História dos Irmãos Grimm

Em certa manhã, um alfaiate estava terminando de cozer uma calça quando uma vendedora de geleias passou pela rua oferecendo suas delícias. O alfaiate comprou um pote e tratou logo de passar em uma fatia de pão para comer enquanto trabalhava. Distraiu-se com o trabalho e quando voltou para comê-la, viu sete moscas sentadas na geleia.

Ele ficou muito irritado com a ousadia e resolveu dar um fim nelas, pegou um tecido, enrolou na mão e de uma vez só atingiu as sete moscas que morreram instantaneamente.

O alfaiate ficou impressionado com a sua proeza e bordou no seu cinto os seguintes dizeres: “Mato sete com um golpe”.

Depois disso, cansado da vida pacata de alfaiate, resolveu sair pelo mundo à procura de aventuras. Colocou em sua bolsa o que sobrou da geleia, um pão e um queijo.

Assim que saiu da alfaiataria encontrou um pássaro enroscado nos galhos de um arbusto, salvou o pobre bichinho e o colocou na sua bolsa.

Depois de muito caminhar chegou a uma colina onde um gigante descansava. Resolveu falar com o grandão.

– Deseja me acompanhar amigo?

O gigante achou muita ousadia o convite do pequeno alfaiate e, vendo a frase em seu cinto, começou a rir. Pegou uma pedra com as mãos e a esfarelou para mostrar ao homenzinho o quanto era forte.

Para não ficar por baixo o alfaiate fingiu que pegava uma pedra, pegou o queijo e o esfarelou também. Para revidar, o gigante pegou outra pedra e a jogou para longe. Fingindo que também pegava outra pedra, o alfaiate pegou o pássaro e o jogou no ar. O pássaro voou para longe e o gigante achou o pequeno realmente forte e o convidou para ir com ele para sua caverna.

O alfaiate aceitou e chegando lá, o gigante o convidou para passar a noite ali para no dia seguinte partirem.

Inconformado com a força do pequeno, no meio da noite o gigante atacou a cama do alfaiate e a destruiu em pedaços. Só que o alfaiate esperto havia colocado almofadas na cama e saído de fininho. No dia seguinte o gigante encontrou o alfaiate na floresta, ficou de queixo caído ao vê-lo com vida e fugiu com medo do pequeno.

A notícia de que um gigante fugira de um homem tão pequeno se espalhou. O rei, impressionado, prometeu que se o rapaz se livrasse dos dois terríveis gigantes que apavoravam seus súditos, lhe daria muitas terras e tesouros como prêmio.

O alfaiate aceitou o desafio e encontrou os gigantes que cochilavam. Apanhou algumas pedras e as atirou contra um dos grandões, que acordou raivoso, achando que o companheiro as havia jogado. Então, para se vingar o golpeou, dando início a uma briga que acabou com a morte dos dois gigantes.

Mais uma vez a notícia se espalhou e o rapaz vitorioso, voltou ao palácio.

Mas o rei lhe transmitiu outra missão, na esperança de que o pobre alfaiate fosse morto e ele não precisasse pagar o que havia lhe prometido. Ele teria que trazer ao rei o chifre de um unicórnio muito arisco.

Na floresta, o alfaiate realmente encontrou o unicórnio, colocou-se em frente a uma árvore e provocou o animal que galopou em sua direção. No último instante, o jovem pulou para o lado, e o chifre do unicórnio ficou preso no tronco.

Rapidamente, o rapaz serrou o chifre e retornou ao castelo.

Surpreso, o rei fingiu satisfação e hospedou o homenzinho para no dia seguinte lhe dar os prêmios.

Inconformado, o rei chamou alguns soldados e ordenou que levassem o alfaiate para a cela mais fria do calabouço com a ordem de atacá-lo de madrugada.

Porém, quando se aproximavam da cela o alfaiate começou a falar:

– Eu já matei sete com um golpe só! Afugentei um gigante! Matei outros dois! Cortei o chifre do unicórnio! E, agora, estou pensando no que fazer com os fracotes que vêm ao meu encontro.

Ouvindo isso, os soldados fugiram com medo dele.

O rei teve de cumprir sua palavra e lhe pagou o que devia.

