Fábula de Monteiro Lobato

Certo dia a Onça se reuniu com o Gato-do-mato, a Jaguatirica e a Irara para fazerem uma sociedade. Ela fez a seguinte proposta:

– Vamos nos unir e começar a caçar juntos, assim teremos mais chances e no final poderemos repartir a caça igualmente, chamaremos nosso acordo de Liga das Nações.

Os animais percebendo que teriam vantagem ao caçar com a Onça disseram:

– Muito bem! – concordaram todos.

No dia seguinte cercaram um pobre veado, corre daqui, corre dali e, não tendo saída, o animal foi pego e morto pela Liga das Nações.

A Onça falou:

– Já que somos quatro, vamos reparti-lo em quatro partes.

Todos concordaram.

A Onça pegou uma parte e disse:

– Como sou a rainha da floresta escolho o primeiro pedaço.

Os outros concordaram e a Onça pegou a sua parte. Em seguida ela disse:

– O segundo pedaço também será meu porque me chamo Onça e sou maior que todos.

Os outros não gostaram, mas como poderiam contrariar a Onça?

Em seguida ela disse:

– O terceiro também é meu porque sou mais forte que todos.

– Muito bem, se não tem remédio, você fica com três partes e dividiremos o quarto pedaço entre nós – falou a Jaguatirica.

– Está bem – falou a Onça – aqui está o quarto pedaço às ordens. As ordens de quem tiver coragem de agarrá-lo.

A Onça arreganhou os dentes e colou sua pata sobre o último pedaço.

Os outros três nada podiam fazer a não ser colocar o rabo entre as pernas e sair de mansinho para não virar a próxima presa na Onça.

Conselho de vó: Cuidado com quem se faz sociedade. Melhor fazer um contrato.

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Fábula de Monteiro Lobato

Certa vez, ao voltar da caça, com um veadinho na boca, a Onça encontrou sua toca vazia, urrou desesperada assustando os animais da floresta.

A Anta, ouvindo o barulho, foi ver o que se passava e perguntou à Onça:

– O que aconteceu Onça?

– Mataram meus filhos, só pode ter sido o caçador! – falou a Onça urrando.

– Não vejo motivo para tanto barulho – falou a Anta – fizeram contigo o que fazes todos os dias aos outros, pois, agora mesmo não matou o filho do veado?

A Onça arregalou os olhos, espantada com o que a Anta havia falado e respondeu:

– Está querendo comparar a minha dor com a dor dos outros, o meu sofrimento com o dos outros, pois não sabe que o meu é maior?

O Macaco, que estava no alto da árvore, vendo a situação, falou com a Anta:

– Não percebe Anta, para a Onça, pimenta na boca dos outros é refresco.

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Fábula de Monteiro Lobato

Havia uma Garça que nasceu, viveu e envelheceu em uma lagoa que sempre lhe proveu todo o seu sustento.

Estando velha, fraca e com a visão turva, começou a pensar nas dificuldades que já tinha para pegar os peixes, não enxergava direito e precisaria encontrar um lugar com águas limpas e cheio de peixes se quisesse viver mais.

Ficou pensando em como poderia encontrar uma maneira de conseguir alimento fácil quando teve uma ideia. Chamou o caranguejo e falou:

– Caranguejo, preciso te contar uma coisa que vai acontecer e afetará a todos nós. Estão prestes a esvaziar esta lagoa, estamos perdidos, morreremos todos à seca.

O Caranguejo logo contou a todos os peixes o que a Garça havia dito e eles foram até ela para saber mais:

– Isto mesmo, vão esvaziar a lagoa, morreremos todos, mas eu tenho a solução. Vou dar um conselho: aqui perto tem um poço de águas muito limpas, vamos nos mudar para lá antes que esvaziem a lagoa.

– Mas como faremos isso? – falou um peixe.

– Muito simples, – falou a Garça – coloco todos vocês no meu bico e faço o transporte.

Conselho de Vó: Nunca aceite conselho de um inimigo.

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Fábula de Monteiro Lobato

Certa vez, perdido depois de uma tempestade, um Morcego caiu em um ninho de coruja, e teria ali ficado se não fosse a dona do ninho regressar e começar a enxotá-lo:

– Como se atreve a entrar na minha casa, não sabe que odeio os ratos!!!

– Então acha que sou um rato? Pois não tenho asa e voo como você? – respondeu o Morcego.

A Coruja não soube como discutir com o argumento e por isso lhe poupou a pele.

Procurando outro abrigo o pobre Morcego acabou parando na toca de um gato-do-mato, que ao ver o intruso começou a expulsá-lo dali:

– Como tem o topete de invadir a minha casa? Não saber que detesto aves?

– E quem disso que sou ave? Sou bicho de pelo como você!

– Mas sei que voa, não voa?

– Não, somente caio com elegância – respondeu o Morcego.

– Mas tem asa, não tem?

– Asa? Que tolice, teria asas se tivesse penas.

O gato-do-mato ficou sem argumento e o deixou ir embora sem prejudicá-lo.

Conselho de vó: em momentos adversos, quem se adapta, sobrevive.

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Fábula de Monteiro Lobato

A Onça caiu da árvore e ficou acamada por muitos dias, como não podia sair da toca começou a ficar com fome e chamou a comadre Irara para pedir ajuda.

– Diga aos animais que estou doente, muito doente, peça que venham me visitar – falou a Onça para a Irara.

A Irara deu o recado a todos os animais e eles começaram a fazer visitas, veio a Capivara, a Cutia, o Veado, e por fim veio o Jabuti.

Ao entrar na toca o Jabuti viu as pegadas dos animais que tinham vindo primeiro, mas o que o deixou curioso foi que tinha pegadas entrando, mas não tinha nenhuma saindo.

– Me parece que nesta toca quem entra não sai, acho que em vez de visitar vou para minha casa rezar por ela.

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