A Morte e o Lenhador

Fábula de Monteiro Lobato

Era uma vez, um velhinho, muito velho, que vivia de tirar lenha na mata.

Os feixes, porém, cada vez lhe pareciam mais pesados.

Tropeçava com eles, quase caía, e um dia, caiu de verdade, perdeu a paciência e lamentou-se amargamente:

— Antes morrer! De que me vale a vida, se nem com este miserável feixe posso? Vem, ó Morte, vem aliviar-me do peso desta vida inútil.

Tentou erguer a lenha. Não pôde e, desanimando, invocou pela segunda vez a Morte:

 — Por que demoras tanto, Morte? Vem, já pedi, vem aliviar-me do fardo da vida. Andas pelo mundo a colher criancinhas e esqueces de mim que te chamo…

Então, a Morte apareceu, horrenda, escaveirada, com os ossos a chocalharem e a foice na mão.

Ao vê-la de perto, o homem estremeceu de pavor, e mais ainda quando a Morte lhe disse, batendo os ossos do queixo:

— Me chamou, aqui estou! O que queres?

O velho tremia, suava e para sair-se do apuro falou:

— Chamei-te, sim, mas para me ajudares a botar esta lenha de novo às costas…

Conselho de vó: Cuidado com o que pede, cuidado com suas palavras, às vezes, bem rápido, elas se tornam realidade, então, melhor só falar e invocar coisas boas.

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