***

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Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez uma cozinheira chamada Margarida e que era muito vaidosa, tinha um sapato de salto vermelho que gostava muito de usar para seus passeios. Ela também gostava muito de tomar vinho e comer comidas diferentes, ela sempre dizia:

– Para ser uma boa cozinheira tenho que experimentar sempre algo novo! A boa cozinheira deve saber que gosto tem a comida!

Margarida trabalhava na casa de um senhor muito rico. Certo dia seu patrão a chamou e disse:

– Margarida, hoje virá um amigo meu para o jantar, prepare da melhor maneira, duas galinhas.

– Está bem, Senhor, será feito – respondeu Margarida.

Ela matou as duas galinhas, depenou, limpou, temperou da melhor maneira que conhecia e colocou para assar no espeto.

Depois de um tempo, as galinhas estavam começando a dourar e o cheiro estava incrível, mas o amigo do seu patrão não chegava. Assim ela foi falar com seu patrão:

– Seu amigo ainda não chegou e eu tenho que tirar as galinhas do forno, estão no ponto para comer, vocês vão comer galinhas frias se ele não chegar logo.

Seu patrão então respondeu:

– Vou correndo para chamá-lo!

E saiu pela porta.

Margarida foi ao forno e começou a retirar as galinhas para servi-las e começou a pensar:

– Ficar tanto tempo perto do fogo faz a gente suar e ficar com sede. Será que eles vão demorar? Acho que vou tomar um gole de vinho.

Então ela desceu à adega, tomou um belo copo de vinho e disse a si mesma:

– Deus abençoe, Margarida! Um gole chama outro e não é bom interromper.

Depois que voltou para a cozinha começou a untar as galinhas com manteiga, o aroma estava de salivar, então ela pensou:

– Não sei se o tempero está bom, acho que vou provar uma asinha!

Assim ela comeu uma asa e estava deliciosa.

Foi à janela e nada de aparecer o patrão e seu convidado. Voltou para a cozinha e ficou pensando:

– É melhor comer a outra asa também, para não parecer que está faltando alguma coisa!

Então ela se deliciou com a outra asa.

Depois de comer as duas asas ela voltou à janela para ver se o patrão estava vindo, mas não o viu e então começou a pensar:

– Talvez nem venham, estão demorando tanto, quem sabe foram jantar na estalagem. Vou comer mais um pouco e beber mais vinho, estou tão cansada, não posso desperdiçar uma galinha tão maravilhosa. Por que perder uma delícia destas?

Ela desceu de novo à adega, pegou uma garrafa, levou para a cozinha e assim comeu uma galinha inteira e, tendo comido uma, e não vendo o patrão aparecer, tomou mais vinho e pensou:

– Onde vai uma, vai também a outra, pois devem fazer companhia!

Assim comeu também a outra galinha e bebeu toda a garrafa de vinho.

Depois de estar empanturrada, o patrão chegou e disse:

– Margarida, arruma tudo depressa que a visita vem chegando!

– Sim, senhor, já vou arrumar – respondeu Margarida.

O patrão foi à sala de jantar, pegou a faca de destrinchar e começou a afiá-la.

O convidado do patrão chegou e bateu à porta, Margarida foi atender, deu de cara com o homem e foi logo falando a ele como quem conta um segredo:

– Foge daqui depressa, pois meu patrão vai te pegar, pobre de ti, ele te convidou para jantar, mas sua intenção é cortar suas duas orelhas, olhe, ele está afiando a faca!

O convidado esticou o pescoço para olhar para dentro e viu o patrão a afiar a faca. Margarida falou:

– Você não pode perder um minuto, foge!

O homem fugiu assustado e Margarida correu para falar com o patrão:

– Que belo convidado o senhor foi arrumar, pois ele não entrou na cozinha, roubou as duas galinhas e agora foi embora correndo?

– Muito bonito! – disse o patrão – Se ao menos tivesse me deixado uma, para ter o que comer!

Então o patrão saiu à rua e correu atrás do homem segurando a faca e gritando:

– Uma só, pelo menos! Deixe uma para mim!

Ao ouvir isso de longe, o convidado correu mais ainda, pois pensou que ele queria ao menos uma de suas orelhas.

***

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Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez um pescador e sua mulher. Eles eram muito pobres e moravam em uma choupana a beira mar, um lugar muito solitário. Eles viviam dos peixes que ele pescava nas pedras porque, de tão pobre, ele não tinha nem um barco e assim, não podia se aventurar no mar onde estão os grandes cardumes.

