O presente da Bruxa

Adaptação de MFátima Lima

Era uma vez um rei e uma rainha que queriam muito ter um filho, mas estava demorando muito para a rainha engravidar. Um dia a camareira, vendo a tristeza da rainha falou que conhecia uma velha feiticeira que poderia ajudar. Assim, a mulher foi convidada a vir ao palácio e a rainha lhe explicou a situação. A velha pegou a vasilha de água que estava no quarto real, falou algumas palavras e entregou à rainha:

– Beba um gole dessa água todos os dias, daqui a um ano você terá um filho.

A rainha acreditou tanto que já queria fazer o pagamento. A velha não aceitou e só pediu que, assim que nascesse o menino, ela fosse avisada porque queria ser a madrinha da criança. A rainha concordou imediatamente.

Passou o tempo, realmente a rainha engravidou e um ano após a visita nasceu um lindo menino. A alegria no palácio foi muito grande, o rei preparou uma grande festa para comemorar o nascimento do príncipe. Foram convidados todos os reis dos reinos vizinhos e pessoas importantes de todo o mundo. O rei também escolheu sete fadas para serem as madrinhas do menino. A rainha estava tão feliz que nem se lembrou da velha feiticeira.

O dia da festa estava lindo, os convidados foram chegando com suas famílias e muitos ajudantes foram contratados para dar conta do trabalho. No meio de tanta gente chegou também uma velha que ninguém se importou. As honras eram para os reis convidados e, principalmente, para as sete fadas madrinhas.

Depois do farto banquete o príncipe começou a receber os presentes. Cada fada se apresentava e, com sua varinha, tocava o bebê dizendo:

– Como sua madrinha eu te dou a beleza sem igual.

– Como sua madrinha eu te dou a força de muitos homens.

– Como sua madrinha eu te dou a inteligência.

E assim as sete deram os seus presentes ao menino, um dom melhor que o outro. Quando a sétima terminou, apresentou-se também a velha muito mal vestida e com uma cara de poucos amigos:

– Rainha, esse menino deveria ser meu afilhado, mas você não cumpriu o acordo que fizemos.

A rainha levou um choque, temeu pela vida do filho, pediu mil perdões, ninguém estava entendendo nada, e a velha continuava brava.

– Por sua falta esse menino será castigado.

A rainha chorou, disse que o filho não tinha culpa, que a falta foi dela que estava tão feliz e por isso acabou esquecendo a promessa.

Mesmo assim a velha tocou o menino e falou:

– Como sua madrinha eu te dou a capacidade para fazer perfeitamente qualquer coisa que desejar.

Dizendo isso desapareceu numa nuvem de fumaça.

Todos respiraram aliviados, especialmente a rainha, afinal a feiticeira havia dado um bom presente e não um castigo como parecia minutos antes.

O menino foi crescendo e realmente os dons recebidos das fadas se faziam presentes. E o dom recebido da feiticeira também. Tudo o que ele resolvia aprender saia perfeito, fosse uma pintura, uma escultura, um instrumento musical, um jogo ou um ofício qualquer, nem os professores tinham tanta habilidade como ele.

E o que parecia ser um dom foi se tornando um tormento, ninguém suportava ser comparado com ele que sempre se saia melhor. E todos foram se afastando dele, inclusive os amigos. Outra coisa que acontecia é que o príncipe mudava de interesse a todo momento, nada prendia sua atenção por muito tempo.

Assim foi até que nada mais lhe interessou e o rapaz se trancou no quarto consumido pela tristeza e sem vontade para fazer qualquer coisa.

A rainha sua mãe ficou inconformada com aquilo e procurou a feiticeira. Voltou a lhe pedir perdão, chorou, implorou e disse que faria qualquer coisa para seu filho voltar a ter alegria de viver.

– Você já fez, – respondeu a velha bruxa. Você se humilhou e veio até aqui, reconheço que o castigo foi além da sua falta em me esquecer. Leve esta água e dê para o príncipe. O feitiço está retirado e ele ficará bom.

A rainha deu da água para o filho e uma semana depois ele resolveu fazer um jardim para se distrair um pouco. Estava tendo dificuldade no trabalho e pediu ajuda ao jardineiro. Assim teve o interesse despertado novamente para fazer coisas sem, no entanto ultrapassar seus mestres. Mas foi um bom rei quando passou a tomar conta do reino.

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