido pai ser tua protetora e vim cumprir minha palavra fazendo-te um presente.

E no mesmo instante colocou um anel de ouro no dedo do moço, dizendo-lhe:

– Guarda com muito cuidado este anel, vale mais que todos os tesouros da terra. Todas as vezes que fizeres uma ação má, ele espetará teu dedo. Mas, se apesar disso, persistir no mal, perderá a minha amizade e me tornarei tua maior inimiga.

Dizendo estas palavras Cândida desapareceu, deixando o príncipe admirado. Querido conservou-se sensato por muito tempo, a ponto de não sentir o anel espetá-lo nenhuma vez.

Tempos depois, indo à caça, sentiu que o anel o incomodava, mas não fez caso, e como não encontrou nenhum animal para matar, voltou para casa de mau humor.

Entrando em seu quarto, uma cadelinha que possuía, chamada Mimosa, começou a saltar-lhe em frente, festejando e latindo alegremente.

– Vá embora! – gritou o príncipe – hoje não estou disposto a brincadeiras.

A cadelinha, não entendendo o que lhe dizia o príncipe, pulou ainda mais sobre ele para chamar sua atenção.

Isso impacientou o príncipe, que lhe deu um pontapé.

Nesse momento o anel deu-lhe uma ferroada tão forte que parecia alfinete.

Querido ficou muito admirado, e foi sentar-se a um canto do quarto, envergonhado da sua ação.

Ele pensou consigo mesmo: “Afinal de contas, que grande mal fiz em dar um pontapé num animal que me importuna? De que me serve ser senhor de um grande império, se não tenho liberdade de castigar o meu cão?”

Neste momento a Fada apareceu em seu quarto e falou:

– Você foi cruel para um animalzinho que não merecia ser maltratado. Se pensa que vale mais que o pobre cãozinho, pense que eu, que sou fada, podia castigar-te e até te matar, porque sou mais forte e poderosa que você. A vantagem de ser senhor de um grande império não consiste em poder fazer o mal que se quer, mas sim todo o bem que se pode.

O jovem prometeu corrigir-se, mas pouco tempo depois faltou à palavra.

Como o anel o espetava muitas vezes, ficou irritado com aquilo e querendo se ver livre, arrancou o anel e o jogou fora.

Julgou que agora era o homem mais feliz do mundo, e começou a fazer todas as vontades, sem pensar no próximo, de modo que se tornou um homem mau e perverso que ninguém podia aturar.

Meses depois, percorrendo a passeio as ruas da capital, avistou à janela de uma casa de modesta aparência, uma linda jovem, por quem imediatamente se apaixonou.

Essa moça, embora fosse de família pobre, não era ambiciosa, e foi criada com muita honradez por seus pais. O príncipe, porém, imaginou que ela o fosse querer somente por ser o príncipe.

Ele foi a sua casa e falou:

– Qual o seu nome, donzela?

– Me chamo Zélia – respondeu a moça.

Então Querido propôs-lhe o casamento.

Espantada com a brusca proposta e não gostando do príncipe, a quem já sabia da fama de homem mau, a linda jovem recusou.

– Por quê? –  perguntou Querido. Acaso te desagrado? Me acha muito feio?

– Não, príncipe, vejo que é belo. Mas que me serve a vossa beleza, vossa riqueza, se as más ações que eu te visse praticar todos os dias, me forçariam a te desprezar e odiar? – respondeu ela com a máxima franqueza.

O príncipe ficou encolerizado com a ousadia de Zélia em recusar sua proposta. Ordenou que seus soldados a levassem ao castelo e a prendessem nos calabouços.

Ele não conseguia suportar o desprezo de Zélia e foi procurá-la para ver se o castigo a tinha feito mudar de ideia.

Quando entrou na cela ficou enlouquecido por não encontrá-la, queria descobrir quem tinha libertado a moça e como não encontrou suspeito colocou a culpa em Salomão, um pobre velho, amigo de seu pai, que trabalhava no castelo desde antes de seu nascimento.

Quando deu as ordens aos soldados para que matassem Salomão, todos ouviram um trovão que fez tremer o castelo e a Fada Cândida apareceu dizendo:

 – Prometi a teu pai te dar bons conselhos e te repreender se fosse necessário, você se tornou um monstro ao exigir a morte do pobre Salomão que por tantos anos serviu bem ao seu pai, também por encarcerar Zélia que não aceitou se casar com você. De hoje em diante se tornará um monstro por fora assim como é por dentro. Só poderás se salvar se um dia for amado pela sua bondade.

Então a Fada o transformou em um ser com cabeça de leão, chifres de touro, patas de lobo, e cauda de serpente. No mesmo instante ele foi transportado a uma grande floresta à beira de uma fonte, onde se refletia a sua horrível figura.

Dias depois, a fera foi andando pela floresta quando de repente caiu num buraco muito fundo.

Era uma armadilha de caçadores. Eles o capturaram e o levaram engaiolado para a cidade.