Eles se contentavam com os peixes que apanhavam com anzóis ou redes lançadas no raso. Sua choupana era de pau-a-pique, coberta de folhas de palmeira e, quando chovia, a água entrava dentro da casa e os dois tinham que se encolher em algum canto.

Apesar de tudo eles eram muito felizes e tinham muitos momentos de alegria. Eles gostavam de conversar, de falar dos seus sonhos de um dia conseguir uma grande pescaria ou de encontrar um tesouro e então teriam uma casinha branca de janelas azuis, um jardim na frente e um quintal para as galinhas. Eles sabiam que a casinha branca não passava de um sonho, mas era bom sonhar e assim sonhando eles dormiam abraçados e felizes.

Em um dia, como todos os outros, o pescador saiu bem cedo com seus anzóis para pescar. O mar estava tranquilo e muito azul, o céu estava limpo e tinha uma brisa fresca no ar. De cima de uma pedra ele lançou o anzol e logo sentiu um tranco forte, um peixe estava preso no anzol. O pescador lutou muito e conseguiu tirar o peixe que era muito grande, com escamas prateadas e douradas, ele nunca tinha visto um peixe assim.

Foi então que ele levou um grande susto porque o peixe falou com ele:

– Pescador, eu sou um peixe mágico, um anjo dos deuses do mar, me devolva para o mar que eu realizarei o seu maior desejo!

O pescador nunca tinha visto algo semelhante, e por essa razão acreditou no peixe e então lhe disse:

– Eu e minha mulher temos um sonho, sonhamos com uma casinha branca, com janelas azuis, um jardim na frente e um quintal para as galinhas e mais, quero também um vestido novo para minha mulher.

Depois disso eles soltou o peixe no mar e voltou para a sua casa. De longe ele já pode ver o seu sonho realizado, lá estava a sua casinha branca de janelas azuis e ao chegar perto da casa sua mulher foi ao seu encontro com um lindo vestido novo dizendo:

– Nosso sonho se realizou!!!! Um milagre!!!

Eles se abraçaram e riram de felicidade, mas ela não estava entendendo nada.

Ele então lhe contou tudo o que havia acontecido com o peixe encantado.

Houve um momento de silêncio e o rosto da mulher se alterou, ela parou de rir e seu rosto ficou sério. Ela olhou para o marido e, pela primeira vez, ele lhe pareceu completamente tolo.

– Você poderia ter pedido o que quisesse? E porque não pediu uma casa maior, mais bonita, com varanda, três quartos, dois banheiros? Volte a praia, chame o peixe e diga que mudou de ideia. – disse a esposa.

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O homem se sentiu envergonhado com a repreensão da esposa, baixou a cabeça e voltou para a praia, o mar já não estava mais tão calmo nem o céu tão azul e começou a ventar. O pescador então gritou:

– Peixe encantado, de escamas prateadas e douradas!!!

O peixe então apareceu, colocou a cabeça para fora da água e disse:

– O que você deseja?

O pescador respondeu:

– Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido uma casa maior, com varanda, três quartos e dois banheiros.

– Pode ir, o desejo dela já foi atendido – disse o peixe encantado.

Ele voltou para casa e de longe já pode ver uma casa grande, do jeito que ela havia pedido. Chegando em casa ele falou para ela:

– Está feliz agora?

– Tolo, mil vezes tolo – respondeu a mulher – De que me vale esta casa neste lugar ermo, onde ninguém vê? O que eu desejo é um palacete elegante, na cidade, com dois andares, muitos banheiros, escadaria de mármore, fontes, piscina, jardins. Volte agora e fale isto para o peixe!!!

O pescador, obediente, voltou ao mar, que agora estava cinzento e agitado, o céu estava nublado e ventava forte.

– Peixe encantado, de escamas prateadas e douradas!!!

O peixe apareceu e perguntou:

– O que deseja pescador?

– Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido um palacete elegante na cidade….

Antes que ele terminasse a descrição da casa o peixe disse:

– Pode ir pescador, o desejo dela já foi realizado. – disse o peixe.

Depois de andar muito, já que agora eles não moravam mais na praia, ele chegou à cidade e lá encontrou o palacete elegante e sua mulher nele. Ele foi pensando que agora ela estaria completamente satisfeita, mas na verdade ela estava na janela observando o palacete vizinho, que era o homem mais rico da cidade, muito maior e mais bonito.. O seu rosto estava transtornado e seus olhos revirados de inveja. Então ela disse:

– Homem, o peixe disse que você poderia pedir o que quisesse. Volte e diga que eu desejo um palácio de rainha, com salões de baile, salões de banquete, parques, lagos, cavalariças, criados, capela!

