Corcunda, manca e de pescoço torto

História de Ítalo Calvino

Era uma vez um rei que havia saído a passeio. Ele observava as pessoas, as andorinhas, as casas e estava contente.

Passou uma velhinha ao lado de sua carruagem, ela mancava um pouco de uma perna, era também meio corcunda e, além disso, tinha o pescoço torto.

O rei a observou e debochou:

— Corcunda, manca e de pescoço torto! Ah, ah, ah!

O que ele não sabia era que a velhinha era uma fada. Ela olhou o rei nos olhos e disse:

— Ria, voltaremos a conversar amanhã.

E o rei explodiu noutra risada:

— Ah, ah, ah!

Esse rei tinha três filhas lindas. No dia seguinte, resolveu convidá-las para um passeio. Quando foi chamar a filha mais velha viu que ela estava com uma corcunda.

— Que é essa corcunda? O que aconteceu? – disse o Rei.

— Acho que a camareira não arrumou direito a minha cama, eu dormi e acordei assim – disse a moça.

O rei ficou nervoso e começou a andar de um lado para outro.

Mandou chamar a segunda filha e ela chegou com o pescoço torto.

— Que história é essa? O que aconteceu com seu pescoço? – falou o Rei.

— Quando a camareira estava me penteando, puxou meu cabelo muito forte e eu fiquei com o pescoço assim.

Assim que acabou de falar, a filha mais nova entrou na sala mancando.

— Mas o que é isso? Por que está mancando? – falou o Rei.

— Eu fui ao pomar colher uma maçã, a camareira deixou cair uma fruta em meu pé e agora estou mancando.

— Mas quem é essa camareira? Tragam-na à minha presença! – gritou o Rei muito nervoso.

A camareira foi levada ao rei por alguns guardas e, imediatamente, o Rei a reconheceu-a como a velhinha do dia anterior. Ele ficou muito envergonhado com o que havia feito.

Assim que pediu desculpas pelo seu comportamento, as suas filhas voltaram ao que eram antes.

Conselho de vó: Quando a dor do outro não te afeta a vida dá um jeito de te ensinar.

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