Lenda indígena

Diz a lenda que Caipora é o rei dos animais e da floresta. Qualquer um que queira caçar ou cortar uma árvore deve fazer um acordo com ele e quem não respeitar o acordo é morto sem dó nem piedade.

Caipora se parece muito com um índio, mas tem o corpo coberto de pelos e não usa roupas. Move-se muito rápido e cuida para que não haja devastação ou extinção de animais.

Ele aparece montado em um porco do mato e carrega consigo uma longa vara.

Certa vez, dois compadres acordaram bem cedo para ir à mata cortar lenha. Já haviam cortado uma boa quantia quando, de repente, começaram a ouvir alguns barulhos esquisitos, uns estalos, uns sussurros. Então, do nada, veio um vento frio de doer os ossos, depois um silêncio.

Eles pararam o que estavam fazendo e prestaram atenção a tudo para entender o que estava acontecendo.

Era como se todos os animais e todas as plantas estivessem olhando para eles, ou aguardando um comando.

Então viram, no meio da mata um vulto, apertaram os olhos e o vulto continuava lá.

O coração deles disparou, era Caipora.

Paralisados de medo viram a figura se aproximar, bem devagar, mas não tinham forças para correr ou gritar por ajuda. Seus pelos eram grossos, seus braços quase tocavam o chão.

Então Caipora falou com a voz rouca:

– Tem fumo?

Então se lembraram das histórias que suas avós contavam. Caipora gostava de fumo.

– Tem fumo? – repetiu.

Mesmo sem poder falar, tremendo de medo, o lenhador tirou do bolso um naco de fumo e estendeu ao ser da floresta.

Mais que depressa Caipora agarrou o fumo e falou:

– Vocês já cortaram o suficiente, nada mais por alguns meses.

Não conseguiram falar, só acenaram com a cabeça.

Então Caipora saiu trotando em seu porco do mato e desapareceu na floresta.

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Lenda indígena

Há muito tempo, havia uma tribo no norte do Brasil, onde muitos curumins tinham poderes extraordinários. Esses poderes haviam sido cedidos por Tupã e serviam para curar diversos males, fossem eles do corpo, da mente ou do coração.

Um desses curumins era Lori, um especialista no combate da maldade e da escuridão.

Lori desenvolveu os seus poderes sempre praticando suas habilidades, enquanto seu corpo alcançava a maturidade.

Um dia, quando caçava com seus companheiros, acabou se perdendo do grupo.

Morã, a deusa do Mal, viu a oportunidade de acabar de vez com aquele índio que tinha poderes do Bem.

A deusa então envolveu a floresta em uma grande escuridão e Lori não enxergava nada à sua frente.

Para sua própria surpresa, de repente, seus olhos começaram a brilhar e iluminar tudo ao seu redor. Seus olhos brilharam tão forte que dissipou toda a escuridão, iluminando até mesmo Morã, que foi despojada de sua maldade e se transformou em uma bela índia.

Lori apaixonou-se imediatamente por ela, e ela por ele.

Tupã, que a tudo observava, entendeu que a ordem das coisas estava sendo alterada, o Bem e o Mal não poderiam ficar juntos, eles deveriam permanecer em combate permanentemente.

Então, Tupã desfez a magia de Lori e devolveu Morã para a escuridão.

Agora, tomado de amor pela deusa do Mal, Lori começou a sofrer e definhar. Seu tamanho começou a diminuir e sua aparência a se transformar. Por fim, ele se tornou um minúsculo inseto que brilhava no escuro, justamente para ficar junto de sua amada, que fugia dele.

Por isso, dizem os indígenas, o pirilampo (vagalume) aparece nos cantos mais escuros da floresta.

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Lenda indígena

Há muitos anos, às margens do Rio Calçoene, no Amapá, havia uma pequena aldeia indígena. Nessa aldeia vivia um curumim chamado Ubiraci. Quando nasceu, foi abençoado por Tupã e por isso tinha o dom de conhecer a fauna e a flora, podendo falar com todos os animais, da terra, da água ou do ar.

Ubaraci cresceu e se tornou um lindo jovem que era amado por todos. Um dia, enquanto andava pela floresta, viu a índia mais linda que seus olhos já tinham visto.

Ela também era abençoada e suas mãos mágicas faziam desabrochar sementes onde ela tocasse o solo, se voltasse as mãos para o ar, podia controlar as chuvas e os ventos, se tocasse os rios controlava as marés e as pororocas.

Sem saber Ubiraci se apaixonou pela Natureza.

Depois desse dia, ele a procurava em todos os lugares, mas não a encontrou mais, sem entender que ela estava em tudo o que ele via.

A paixão era tão grande que ele parou de conversar com os animais e com as árvores, e seu dom começou a se perder.

Um dia, quando todos dormiam, Ubiraci viu a lua refletida na água, imaginou que na Lua poderia encontrá-la.

Ele mergulhou no rio, mas, quanto mais lutava contra a correnteza, mais a Lua se afastava dele. Foi tanto o esforço que ele não aguentou e morreu.

Tupã se compadeceu dele e do amor que ele sentia e o transformou em uma árvore, no meio do rio.

Quando a maré subia a árvore, magicamente, desprendia suas raízes e navegava contra a correnteza.

Quando os índios viram aquilo, imaginaram se tratar de algo sobrenatural e colocaram o nome na árvore de Tarumã, que significa tronco que se move.

