O alfaiate valente

História dos Irmãos Grimm

Em certa manhã, um alfaiate estava terminando de cozer uma calça quando uma vendedora de geleias passou pela rua oferecendo suas delícias. O alfaiate comprou um pote e tratou logo de passar em uma fatia de pão para comer enquanto trabalhava. Distraiu-se com o trabalho e quando voltou para comê-la, viu sete moscas sentadas na geleia.

Ele ficou muito irritado com a ousadia e resolveu dar um fim nelas, pegou um tecido, enrolou na mão e de uma vez só atingiu as sete moscas que morreram instantaneamente.

O alfaiate ficou impressionado com a sua proeza e bordou no seu cinto os seguintes dizeres: “Mato sete com um golpe”.

Depois disso, cansado da vida pacata de alfaiate, resolveu sair pelo mundo à procura de aventuras. Colocou em sua bolsa o que sobrou da geleia, um pão e um queijo.

Assim que saiu da alfaiataria encontrou um pássaro enroscado nos galhos de um arbusto, salvou o pobre bichinho e o colocou na sua bolsa.

Depois de muito caminhar chegou a uma colina onde um gigante descansava. Resolveu falar com o grandão.

– Deseja me acompanhar amigo?

O gigante achou muita ousadia o convite do pequeno alfaiate e, vendo a frase em seu cinto, começou a rir. Pegou uma pedra com as mãos e a esfarelou para mostrar ao homenzinho o quanto era forte.

Para não ficar por baixo o alfaiate fingiu que pegava uma pedra, pegou o queijo e o esfarelou também. Para revidar, o gigante pegou outra pedra e a jogou para longe. Fingindo que também pegava outra pedra, o alfaiate pegou o pássaro e o jogou no ar. O pássaro voou para longe e o gigante achou o pequeno realmente forte e o convidou para ir com ele para sua caverna.

O alfaiate aceitou e chegando lá, o gigante o convidou para passar a noite ali para no dia seguinte partirem.

Inconformado com a força do pequeno, no meio da noite o gigante atacou a cama do alfaiate e a destruiu em pedaços. Só que o alfaiate esperto havia colocado almofadas na cama e saído de fininho. No dia seguinte o gigante encontrou o alfaiate na floresta, ficou de queixo caído ao vê-lo com vida e fugiu com medo do pequeno.

A notícia de que um gigante fugira de um homem tão pequeno se espalhou. O rei, impressionado, prometeu que se o rapaz se livrasse dos dois terríveis gigantes que apavoravam seus súditos, lhe daria muitas terras e tesouros como prêmio.

O alfaiate aceitou o desafio e encontrou os gigantes que cochilavam. Apanhou algumas pedras e as atirou contra um dos grandões, que acordou raivoso, achando que o companheiro as havia jogado. Então, para se vingar o golpeou, dando início a uma briga que acabou com a morte dos dois gigantes.

Mais uma vez a notícia se espalhou e o rapaz vitorioso, voltou ao palácio.

Mas o rei lhe transmitiu outra missão, na esperança de que o pobre alfaiate fosse morto e ele não precisasse pagar o que havia lhe prometido. Ele teria que trazer ao rei o chifre de um unicórnio muito arisco.

Na floresta, o alfaiate realmente encontrou o unicórnio, colocou-se em frente a uma árvore e provocou o animal que galopou em sua direção. No último instante, o jovem pulou para o lado, e o chifre do unicórnio ficou preso no tronco.

Rapidamente, o rapaz serrou o chifre e retornou ao castelo.

Surpreso, o rei fingiu satisfação e hospedou o homenzinho para no dia seguinte lhe dar os prêmios.

Inconformado, o rei chamou alguns soldados e ordenou que levassem o alfaiate para a cela mais fria do calabouço com a ordem de atacá-lo de madrugada.

Porém, quando se aproximavam da cela o alfaiate começou a falar:

– Eu já matei sete com um golpe só! Afugentei um gigante! Matei outros dois! Cortei o chifre do unicórnio! E, agora, estou pensando no que fazer com os fracotes que vêm ao meu encontro.

Ouvindo isso, os soldados fugiram com medo dele.

O rei teve de cumprir sua palavra e lhe pagou o que devia.

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