O marido obedeceu e voltou para o mar, o céu estava todo cinza, o mar estava revolto e o vento estava sinistro. E ele gritou:

– Peixe encantado, de escamas prateadas e douradas!!!

O peixe veio ao seu encontro e assim que ele começou a falar o peixe interrompeu e disse:

– Volte! O desejo da sua mulher já está satisfeito!

O pescador voltou e o palácio era magnifico, muito mais bonito do que tinha imaginado, havia torres, bosques, jardins, lagos, fontes, criados, cavalos, cães de raça, salões ricamente decorados e ele pensou que agora ela estaria completamente satisfeita porque não tinha como querer algo melhor que tudo aquilo.

Lá fora chovia forte e o vento uivava. A mulher na janela, observava o reino vizinho e, vendo que lá não estava chovendo, começou a falar:

– De que me serve este palácio se não posso usufruir de nada por causa da chuva, volte ao mar e fale para o peixe decretar que neste reino faça sempre sol!

O homem, inconformado, voltou ao mar e novamente chamou o peixe:

– Peixe encantado, de escamas prateadas e douradas!!!

Assim que o peixe colocou a cabeça para fora da água o homem disse:

– Ela deseja que você decrete que no nosso reino somente haja sol.

Então o peixe disse:

– O que vocês procuram é felicidade, não é? Pois vou te dar felicidade! Volte ao local da sua primeira casa, lá você encontrará a felicidade. Não se preocupe que sua mulher não vai se lembrar de nada.

E falando isso o peixe desapareceu.

O pescador voltou para sua casa, o céu estava azul, soprava uma leve brisa e o sol estava ameno.

De longe avistou a sua casinha antiga, de pau-a-pique, coberta de folhas de palmeira. Viu sua mulher colhendo verduras na horta e assim que o viu, veio ao seu encontro sorrindo e disse:

– Que bom que voltou mais cedo!!! Vou te fazer uma sopa de ostras, aquela que você adora!

Ele entrou, ela fez a sopa, eles comeram juntos e conversaram sobre a casinha branca de janelas azuis que eles sonhavam. Depois do jantar foram para a cama e dormiram abraçados.

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Conto dos Irmãos Grimm

Era um a vez um Rei que tinha muitas filhas. Todas elas eram muito belas, porém a mais nova era a mais bela de todas, ela era tão linda que o Sol, que já viu muito, ficava atônito sempre que iluminava o seu rosto.

Perto do castelo do Rei havia um lindo bosque, no qual havia uma lagoa sob uma velha árvore.

A princesa Bela gostava muito de ir ao bosque e se sentar junto a fonte.

Ela tinha ganhado de seu pai uma linda bola de ouro, que era seu presente favorito. Quando queria se divertir, ia à fonte e ficava brincando com sua bola. Ela jogava a bola para o alto e pegava.

Um dia, enquanto brincava, jogou a bola tão alto que não conseguiu pegar, a bola caiu no chão e rolou para dentro do lago.

A princesa ficou muito chateada e começou a chorar, ela não conseguiria pegar a bola porque o lago era fundo.

De repente ela ouviu uma voz falando:

– Por que está chorando princesa?

Ela olhou para os lados e não viu ninguém. Então a voz falou novamente:

– O que aconteceu princesa?

Ela começou a ficar preocupada, achando que estava louca quando olhou para o lago e viu um sapo, com a cabeça de fora, falando:

– Posso te ajudar?

Então ela contou a ele o que tinha acontecido com sua bola e o sapo falou:

– Não se preocupe, pode parar de chorar, eu posso pegar a bola para você, mas quero algo em troca.

– O que quiser Sapo. Você quer minhas pérolas, minhas joias, minha coroa? – perguntou a princesa.

– Não me interessam as tuas pérolas, tuas joias, sequer tua coroa. Quero em troca que seja minha amiga, que você brinque comigo, que me leve a sentar à mesa para comer contigo, que eu possa dormir as noites em tua cama. Se me prometer isso trarei a tua bola de ouro – falou o sapo.

– Sim, te prometo, prometo o que quiser, porém devolve a minha bola.