Os anos se passaram e quando algum índio sofre por algum amor impossível, faz uma oferenda a Tarumã, deixando a oferta no tronco da árvore.

Se o tronco navegar e voltar vazio, o pedido se realiza.

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Lenda indígena

Iara era uma índia tupi-guarani que vivia em uma tribo, junto de sua família. Era filha de um pajé e, por todos, considerada a índia mais bonita de toda a região. Ela também tinha uma voz maravilhosa e encantava a todos quando cantava.

Porém, sua beleza sempre trouxe muitos problemas para ela.

Seus irmãos e irmãs a invejavam e sempre faziam coisas para prejudicá-la e colocá-la em horríveis situações. Eles não se conformavam que ela sempre tivesse a atenção dos pais e fosse tão elogiada por eles. Iara no entanto, era muito esperta e sempre conseguia se livrar das dificuldades em que os seus irmãos a colocavam.

Um dia, cheios de raiva, eles resolveram matá-la e sumir com seu corpo para que nunca fosse encontrada.

Seus irmãos preparam um plano maligno e o colocaram em ação. Mas Iara era muito esperta, percebeu a emboscada que haviam preparado, conseguiu se libertar e ainda matou seus irmãos.

Quando o pajé ficou sabendo, ficou irado e como castigo, jogou Iara no Rio Negro em uma noite de lua cheia para que ela morresse afogada.

Ela quase morreu, mas no último minuto foi salva pelos peixes que a transformaram em sereia.

Desde este dia, toda noite de lua cheia, qualquer um pode ouvir seus cantos. Muitos são atraídos pela melodia e acabam morrendo afogados.

Os poucos que conseguem escapar ficam completamente loucos e somente com a ajuda de um pajé pode-se reverter o feitiço.

Dizem que ela ainda costuma se sentar nas pedras do rio para pentear seus cabelos e apreciar sua beleza refletida nas águas.

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Lenda indígena

Há muitos anos Tupã (Deus) travou uma imensa batalha contra Catamã (Diabo). A luta durou muitas luas, mas, usando toda a sua magia, Tupã conseguiu, por fim, derrotar Catamã e aprisioná-lo no alto da Serra do Tumucumaque, por um período de cem anos.

Passaram oitenta anos e o feitiço de Tupã começou a perder o efeito e por isso o mal começou novamente se espalhar pelo mundo. Diziam os anciãos que a fome, as guerras e as doenças seriam o sinal de quando Catamã estivesse voltando, mas que um índio guerreiro, nascido de tribo pequena salvaria a todos e mataria Catumã para sempre.

Aos pés da serra do Tumucumaque, que fica no norte do Brasil, vivia uma tribo chamada Badulaques. Esta tribo era pequena e fraca, não tinha grandes guerreiros e viviam em paz com seus vizinhos.

O primeiro sinal de que o mal estava voltando foi quando diversas tribos começaram a ser atacadas por uma terrível doença que afetava as mãos e os pés de todos. Sem poder caminhar ou caçar, muitos índios morreram de fome. Cinco luas depois a doença foi passando, porém, todos sabiam que Catumã estava ganhando forças.

Meses depois começaram as guerras entre as tribos, os sobreviventes da doença brigavam por qualquer motivo.

Tarirã, esposa do cacique da tribo Badulaque estava grávida há muitas luas e, em sonho, Tupã lhe disse que seu filho seria um bravo guerreiro. Só ele seria capaz de derrotar Catamã para estabelecer a paz novamente. Seu nome deveria ser Bacabá.

Duas luas depois o menino nasceu e sabendo da profecia de Tupã ele foi treinado desde criança nas práticas do combate, aprendeu a manejar o arco e a flecha e todos os segredos dos pajés. Ele crescia forte e destemido, já sabendo o seu destino.

Quando estava com 20 anos as maldições de Catamã tomaram todo o mundo. Numa madrugada Catamã entrou na tenda de Tarirã e a matou por ter trazido Bacabá ao mundo.

Pela manhã Bacabá se reuniu com o Grande Conselho de todas as tribos e anunciou que subiria à serra de Tumucumaque para lutar contra Catamã.

Todos os pajés se reuniram para pedir ajuda a Tupã na empreitada de Bacabá. Antes de subir, um dos pajés estregou ao rapaz um saquinho de couro com a mistura de muitas ervas, que deveria ser jogado nos olhos de Catamã para cegá-lo.

Depois de despedir-se de seus irmãos da tribo, Bacabá armou- se de uma lança, do arco, de flechas e subiu a serra. Quando alcançou o topo, Catamã se transfigurou em uma fera gigantesca que investiu contra o jovem. A batalha havia começado.

Aos pés da serra todos rezavam e Tupã deu a Bacabá poderes sobrenaturais para derrotar Catumã.

Depois de algumas horas de luta fez-se silêncio. Os índios esperavam que Bacabá descesse, mas por três dias nada aconteceu. Decidiram subir a serra para ver o que havia acontecido e lá encontram a grande clareira da batalha.

Catamã estava morto, Bacabá venceu o mal, porém isso lhe custou a vida. Ele foi sepultado no alto da serra e, por muitos dias, lhe fizeram várias homenagens.

Muitas luas se passaram e os índios resolveram subir a serra novamente para visitar o túmulo de Bacabá. Para surpresa de todos, em seu túmulo havia nascido uma palmeira solitária de folhas em forma de lança com flores brancas e amarelas e frutos pequenos avermelhados.

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