Chegando à cidade viu a população em grande festa e percebeu que a festa era por causa da sua destituição do trono. Como não possuía descendentes, a população coroou Salomão como Rei.

Querido se mordeu de raiva ao ver Salomão sendo ovacionado pela população enquanto passava em comitiva pelas ruas da cidade. Desejou matá-lo, destruí-lo.

Então Salomão pediu silêncio as pessoas e falou:

– Aceitei a coroa somente para conservá-la ao príncipe Querido. Ele não morreu, mas só poderá voltar ao lugar de Rei quando provar que seu coração foi transformado.

Estas palavras amoleceram o coração do príncipe.

Em seguida ele foi levado ao zoológico da cidade, para ser exibido como animal exótico.

Desde esse dia Querido começou a ser dócil, não querendo mais matar ou prejudicar ninguém.

No zoológico ficou aprisionado com os leões e sofreu nas mãos de um homem que em vez de cuidar, castigava os animais e percebeu como eram terríveis os seus atos quando príncipe.

Porém, ele sofria os castigos, manso como um cordeiro.

Um dia, por descuido, a jaula do leão ficou aberta e por pouco o cuidador dos animais teria morrido, não fosse Querido que segurou o leão e o salvou.

Neste mesmo instante ele ouviu uma voz:

– Não há uma boa ação sem recompensa.

Nisso, o príncipe foi de súbito transformado num lindo cão.

O domador, vendo aquilo o deixou ir embora do zoológico, como recompensa pela ajuda.

Ele começou a viver nas ruas da cidade, sendo alimentado pela bondade das pessoas.

Certa vez, ele recebeu um pedaço de pão e ia devorá-lo, quando viu uma pobrezinha com fome. Teve pena da pobre mendiga, e lhe deu o pedaço de pão, dizendo consigo mesmo que ele poderia esperar até ganhar outro alimento.

Nesse mesmo instante ouviu uma voz:

– Não há uma boa ação sem recompensa.

Imediatamente foi transformado em um lindo pássaro azul.

Um dia, voando pela cidade, viu Zélia em um bosque. Querido voou ao seu ombro, e começou a fazer festa.

Zélia ficou encantada pela mansidão do pássaro, correspondeu às carícias e então, todos os dias os dois se encontravam no bosque.

Querido estava muito feliz em poder estar com ela e de sentir seus carinhos.

Um dia, quando ia para o bosque, viu Zélia conversando com uma senhora idosa.

Voou para o seu ombro e Zélia falou:

– Amo tanto este pássaro!!!

Nesse instante o pássaro se transformou no príncipe Querido. A senhora se transformou na Fada Cândida e disse:

– Está quebrado o encanto, príncipe. Só voltarias à tua forma humana no dia em que fosse amado pela sua bondade. Ela acabou de dizer que te ama. Vou te conduzir ao teu reino, onde está à tua espera o mais leal dos vassalos, o velho Salomão. Confia nele, que é o teu segundo pai. Segue sempre os seus conselhos e não te arrependerás.

O príncipe Querido se transformou em um grande Rei e a Fada cumpriu o desejo de seu pai.

Zélia aceitou se casar com Querido e eles foram felizes para sempre.

***

Veja aqui a história Os dois ladrões

Quer ganhar um e-book de histórias infantis? Clique aqui

Adaptação de MFátima Lima

Diz que era uma vez um homem que tinha tantos filhos que não achava mais quem fosse seu compadre. Nascendo mais um filhinho, saiu para procurar quem o apadrinhasse e, depois de muito andar encontrou a Morte, a quem convidou.

A Morte aceitou e foi a madrinha da criança. Quando acabou o batizado voltaram para casa e a madrinha disse ao compadre:

– Compadre! Quero fazer um presente ao meu afilhado e penso que é melhor enriquecer o pai. Você vai ser médico de hoje em diante e nunca errará no que disser. Quando for visitar um doente me verá sempre. Se eu estiver na cabeceira do enfermo, receite até água pura que ele ficará bom. Se eu estiver nos pés, não faça nada porque é um caso perdido.

O homem assim fez. Botou aviso que era médico e ficou rico do dia para a noite porque não errava. Olhava o doente e ia logo dizendo:

– Este escapa!

Ou então:

– Tratem do caixão dele!

Quem ele tratava, ficava bom. O homem nadava em dinheiro.

Vai um dia adoeceu o filho do rei e este mandou buscar o médico, oferecendo uma riqueza pela vida do príncipe. O homem foi e viu a Morte sentada nos pés da cama. Como não queria perder a fama, resolveu enganar a comadre, e mandou que os criados virassem a cama, os pés passaram para a cabeceira e a cabeceira para os pés. A Morte, muito contrariada, foi-se embora, resmungando.

O médico estava em casa um dia quando apareceu sua comadre e o convidou para visitá-la.

– Eu vou – disse o médico – se você jurar que voltarei!

– Prometo – disse a Morte.

Levou o homem num relâmpago até sua casa.