O sapo, ao ouvir a promessa, nadou até o fundo do lago, pegou a bola e a trouxe à princesa que ficou muito feliz em recuperar o seu brinquedo.

Porém, assim que pegou a bola, a princesa voltou para o castelo correndo, quebrando a sua promessa e deixando o sapo sozinho.

No dia seguinte, o sapo, já inconformado com a ingratidão da princesa, foi ao castelo cobrar o trato feito com ela.

A princesa estava com sua família, fazendo o desjejum, quando ouviu uma batida na porta, e uma voz gritando:

– Princesa, abra porta, nós fizemos um acordo!!!

A princesa ficou assustada, não queria que sua família soubesse que havia feito um acordo com um sapo que nem era um animal digno da realeza.

O Rei percebeu sua inquietação e perguntou:

– O que está acontecendo, princesa? Quem está te chamando?

A princesa, meio sem jeito, contou ao seu pai o acontecido:

– Ah! querido pai, estava jogando no bosque, junto à lagoa, quando minha bola de ouro caiu na água. Como chorei muito, o sapo a devolveu e prometi a ele que seria meu companheiro, porém nunca pensei que seria capaz de sair da água e vir até aqui.

Então o rei disse:

– O que prometeu, deves cumprir. Deixe-o entrar.

Ela abriu a porta, o sapo entrou saltando, a seguiu até sua cadeira e falou:

– Me coloque à mesa contigo para que possamos comer juntos.

A princesa fez o que ele pediu, e até se divertiu em comer com ele, mas assim que o Rei saiu da mesa, as suas irmãs começaram a rir dela por estar comendo com um sapo.

Aquilo deixou a princesa envergonhada e ela sentiu vontade de colocar o sapo para fora do castelo, só não fez isso porque seu pai ficaria bravo por ela não cumprir sua promessa.

Então o sapo falou;

– Estou muito satisfeito com a refeição, porém, agora estou cansado, me leve para seu quarto princesa, para que possamos descansar.

As irmãs da princesa riram mais alto, deixando a princesa muito brava.

Ela pegou o sapo e foi para o quarto com ele. Mas o deixou sozinho e foi falar com seu pai.

– Papai, não quero mais ser amiga do sapo, ele não está à minha altura.

– Não devias desprezar aquele que te ajudou quando tinhas problemas.

O tempo foi passando, o sapo a seguia por todos os lugares e aos poucos eles até foram ficando amigos, ela gostava de brincar com ele, mas detestava ver suas irmãs rindo dela.

Um tempo depois ela já não ligava mais para as gozações de suas irmãs e como ela era indiferente elas pararam de rir.

Um dia, quando iam dormir, ela olhou para o sapo e se sentiu muito feliz pela sua presença, passou a mão na sua cabeça e beijou a sua testa.

Neste momento o sapo se transformou em um lindo rapaz.

A princesa não estava entendendo nada, ficou confusa com tudo aquilo, então ele explicou:

– Eu sou um príncipe, fui amaldiçoado por uma bruxa que me transformou em um sapo, eu só poderia voltar à minha forma humana depois de ser beijado por uma princesa e você quebrou a maldição, me salvando.

A princesa ficou muito feliz com tudo aquilo. O príncipe a pediu em casamento e ela aceitou com muita alegria.

Eles foram viver no palácio dos pais do príncipe e foram felizes para sempre.

***

Veja aqui a história O Príncipe Querido

Conto dos Irmãos Grimm

Era uma vez uma moça bonita e prendada, que queria muito se casar, mas que não encontrava ninguém que quisesse se casar com ela, embora ela merecesse muito encontrar um bom partido para ser seu companheiro. Ela ia sempre às missas das almas e rezava o seu rosário a elas de madrugada.

Perto da sua casa morava um homem muito rico e solteiro, dono de uma loja de armarinho, que sempre dizia que somente se casaria com a melhor fiandeira da cidade.

Assim que ficou sabendo da notícia ela começou a ir à loja do rico todos os dias para comprar linho e sempre dizia que conseguia fiar todo o linho em um dia só. O homem ficava pasmado de ver uma moça tão trabalhadora.

Um dia, pela manhã, ela foi à loja para comprar mais linho e o homem rico lhe disse:

– Se consegue mesmo fiar todo esse linho em um dia, pode levar de graça, à noite irei à sua casa para ver o seu trabalho.

Ela voltou para casa muito aflita porque sabia que era muito difícil fiar todo o linho em um dia, conseguiria no máximo fiar a metade. Ela pôs o linho nas rocas e começou a chorar muito por causa da enrascada em que havia se metido.

De repente ouviu uma voz:

– Porque chora, minha filha?

Ela levantou a cabeça e viu uma senhora muito velha, corcunda, vestida de branco e muito pálida. Ela nunca tinha visto essa mulher antes, mas contou a ela o que estava acontecendo.

A mulher então disse:

– Vá rezar o seu rosário que eu vou ajudá-la! Se você conseguir se casar com ele, não se esqueça de me convidar para visitá-la e me receba bem em sua casa.

A moça prometeu que a convidaria e fez o que ela mandou.  Ao terminar o rosário voltou à sala para falar com a mulher, mas ela havia desaparecido e o linho estava todo fiado.

À noite o homem rico veio visitá-la e ficou assombrado e encantado com seu trabalho de tão perfeito que estava. Ele disse:

– Amanhã te mandarei mais linho e à noite voltarei para ver o resultado!

No dia seguinte, bem cedo entregaram em sua casa o dobro da quantidade de linho do dia anterior e novamente ela começou a chorar, porque não sabia como conseguiria terminar aquele trabalho.

Então, uma outra velha, tão velha como a primeira, também corcunda e pálida, vestida de branco apareceu e perguntou o que estava acontecendo.

A moça contou toda a sua história e a segunda mulher falou:

– Vá rezar o seu rosário que eu te ajudo, se conseguir se casar não se esqueça de me convidar para visitá-la e me receba bem em sua casa!

A moça foi rezar e ao terminar aconteceu exatamente como a primeira, o linho estava fiado perfeitamente e a mulher havia desaparecido.

À noite o homem rico voltou à sua casa e novamente ficou espantado com o lindo trabalho que ela havia feito e lhe disse:

– Amanhã lhe mandarei mais linho e à noite voltarei para ver o seu trabalho!

No dia seguinte os empregados do armarinho lhe trouxeram uma quantidade muito grande de linho, nem em um mês ela fiaria tudo aquilo. Novamente ela se pôs a chorar por ter mentido ao homem rico.

Então, apareceu uma terceira mulher, tão velha como as outras duas, corcunda e pálida, vestida de branco e disse:

– Vá rezar o seu rosário que eu vou te ajudar, só não se esqueça de me convidar para visitá-la depois que conseguir se casar com o homem rico.

Ao terminar a reza ela voltou para a sala das rocas e estava tudo pronto, feito com a melhor qualidade.

À noite, após verificar o lindo trabalho que ela havia feito, o homem rico a pediu em casamento, como presente ele enviou a ela, no dia seguinte, a melhor roca, fusos, dobraduras, apetrechos e o melhor linho que tinha em sua loja.

A moça, porém, ficou desesperada com o seu futuro, quando estivesse casada não poderia esconder o seu segredo por mais tempo.

O casamento aconteceu e ela quis convidar as três senhoras para visitá-la, mas não sabia como, não as conhecia nem sabia onde moravam.

Mas, no dia seguinte, como se tivessem ouvido seus pensamentos, as três apareceram em sua porta. A moça as recebeu muitíssimo bem e preparou a elas as melhores comidas em sua casa.

À noite, quando voltou para casa o homem encontrou as quatro conversando na cozinha e ficou impressionado com a aparência delas, por serem muito velhas e corcundas e lhes falou:

– As senhoras têm algum problema de saúde, porque são tão corcundas assim, com olhos esbugalhados e pele tão pálida?

Apesar das ofensas as mulheres não se abalaram e responderam:

– Fiamos a vida inteira e ficamos assim, corcundas por causa da posição, com olhos esbugalhados de forçar a vista na roca, pele pálida por trabalhar só dentro de casa e velhas de tanto esforço!

O homem ficou incomodado com aquilo, não queria ver sua esposa ficando daquela maneira. No dia seguinte ele mandou levar da casa todas as rocas, fusos e dobraduras e disse a mulher:

– Nunca mais quero que você trabalhe em uma roca, quero você sempre bonita e saudável.

Desde então, ela viveu muito feliz e agradecida às alminhas que a ajudaram.

Conselho de vó: Rezar sempre ajuda nas enrascadas que a gente se mete.

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Veja aqui a história A assembleia dos ratos

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