Tratou-o muito bem e mostrou a casa toda. O médico viu um salão cheio, cheio de velas acesas, de todos os tamanhos, uma já se apagando, outras vivas, outras esmorecendo. Perguntou o que era:

– É a vida do homem. Cada homem tem uma vela acesa. Quando a vela se acaba, o homem morre.

O médico foi perguntando pela vida dos amigos e conhecidos e vendo o estado das vidas. Até que lhe palpitou perguntar pela sua. A Morte mostrou uma velinha pequena, quase no fim.

– Virgem Maria! Essa é que é a minha? Então eu estou morre não morre!

A morte disse:

– Está com horas de vida e por isso eu trouxe você para aqui como amigo, mas você me fez jurar que voltaria e eu vou levá-lo para você morrer em casa.

O médico quando deu acordo de si estava na sua cama rodeado pela família.

Chamou a comadre e pediu:

– Comadre, me faça o último favor. Deixe eu rezar um Padre-Nosso. Não me leves antes. Jura?

– Juro – prometeu a Morte.

O homem começou a rezar o Padre-Nosso que estás no céu… E calou-se.

Vai a Morte e diz:

– Vamos, compadre, reze o resto da oração!

– Nem pense nisso, comadre! Você jurou que me dava tempo de rezar o Padre-Nosso mas eu não expliquei quanto tempo vai durar minha reza. Vai durar anos e anos…

A Morte foi-se embora, zangada pela sabedoria do compadre.

Anos e anos depois, o médico, velhinho e engelhado, ia passeando nas suas grandes propriedades quando reparou que os animais tinham furado a cerca e estragado o jardim, cheio de flores. O homem, bem contrariado disse:

– Só queria morrer para não ver uma miséria destas!…

Não fechou a boca e a Morte bateu em cima, carregando-o. A gente pode enganar a Morte duas vezes mas na terceira é enganado por ela.

***

Veja aqui a história A Festa no Céu

Quer ganhar um e-book de história infantis? Clique aqui

Conto Africano

Antigamente, havia um caçador que usava armadilhas para caçar, ele abria covas no chão e depois as cobria com folhagem.

Ele era casado com uma mulher que era cega e tinha um filho pequeno.

Um dia, quando passava para verificar suas armadilhas, encontrou o Leão, que lhe disse:

– Bom dia caçador, o que você faz em meu território?

– Estou verificando minhas armadilhas para ver se apanharam algum animal – respondeu o homem.

– Para caçar aqui você deve pagar um tributo, esta região me pertence. Dessa forma, o primeiro animal que caçar será teu, o segundo será meu, e assim sucessivamente.

– Tudo bem, concordo com suas regras, faremos desta maneira.

No dia seguinte a armadilha apanhou uma gazela. Conforme o combinado, o animal ficou com o dono das armadilhas.

Alguns dias depois o caçador foi à casa de seus parentes em outra vila e, como teve tempestade, não voltou no mesmo dia, deixando sua esposa preocupada.

De manhã bem cedo a esposa saiu a procura do marido e como era cega acabou caindo em uma das armadilhas com a criança no colo.

O Leão, que estava à espreita, viu tudo e ficou aguardando o caçador voltar para lhe entregar o tributo, conforme combinado.

O homem voltou para casa, não encontrou a mulher e o filho e saiu à procura dos dois, seguindo as pegadas da esposa.

Encontrou os dois presos na armadilha, mas antes de salvá-los o Leão veio cobrar o imposto falando:

– Bom dia caçador, hoje é minha vez. A armadilha apanhou dois ao mesmo tempo, já estou com fome.

– Amigo Leão, vamos conversar. As presas são minha mulher e meu filho – falou o homem.

– Não me interessa, as presas são minhas, você concordou com as regras.

Ali perto, escondido nas moitas, estava o Rato, ouvindo a conversa.

– Bom dia, meus caros, o que está acontecendo aqui? – perguntou o Rato.

Os dois explicaram o impasse ao Rato, que concluiu:

– O combinado deve ser cumprido – falou o Rato – o Leão está certo em cobrar a sua parte.

Então o Rato fez um sinal para o homem e falou:

– Vá para casa e aceite o acontecido.

O homem entendeu o sinal e fingiu ir embora, se escondendo ali próximo.

O Rato então falou ao Leão:

– Muito interessante essas armadilhas do homem, não acha Leão? Só não entendo como funcionam.

– É muito simples, caro Rato – falou o Leão.

– Por favor, me mostre, para que eu entenda – falou o Rato.

E assim caminharam até uma outra armadilha ali próxima, conforme o Leão explicava acabou perdendo o equilíbrio e caiu ele mesmo na armadilha.

Com isso, o Rato salvou a mulher e o filho do caçador.

Depois do acontecido, o homem convidou o Rato para viver com eles como recompensa.

Foi a partir daí que os ratos começaram a viver com os homens, roendo tudo o que existe.

***

Clique aqui para ver a história Uirapuru

Quer ganhar um e-book de histórias infantis? Clique aqui